Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

CASSIRER (3)



Ernst Cassirer
Em
Antropologia Filosófica.






“Existem coisas que, pela sua sutileza e infinita variedade, desafiam todas as tentativas de análise lógica.

E se há alguma coisa no mundo que precisamos tratar desta segunda maneira, é o espírito do homem.

O que caracteriza o homem é a riqueza e a sutileza, a variedade e a versatilidade de sua natureza”.



“Nem a lógica ou a metafísica tradicionais estão em melhor posição para compreender e resolver o enigma do homem.

Sua primeira e suprema lei é o princípio de contradição.

O pensamento racional, o pensamento lógico e metafísico, só pode compreender os objetos que estão livres da contradição e possuem uma natureza e verdade coerentes.

Entretanto, é precisamente esta homogeneidade que nunca encontramos no homem”.



“Não há outro caminho para se conhecer o homem a não ser o de compreender-lhe a vida e seu procedimento.

Mas o que encontramos aqui desafia toda tentativa de inclusão numa fórmula única e simples.

A contradição é o próprio elemento da existência humana.

O homem não tem “natureza” – não é simples e homogêneo.

É uma estranha mistura de ser e não-ser.

Seu lugar fica entre estes dois pólos opostos”.








CASSIRER, Ernst. Antropologia Filosófica. Tradução de Vicente Felix de Queiroz. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1972.

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

ADELINO FONTOURA



ATRAÇÃO E REPULSÃO
(Adelino Fontoura)





Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.

Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui té junto a ti, de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano.








BANDEIRA, Manuel. Antologia dos Poetas Brasileiros. Poesia da Fase Parnasiana. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s/data.

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

CLAUSEWITZ (4)



Clausewitz
Em
Crítica.






“Se a função da crítica é atribuir louvores ou censuras, seria necessário colocar-se o mais perto possível do ponto de vista de quem comanda a ação, para que, com isso, acumule tudo o que ele sabe e todos os motivos que o levam a agir, e também deixe fora do seu raciocínio tudo o que a pessoa não pode ou não sabe – principalmente, o resultado.

Entretanto, isso é apenas uma meta que devemos tentar atingir, mas sabemos que nunca poderá ser atingida, porque as circunstâncias peculiares que envolvem e procedem a um acontecimento jamais poderão ser reconstruídas, para serem colocadas mediante os olhos do crítico, exatamente como são vistas pelos olhos da pessoa que age.

Um determinado número de circunstâncias menores, que pode ter influenciado o resultado, evidentemente, se perde no tempo, e muitos motivos subjetivos nunca se tornam conhecidos”.








CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra: a arte da estratégia. Tradução de Pilar Satierra. São Paulo: Tahyu, 2005.

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MARIE LAURENCIN



Museum of Modern Art, New York City

Girl’s Head
(1916-18) – aquarela, lápis e crayon sobre papel – 15,9 x 17,8 cm.
Autora: Marie Laurencin
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

CONFÚCIO (2)



CONFÚCIO
(trechos)





“Enquanto subsistam vossos pais, não vos afasteis de nenhum deles, e se porventura vos afastardes, deveis comunicar-lhes para onde ides”.



“Só os pais e as mães se afligem verdadeiramente na doença dos seus filhos”.



“Pode-se obrigar o povo a seguir os princípios da justiça e da razão; mas não se pode obrigá-lo a compreendê-los”.



“A natureza nos aproxima um dos outros, a educação nos separa”.



“Ninguém deve afligir-se por não ser conhecido dos homens; mas, ao contrário, de não os conhecer”.



“Saber que se sabe o que se sabe, e saber que não se sabe o que não se sabe, eis a verdadeira ciência”.







RAPOSO, Ignácio. Filosofia de Confúcio. Rio de Janeiro: Companhia Brasil Editora, 1939.

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

KARL POLANYI



Karl Polanyi
Em
A Grande Transformação.






“O abandono da utopia do mercado coloca-nos face a face com a realidade da sociedade.

Ela é a linha divisória entre o liberalismo de um lado, o fascismo e o socialismo de outro.

A diferença entre esses dois não é basicamente econômica, é moral e religiosa.

Mesmo quando professam economias idênticas, eles não são apenas diferentes mas são, também, manifestações de princípios opostos.

E a liberdade é, mais uma vez, o ponto extremo no qual eles se separam.

A realidade da sociedade é aceita tanto por fascistas como por socialistas, com a mesma finalidade com que o conhecimento da morte moldou a consciência humana.

O poder e a compulsão fazem parte dessa realidade e não seria válido qualquer ideal que os banisse da sociedade.

Se a idéia da liberdade pode ser mantida ou não, em face desse conhecimento, é o tema sobre o qual eles divergem.

É a liberdade uma palavra vazia, uma tentação, destinada a arruinar o homem e suas obras, ou o homem pode reafirmar a sua liberdade em face desse conhecimento e lutar para que a sociedade a atinja sem cair num ilusionismo moral?”






POLANYI, Karl. A Grande Transformação. Tradução de Fanny Wrobel. Revisão Técnica de Ricardo Benzaquen de Araújo. Rio de Janeiro: Campus, 1980.

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Sábado, 27 de Junho de 2009

CHESTERTON



Gilbert Keith Chesterton
Em
Ortodoxia.





“A única coisa criada para a qual não podemos olhar é a única coisa à luz da qual olhamos para todas as coisas.

Como o Sol ao meio-dia, o misticismo explica todas as coisas pelo clarão de sua própria e vitoriosa visibilidade.

O intelectualismo isolado é (no sentido exato duma frase popular) todo luar, porque é uma luz sem calor, ou seja, uma luz secundária e refletida dum mundo morto.

Mas os Gregos tiveram razão quando fizeram Apolo deus da imaginação e da saúde, porque ele era não só o patrono da poesia como o da cura”.





“As crianças são dotadas de abundante vitalidade, são essencialmente impetuosas e livres e, por isso, querem as coisas repetidas e inalteradas.

É por essa razão que dizem “torna a fazer”, e o adulto repete-lhe a mesma coisa até ficar quase morto.

Os adultos não são suficientemente fortes para exultarem na monotonia, mas talvez Deus seja suficientemente forte para isso.

É possível que Deus diga ao Sol, todas as manhãs: “torna a fazer”, e diga à Lua, todas as noites: “torna a fazer”.






CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. Tradução do Professor Eduardo Pinheiro. 3ª. Ed. Porto: Livraria Tavares Martins, 1956.

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RABISCOS NO BLOCO


Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

KARL JASPER



Karl Jaspers
Em
A Luta Contra o Totalitarismo.






“Toda compreensão do princípio da causalidade histórica é específica.

A tarefa de compreender a relação é interminável, uma introspecção da necessidade de acontecimentos é inatingível.

“Tinha que acontecer” é a expressão usada por muitos historiadores que, influenciados pela filosofia da história de Hegel e Marx, dão um sentido falso aos limites de sua investigação.



Mas se um completo conhecimento da necessidade na história é inatingível, os julgamentos particulares tornam-se ainda mais importantes.

Servem para dar a perspectiva ao que talvez possa acontecer.

Quanto mais claros, tanto mais tornam uma pessoa consciente da liberdade de escolha em sua situação.

Essa liberdade de escolha não pode ser eliminada, mesmo que seu horizonte seja sempre limitado”.









JASPERS, K. “Luta Contra o Totalitarismo”. In. RUITENBEEK, H. (org.) O Dilema da Sociedade Tecnológica. Tradução de Wamberto Hudson Ferreira. Petrópolis: Vozes, 1971.

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

ORISON SWEET MARDEN



Orison Sweet Marden
Em
No Caminho da Vida
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“Para elevarmos ao máximo as probabilidades da vitória, é indispensável cortarmos a retirada, queimando as naus, ou fazendo saltar as pontes, entregando-nos por completo à projetada empresa, para que, nem o desalento, nem os obstáculos, nos levem a retroceder”.



“A primeira lição que o candidato ao êxito deve aprender é a que lhe ensine a perseverar e a resistir, pois, sem constância, de pouco servem o talento e a cultura”.



“Tudo quanto passa pelas vossas mãos é a vossa mercadoria, e, portanto devereis por nela, como marca de fábrica, o selo de vosso caráter”.



“Os que carecem de cultura acadêmica, tendem a exagerar as suas vantagens”.



“Como regra geral, os homens que levaram a cabo as magnas empresas foram censurados e incompreendidos; tiveram, porém força suficiente e não menos prudência para desdenhar a indiferença e a hostilidade dos homens e prosseguirem sem vacilar na sua marcha”.









MARDEN, O. S. No Caminho da Vida. Tradução de Vitor Hugo Antunes. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, 1925.

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