quarta-feira, 9 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

JUNG (2)



C. G. Jung
Em
Memórias, Sonhos, Reflexões.






“A vida sempre se me afigurou uma planta que extrai sua vitalidade do rizoma; a vida propriamente dita não é visível, pois jaz no rizoma.
O que se torna visível sobre a terra dura um só verão, depois fenece...
Aparição efêmera.
Quando se pensa no futuro e no desaparecimento infinito da vida e das culturas, não podemos nos furtar a uma impressão de total futilidade; mas nunca perdi o sentimento da perenidade da vida sob a eterna mudança.
O que vemos é a floração – e ela desaparece.
Mas o rizoma persiste”.


“A lembrança dos fatos exteriores de minha vida, em sua maior parte, esfumou-se em meu espírito ou então desapareceu.
Mas os encontros com a outra realidade, o embate com o inconsciente, se impregnaram de maneira indelével em minha memória”.


“Em última análise, só me parecem dignos de ser narrados os acontecimentos da minha vida através dos quais o mundo eterno irrompeu no mundo efêmero”.






JUNG, C. G. Memórias, Sonhos, Reflexões. Compilação e Prefácio de Aniela Jaffé. Tradução de Dora Ferreira da Silva. 12ª. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung

segunda-feira, 7 de julho de 2008

CHODERLOS DE LACLOS



Choderlos de Laclos
Em
As Relações Perigosas







CARTA V

DA MARQUESA DE MERTEUIL AO VISCONDE DE VALMONT


(trecho)


“Demais, vede os aborrecimentos que vos esperam!
Que rival ides combater?
Um marido!
Não vos sentis humilhado ante esta simples palavra?
Que vergonha se malogrardes!
E sem que o êxito vos outorgue a menor honra!
Digo mais: não espereis nenhum prazer.
Poderá haver prazer com as pudicas?
E refiro-me às de boa fé: reservadas até no próprio prazer, não vos oferecem senão meios gozos.
Esse inteiro abandono de si mesmo, esse delírio da volúpia em que o prazer se apura pelo excesso, esses bens do amor não os conhecem elas.
De antemão vos digo: na melhor das hipóteses, vossa presidenta imaginará tudo ter feito por vós em vos tratando como marido, e no mais terno colóquio conjugal sempre continuamos dois.
No caso, é bem pior ainda, vossa pudica é devota, e dessa devoção de mulher simples que condena a uma eterna infância.
Talvez supereis esse obstáculo, mas não vos jacteis de destruí-lo, vencedor do amor a Deus, não o sereis do medo ao diabo; e quando, com vossa amante nos braços, sentirdes palpitar-lhe o coração, será de temor e não de amor.
Talvez, se houvésseis conhecido esta mulher mais cedo, dela pudésseis fazer alguma coisa; mas isso já tem vinte e dois anos, e há quase dois está casada.
Acredite, visconde, quando uma mulher se embutiu a tal ponto, cumpre abandona-la à sua sorte; nunca passará de uma mulher vulgar”.





DE LACLOS, Pierre Choderlos. As Relações Perigosas. Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Nova Cultural, 2002.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Choderlos_de_Laclos

sábado, 5 de julho de 2008

PABLO NERUDA (8)



As moças
(Pablo Neruda)






Ó moças que buscáveis
o grande amor, o grande amor terrível,
o que aconteceu, moças?

Talvez
o tempo, o tempo!

Porque agora,
aqui está, vê como passa
assustando as pedras celestes,
destruindo as flores e as folhas,
com ruído de espumas açoitadas
contra todas as pedras de teu mundo,
com um cheiro de esperma e de jasmins,
perto da lua sangrente!

E agora
tocas a água com teus pés pequenos,
com seu pequeno coração
e não sabes o que fazer!

São melhores
certas viagens noturnas,
certos apartamentos,
certos divertidíssimos passeios,
certos bailes sem maior conseqüência
do que seguir a viagem!

Morre de medo ou de frio,
ou de dúvida,
que eu com meus grandes passos
a encontrarei
dentro de ti
ou longe de ti,
e ela me encontrará,
a que não tremerá diante do amor,
a que estará fundida
comigo
na vida ou na morte!






NERUDA, Pablo. Os Versos do Capitão. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

CÍCERO DIAS


Coleção Chateaubriand Bandeira de Mello

Mulher sentada com espelho
1944 – Óleo sobre tela – 55,3 x 46,7 cm
Autor: Cícero Dias

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero_Dias

Ver também:
http://www.cicerodias.com.br/

sexta-feira, 4 de julho de 2008

ISÓCRATES



ISÓCRATES
Em
A Nicoclés






“Muitas coisas contribuem para a educação dos simples particulares, em primeiro lugar, uma vida isenta de moleza e sensualidade e a obrigação de prover às necessidades cotidianas; em segundo lugar, as leis que a todos nos governam, a liberdade que têm os amigos de dirigirem reparos e os inimigos de acusarem pelas suas respectivas faltas; por fim, os preceitos relativos à condução da vida, deixado por alguns dos antigos poetas: coisas essas em que os particulares encontram naturalmente meios de aprimorar-se.


Já os reis não contam com os mesmos recursos, eles que, mais do que os outros homens, precisariam de aviso, vêem-se privados desses tão logo sentam no trono.


A maioria dos homens fica distante deles; os que deles privam só se aproximam para lisonjeá-los; e, transformados em donos das mais fartas riquezas e árbitros dos maiores interesses, fazem tão mau uso desses meios de poder que muitos se perguntam se não se deve preferir, à existência dos reis, uma condição vulgar e uma vida ilibada.


Sem dúvida, atentando somente para as honras, as riquezas, a autoridade, todos os homens julgam iguais a deuses aqueles que foram investidos da potência soberana; quando, entretanto, considerar-mos os seus receios, os perigos que correm e, lembrando o passado, os vemos ora sendo atacados por quem menos deveria ameaçar a sua vida, ora obrigados a punir seus entes mais amados, ora condenados a ambas as desgraças, somos levados a pensar que a mais modesta existência é preferível ao domínio de toda a Ásia, acompanhado de tamanhas calamidades”.







ISÓCRATES. A Nicoclés. Tradução do francês de Jean – François Cleaver. In. Isócrates – et al – Conselhos aos governantes. Brasília: Senado Federal, 1998.
Disponível em:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000031.pdf

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Is%C3%B3crates

quinta-feira, 3 de julho de 2008

KANT



Immanuel Kant
Em
Crítica da Razão Pura







“Porque devem existir mais percepções que as que em geral constitui o todo da nossa experiência possível, e pode, por conseguinte, existir outro campo diferente da matéria?

A respeito disso nada pode dizer o Entendimento, que apenas se ocupa da síntese do que está dado.

Além disso, a pobreza dos nossos raciocínios comuns com os quais criamos o grande império da possibilidade, do qual toda coisa real (todo objetiva de experiência) é somente uma mínima parte, é tão patente que salta à vista.

Tudo que é real é possível; resultando daí, naturalmente, segundo as leis da lógica da inversão, esta proposição particular: algumas coisas possíveis são reais.

O que também significa: existem muitas coisas possíveis que não são reais.

Parece, é certo, que pode ser posto o número do possível muito acima do real, porque é preciso acrescentar algo àquele para que resulte isto.

Mas desconheço esta adição ao possível, porque o que seria preciso acrescentar seria impossível”.





KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Tradução de J. Rodrigues de Merege.

Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000016.pdf

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant

RABISCOS NO BLOCO


quarta-feira, 2 de julho de 2008

EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ



Eu não existo sem você
(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)







Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
Levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você


Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você





Sobre Tom Jobim:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom_Jobim

Sobre Vinícius de Moraes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vin%C3%ADcius_de_Moraes

terça-feira, 1 de julho de 2008

THEODOR ADORNO (2)



Theodor Adorno
Em
Mínima Moralia






“O que mais tememos sem verdadeira razão, aparentemente possuídos de uma idéia fixa, tem a insolente tendência a acontecer.

A pergunta, que por nenhum preço gastaríamos de ouvir, um subalterno vem fazê-la com um interesse perfidamente amistoso; a pessoa que se deseja com tanta ansiedade manter distante da mulher amada virá certamente convidá-la, ainda que a três mil milhas de distância, graças a bem intencionadas recomendações, e suscitará aquela espécie de familiaridade de onde ameaça o perigo.

É difícil dizer até que ponto a gente mesmo não promove esses horrores; se a gente, através de um silêncio por demais cuidadoso, não põe aquela pergunta na boca de um interlocutor maldoso; se a gente não acaba provocando aquele contacto fatal, pedindo ao mediador com uma confiança tola e destrutiva que deixe de mediar.

A psicologia sabe que quem fica imaginando desgraças de algum modo as está querendo.
Mas por que vêm elas tão prontamente a seu encontro?

Há na realidade algo que responde à fantasia paranóica e que esta deforma.
O sadismo latente em cada um adivinha infalivelmente a fraqueza latente de cada um”.





ADORNO, Theodor. Mínima Moralia. Reflexões a partir da vida danificada. Tradução: Luiz Eduardo Bicca. Revisão da tradução: Guido de Almeida. São Paulo: Editora Ática, 1992.


Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_Adorno