quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
JOAQUIM NABUCO (2)
Joaquim Nabuco
Em
Minha Formação
Traços americanos
“Como antes eu disse, não há vida particular nos Estados Unidos. Para a reportagem não existe linha divisória entre a vida pública e a privada”.
“O político é entregue sem piedade aos repórteres; a obrigação destes é rasgar-lhes, seja como for, a reputação, reduzi-lo a um andrajo, rolar com ele na lama”.
“O efeito de tal sistema pode ser moralizar a vida privada, pelo menos a dos que pretendem entrar para a política, se há moralidade no terror causado por um desses formidáveis exposures eleitorais, os franceses diriam chantage. A vida política, porém, ele não tem moralizado. A consciência pública americana é muito inferior à privada, a moral do Estado à de família”.
“Mas, desde que a corrupção reina nos dois partidos, que ambos têm as suas chagas conhecidas, as suas ligações comprometedoras, todas as campanhas a favor da pureza administrativa têm muito de insincero, de simulado, de convencional, o que não acontece com as investigações da vida privada”.
“O americano sabe que há no seu país uma opinião pública, desde que cada americano tem uma opinião sua. É uma força latente, esquecida, em repouso, que não se levanta sem causa suficiente, e esta raro se produz; mas é uma força de uma energia incalculável, que atiraria pelos ares tudo o que lhe resistisse, partido, legislaturas, Congresso, presidente”.
NABUCO, Joaquim. Minha Formação. Prefácio de Carolina Nabuco. Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Nabuco
GUIGNARD

Coleção Particular
AUTO RETRATO VESTIDO DE MARINHEIRO
1930 – óleo sobre tela - 22 x 16 cm
Autor: ALBERTO DA VEIGA GUIGNARD
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_da_Veiga_Guignard
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_da_Veiga_Guignard
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
BENJAMIN PÉRET (2)
Benjamin Péret
Em
EU SUBLIME
UMA MANHÃ
Há gritos que não acabam mais
berros de terra agitada como um leque
desmantelado
por topeiras em conserva
por soluços de tábuas que alguém estripa
longos como uma locomotiva que vai nascer
por convulsões de árvores revoltadas que não querem
deixar subir a seiva
tanto como o metrô não aceita transportar avestruzes
nos seus túneis de barba mal-escanhoada
há gritos
aranhas de vitríolo que engulo sem perceber
perto desse rio gasto saído de um bocal de cachimbo
que não passa de um longo focinho
um pouco quente
um pouco mais resmungão que um caldeirão quase
vazio
este no que tu não vês como não vês a poeira de uma
hóstia
que o vento misturou
com a poeira do vigário semelhante ao sulfato de cobre
e à da igreja mais torta que um velho
saca-rolha
pois não estás mais aí do que não estou aí sem ti
e com isso o mundo fica todo descabelado.
PÉRET, Benjamin. Amor sublime: ensaio e poesia. Organização: Jean Puyade. Tradução: Sérgio Lima, Pierre Clemens. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_P%C3%A9ret
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
CONDILLAC (2)
CONDILLAC
Em
Lógica
“Para que um método para raciocinar nos ensine a raciocinar, somos levados a acreditar que em cada raciocínio a primeira coisa deveria ser pensar nas regras segundo as quais ele deve se fazer, e assim nos enganamos.
Não pertence a nós pensar nas regras, pertence a elas conduzir-nos sem que nelas pensemos.
Não se falaria se, antes de começar cada frase, fosse necessário se ocupar da gramática.
Ora, a arte de raciocinar, como em todas as línguas, só se fala bem na medida em que se fala naturalmente.
Meditem o método e meditem bastante, porém não pensem mais nele quando quiserem pensar em outra coisa.
Algum dia ele se tornará familiar: então, sempre com os senhores, ele observará seus pensamentos que se conduzirão sozinhos e zelará sobre eles para lhes impedir todo desvio.
É tudo o que os senhores devem esperar do método”.
CONDILLAC, Étienne Bonnot De. “Lógica”. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. In.CIVITA, Victor (editor) Textos Escolhidos: Condillac/ Helvetius/ Degerando. São Paulo: Abril Cultural, 1973.(Os pensadores)
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_Bonnot_de_Condillac
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
ARISTÓTELES (3)
ARISTÓTELES
Em
Arte Retórica
“Os velhos e aqueles que ultrapassaram a flor da idade ostentam geralmente caracteres quase opostos aos dos jovens; como viveram muitos anos, e sofreram muitos desenganos, e cometeram muitas faltas, e porque, via de regra, os negócios humanos são mal sucedidos, em tudo avançam com cautela e revelam menos força do que deveriam”.
“Têm opiniões, mas nunca certezas. Irresolutos como são, nunca deixam de acrescentar ao que dizem: “talvez”, “provavelmente”.
Assim se exprimem sempre, nada afirmam de modo categórico”.
“Têm também mau caráter, pois ter mau caráter é levar tudo a mal. São igualmente suspeitosos, pois são desconfiados e foi a experiência que lhes inspirou essa desconfiança”.
“Em sua maneira de proceder, obedecem mais ao cálculo do que à índole natural, - dado que o cálculo visa o útil, e a índole, a virtude. Quando cometem injustiças, fazem-no com o fim de prejudicar, e não de mostrar insolência”.
“Como todos os ouvintes escutam de bom grado os discursos conformes com seu caráter, não resta dúvida sobre a maneira como devemos falar, para que, tanto nós, como nossas palavras, assumam a aparência desejada”.
ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética.Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1969.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
domingo, 3 de fevereiro de 2008
sábado, 2 de fevereiro de 2008
MARIANO JOSÉ PEREIRA DA FONSECA
Mariano José Pereira da Fonseca
(Marquês de Maricá)
Em
MÁXIMAS, PENSAMENTOS E REFLEXÕES
“A nossa vida é quase toda um sonho, e sonhamos acordados mais vezes do que dormindo.”
“O estudo confere ciência, mas a meditação, originalidade.”
“O erro máximo dos filósofos foi pretender sempre que os povos filosofassem.”
“Ninguém mente tanto nem mais do que a História.”
“É mais fácil maldizer dos homens do que instruí-los e melhorá-los.”
“É muito provável que a posteridade, para quem tantos apelam, tenha tão pouco juízo como nós e os nossos antepassados.”
FONSECA, Mariano José Pereira da . MÁXIMAS, PENSAMENTOS E REFLEXÕES
Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000037.pdf
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariano_Jos%C3%A9_Pereira_da_Fonseca
LEON BAKST

Metropolitan Museum of Art Timetable of Art History, New York City
Costume Study for Nijinsky in his Role in La Péri
Anos 20 do século XX – Aquarela – 67,6 – 48,9 cm
Autor: Leon Bakst
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9on_Bakst
Autor: Leon Bakst
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9on_Bakst
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
PABLO NERUDA (6)
Pablo Neruda
Em
Ainda
XXVI
Se há uma pedra destroçada
dela faço parte:
estive na ventania,
na onda,
no incêndio terrestre.
Respeita essa pedra perdida.
Se encontras num caminho
um menino
roubando maçãs
e um velho surdo
com um acordeon,
recorda que eu sou
o menino, as maçãs e o ancião.
Não me magoes perseguindo o menino,
não batas no velho vagabundo,
não atires ao rio as maçãs.
NERUDA, Pablo. Ainda. Tradução de Olga Savary. 2a. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1977.
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