sábado, 2 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
ALPHONSUS DE GUIMARAENS (2)
ISMÁLIA
(Alphonsus de Guimaraens)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alphonsus_de_Guimaraens
quinta-feira, 31 de julho de 2008
ESPINOSA (2)
Espinosa
Em
Ética – Parte IV
“A glória não repugna à Razão, mas pode nascer dela”.
“Aquilo a que se chama a vanglória é um contentamento que é alimentado somente pela opinião do vulgo; cessando esta, cessa o contentamento, isto é, o bem supremo, que cada um ama; donde se segue que aquele que se gloria com a opinião do vulgo, atormentado por um temor cotidiano, se esforça, se agita e tenta conservar essa fama.
Com efeito, o vulgo é mutável e inconstante e, por conseguinte, se se não conserva a fama, ela apaga-se depressa.
Mais ainda, visto que todos desejam ganhar os aplausos do vulgo, facilmente um rebaixa a fama do outro; e como eles lutam pelo bem que se julga ser soberano, daí vem o imenso desejo de se oprimirem uns aos outros, seja de que maneira for.
Aquele que, por fim, sai vencedor gloria-se mais por ter prejudicado outrem que por ter feito bem a si mesmo.
Portanto, esta glória ou contentamento é, de fato, vã, porque não existe”.
ESPINOSA, Benedictus de. Ética – Parte IV. Tradução de Antônio Simões. In. ___________ Pensamentos metafísicos; Tratado da correção do intelecto; Ética; Tratado político; Correspondência. Seleção de textos de Marilena de Souza Chuaí. Traduções de Marilena da Souza Chuaí [et al.] 2ª. Edição. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_de_Espinosa
quarta-feira, 30 de julho de 2008
FLORBELA ESPANCA (7)
Florbela Espanca
Em
He hum não querer mais que bem querer
X
Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;
Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!
E abrir os braços e viver a vida:
- Quanto mais funda e lúgrube a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!
E, acabada a tarefa… em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!
ESPANCA, Florbela. Sonetos. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2005.
Sobre a autora:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca
AMADEU DE SOUZA-CARDOSO
terça-feira, 29 de julho de 2008
LEON ELIACHAR (2)
Leon Eliachar
Em
O Homem Ao Zero
“O fuzilamento é um processo de matar o sujeito que escapa da guerra – ao invés de morrer distraído, morre prevenido”.
“Existem guerras famosas: a de 14, porque sobraram catorze; a dos Cem Anos, que quando acabou só tinha velhinho, e a de 39 – que todo mundo pensa que acabou”.
“Democracia é essa forma de governo onde todos concordam em discordar um do outro, mas não convém discordar muito, senão acaba a democracia”.
“Num julgamento, o réu fica horas assistindo à discussão de dois advogados, sendo que um deles lhe faz uma série de acusações que ele nunca praticou enquanto o outro lhe atribui uma série de qualidades que ele nunca mereceu”.
“Alguns homens são tão espertos que conseguem burlar a mulher e burlar a lei – e acabam se burlando a si próprios, pois casam de novo”.
“Pediatra é um sujeito de profissão difícil: tem de agradar as mães sem prejudicar a saúde das crianças”.
ELIACHAR, Leon. O Homem Ao Zero. São Paulo: Círculo do Livro, 1963.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leon_Eliachar
segunda-feira, 28 de julho de 2008
KEN KNABB
Ken Knabb
Em
A Alegria da Revolução
“Examinados mais detalhadamente, sem dúvida, a maior parte dos exemplos de opressão de uma minoria não se deve ao domínio da maioria, mas ao domínio encoberto de uma minoria, uma situação em que uma elite dominante joga com antagonismos raciais ou culturais de forma a dirigir as frustrações das massas exploradas umas contra as outras.
Quando as pessoas têm poder real sobre suas próprias vidas surgem coisas mais importantes do que perseguir minorias”
.
“Escrever te permite desenvolver idéias em teu próprio ritmo, sem se preocupar com tua habilidade oratória ou medo do público.
Podes expressar uma idéia de uma vez por todas em vez de ter de repeti-la constantemente.
Se for necessária a discrição, um texto pode ser lançado anonimamente.
As pessoas podem lê-lo em seu próprio ritmo, parar e pensar sobre ele, voltar atrás e revisar pontos específicos, reproduzi-lo, adapta-lo, recomenda-lo a outros, etc.
O discurso falado pode gerar uma reação mais rápida e precisa, mas pode também dispersar tua energia, te impedir de se concentrar e de executar tuas idéias.
Aqueles que são escravos da mesma rotina que te escraviza tendem a resistir a teus esforços por escapar porque teu êxito desafiaria a passividade deles”.
KNABB, Ken. A Alegria da Revolução. Versão em língua portuguesa de The Joy of Revolution (visions of a liberated society and how we might get there). 1997. Tradução de Railton Sousa Guedes. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/eb000006.pdf
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Ken_Knabb
sábado, 26 de julho de 2008
DAVID HUME (2)
David Hume
Em
Ensaio Sobre o Entendimento Humano
“O mero filósofo é geralmente uma personalidade pouco admissível no mundo, pois se supõe que ele em nada contribui para o benefício ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunicação com os homens e envolto em princípios e noções igualmente distantes de sua compreensão.
Por outro lado, o mero ignorante é ainda mais desprezado, pois não há sinal mais seguro de um espírito grosseiro, numa época e uma nação em que as ciências florescem, do que permanecer inteiramente destituído de toda espécie de gosto por estes nobres entretenimentos.
Supõe-se que o caráter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os negócios; mantém na conversação discernimento e delicadeza que nascem da cultura literária; nos negócios, a probidade e a exatidão que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente”.
HUME, David. Ensaio Sobre o Entendimento Humano. Tradução de Anoar Aiex. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000027.pdf
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hume
sexta-feira, 25 de julho de 2008
MANUEL BANDEIRA (12)
NÃO SEI DANÇAR
(Manuel Bandeira)
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal.
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!
BANDEIRA, Manuel Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.
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