Ars poética
(Augusto Frederico Schmidt)
Enquanto procuravam conceituar a poesia
E velavam sua face
Com palavras perfeitas,
Enquanto marcavam com sinais agudos
As fronteiras do domínio poético,
Enquanto a inteligência perseguia o mistério –
Veio descendo a tarde
E uma doçura mortal
Envolveu a rua e o mundo.
No céu quase roxo,
No céu incerto e delicado,
Asas escuras fugiam
Do noturno próximo
E subitamente, sinos
Soluçaram.
SCHMIDT, Augusto Frederico. Antologia Poética. Seleção de Waldir Ribeiro do Val. Introdução de Bernardo Gersen. Rio de Janeiro: Leitura, 1962.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Frederico_Schmidt
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
EPICTETO (5)
EPICTETO – MÁXIMA 248
“Nem as vitórias dos jogos olímpicos, nem as que se alcançam nas batalhas, tornam o homem feliz. As únicas que o tornam ditosos são as que logra contra si próprio. São combates as tentações e provas. Foste vencido uma, duas, muitas vezes; combate ainda. Se, por fim, chegares a vencer, serás ditoso pelo resto da vida, como se sempre houvesses vencido.”
Epicteto: filósofo da escola dos estóicos, vivendo entre a Grécia e Roma nos meados do primeiro século da era cristã. Foi escravo, em Roma, na época de Nero.
EPICTETO. Máximas. Tradução de Alberto Denis. São Paulo: Ed. E Pub. Brasil Editora, 1960.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epiteto
“Nem as vitórias dos jogos olímpicos, nem as que se alcançam nas batalhas, tornam o homem feliz. As únicas que o tornam ditosos são as que logra contra si próprio. São combates as tentações e provas. Foste vencido uma, duas, muitas vezes; combate ainda. Se, por fim, chegares a vencer, serás ditoso pelo resto da vida, como se sempre houvesses vencido.”
Epicteto: filósofo da escola dos estóicos, vivendo entre a Grécia e Roma nos meados do primeiro século da era cristã. Foi escravo, em Roma, na época de Nero.
EPICTETO. Máximas. Tradução de Alberto Denis. São Paulo: Ed. E Pub. Brasil Editora, 1960.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epiteto
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
BRINCANDO É QUE SE BRINCA

O Reflexões foi honrado com a comenda acima por um carinho dos blogs FANTASIAS E REALIDADES e VARAL DE IDÉIAS (Eduardo Lunardelli) .
Em vez de indicar alguns companheiros, aproveito a oportunidade para agradecer a todos os editores de blogs que brincam diariamente com a gente.
Muitos deles estão na lista de links ao lado, alguns ainda não, mas em todos encontrei respeito, elegância e uma generosidade autêntica que me permite acreditar no futuro da idéia de compartilhamento no processo de “educação” informal.
Muito obrigado.
FLORBELA ESPANCA (4)
A uma rapariga
(Florbela Espanca)
Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.
Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!
Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!
Que as mãos da terra façam com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste de uma flor!...
ESPANCA, Florbela. Sonetos. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2005.
Sobre a autora:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca
terça-feira, 4 de setembro de 2007
SENECA
Seneca
Em Consolação À Minha Mãe Hélvia
“É a alma que torna ricos os homens: a alma segue-os no exílio; e quando encontra quanto basta para sustentar o corpo, mesmo nas mais ásperas solidões, é rica e goza de seus bens; à alma nada importa o dinheiro, não mais do que importa aos deuses imortais”
“Todas essas coisas que os tolos, escravos do próprio corpo, olham admirando – mármores, ouros, pratas, grandes mesas redondas e polidas – são pesos terrenos que não podem atrair uma alma pura e que lembra sua natureza, imune de tal vício e pronta para voar ao céu assim que se liberta do corpo, ...”
“Por isso, não pode nem ser mandada ao exílio, pois que é livre, semelhante aos deuses, presente em todo o espaço e contemporânea a todo o tempo: porque seu pensamento vaga em todos os céus e penetra o passado e o futuro.”
“É esse nosso mísero corpo, prisão e corrente da alma, que pode ser jogado em qualquer lugar; sobre ele têm poder os suplícios, os roubos, as doenças: a alma é sagrada e eterna, e ninguém lhe pode fazer violência.”
SENECA, Lúcio Aneu. Obras. Tradução de G. D. Leoni. São Paulo: Atena Editora, 1955.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca
Em Consolação À Minha Mãe Hélvia
“É a alma que torna ricos os homens: a alma segue-os no exílio; e quando encontra quanto basta para sustentar o corpo, mesmo nas mais ásperas solidões, é rica e goza de seus bens; à alma nada importa o dinheiro, não mais do que importa aos deuses imortais”
“Todas essas coisas que os tolos, escravos do próprio corpo, olham admirando – mármores, ouros, pratas, grandes mesas redondas e polidas – são pesos terrenos que não podem atrair uma alma pura e que lembra sua natureza, imune de tal vício e pronta para voar ao céu assim que se liberta do corpo, ...”
“Por isso, não pode nem ser mandada ao exílio, pois que é livre, semelhante aos deuses, presente em todo o espaço e contemporânea a todo o tempo: porque seu pensamento vaga em todos os céus e penetra o passado e o futuro.”
“É esse nosso mísero corpo, prisão e corrente da alma, que pode ser jogado em qualquer lugar; sobre ele têm poder os suplícios, os roubos, as doenças: a alma é sagrada e eterna, e ninguém lhe pode fazer violência.”
SENECA, Lúcio Aneu. Obras. Tradução de G. D. Leoni. São Paulo: Atena Editora, 1955.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (3)
SER
(Carlos Drummond de Andrade)
O filho que não fiz
hoje seria homem
ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.
Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.
Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?
Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste,
contudo chamava-te
como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.
O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Organizada pelo autor. 16a. edição. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1983.
(Carlos Drummond de Andrade)
O filho que não fiz
hoje seria homem
ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.
Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.
Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?
Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste,
contudo chamava-te
como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.
O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Organizada pelo autor. 16a. edição. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1983.
domingo, 2 de setembro de 2007
D. T. SUZUKI
O que é o Zen?
(D. T. SUZUKI)
“A idéia básica do Zen é a de entrar em contato com os trabalhos íntimos do nosso ser da maneira mais direta possível, sem necessitar de alguma coisa externa superimposta.
Portanto, tudo que aparenta ser uma autoridade externa é rejeitado pelo Zen.
Uma fé absoluta é colocada no ser interno do homem. Qualquer autoridade que possa ter o Zen provém de dentro.
Isto é verdadeiro no sentido estrito da palavra.
Até a faculdade do raciocínio não é considerada final ou absoluta. Ao contrário, ela impede a mente de entrar em comunicação direta consigo mesma.
O intelecto realiza sua missão quando age como intermediário, e o Zen nada tem a ver com intermediários, exceto quando deseja comunicar-se com os outros.
Por essas razões, todas as escrituras são meramente tentativas e provisórias. Não há nelas finalidade. O fato central da vida como é vivida é o que o Zen deseja captar e assim mesmo de maneira mais direta e vital.
O Zen diz ser o espírito do budismo, mas de fato ele é o espírito de todas as religiões e filosofias.
Quando o Zen é compreendido completamente, a paz absoluta da mente é alcançada, e o homem vive conforme deve viver. Que mais podemos desejar?”
SUZUKI, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen-budismo. Tradução de Murilo Nunes de Azevedo. Rio de Janeiro; Ed. Civilização Brasileira, 1961.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Daisetz_Teitaro_Suzuki
(D. T. SUZUKI)
“A idéia básica do Zen é a de entrar em contato com os trabalhos íntimos do nosso ser da maneira mais direta possível, sem necessitar de alguma coisa externa superimposta.
Portanto, tudo que aparenta ser uma autoridade externa é rejeitado pelo Zen.
Uma fé absoluta é colocada no ser interno do homem. Qualquer autoridade que possa ter o Zen provém de dentro.
Isto é verdadeiro no sentido estrito da palavra.
Até a faculdade do raciocínio não é considerada final ou absoluta. Ao contrário, ela impede a mente de entrar em comunicação direta consigo mesma.
O intelecto realiza sua missão quando age como intermediário, e o Zen nada tem a ver com intermediários, exceto quando deseja comunicar-se com os outros.
Por essas razões, todas as escrituras são meramente tentativas e provisórias. Não há nelas finalidade. O fato central da vida como é vivida é o que o Zen deseja captar e assim mesmo de maneira mais direta e vital.
O Zen diz ser o espírito do budismo, mas de fato ele é o espírito de todas as religiões e filosofias.
Quando o Zen é compreendido completamente, a paz absoluta da mente é alcançada, e o homem vive conforme deve viver. Que mais podemos desejar?”
SUZUKI, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen-budismo. Tradução de Murilo Nunes de Azevedo. Rio de Janeiro; Ed. Civilização Brasileira, 1961.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Daisetz_Teitaro_Suzuki
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