sexta-feira, 8 de agosto de 2008
PARMÊNIDES de ELÉIA
Parmênides de Eléia
Fragmentos
“– A deusa acolheu-me afável, tomou-me a direita em sua mão e dirigiu-me a palavra nestes termos: Oh! Jovem, a ti, acompanhado por aurigas imortais, a ti, conduzido por estes cavalos à nossa morada, eu saúdo.
Não foi um mau destino que te colocou sobre este caminho (longe das sendas mortais), mas a justiça e o direito.
Pois deves saber tudo, tanto o coração inabalável da verdade bem redonda, como as opiniões dos mortais, em que não há certeza.
Contudo, também isto aprenderás:
como a diversidade das aparências deve revelar uma presença que merece ser recebida, penetrando tudo totalmente”.
“– E agora vou falar; e tu, escuta as minhas palavras e guarda-as bem, pois vou dizer-te dos únicos caminhos de investigação concebíveis.
O primeiro (diz) que (o ser) é e que o não-ser não é; este é o caminho da convicção, pois conduz à verdade.
O segundo, que não é, é, e que não-ser é necessário; esta via, digo-te, é imperscrutável; pois não podes conhecer aquilo que não é – isto é impossível – nem expressa-lo em palavra”.
“– Pois pensar e ser é o mesmo”.
SANSON, Victorino Félix. Textos de Filosofia. Edição provisória para uso interno. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 1974.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parm%C3%AAnides_de_El%C3%A9ia
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
KIERKEGAARD (2)
Sören Kierkegaard
Em
O Desespero Humano
“O dogma do cristianismo é o dogma do homem-deus, o parentesco entre Deus e o homem, mas reservando a possibilidade do escândalo, como a garantia da qual Deus se presume contra a familiaridade humana.
Na possibilidade do escândalo está a força dialética de todo o cristianismo”.
“São duas naturezas – Deus e o homem – separadas por uma infinita diferença de natureza.
Toda a doutrina que o não quer ter em conta, é para o homem uma loucura e para Deus uma blasfêmia.
No paganismo é o homem que reduz Deus ao homem – deuses antropomórficos.
No cristianismo é Deus que se torna homem – homem-deus.
Mas a essa caridade infinita de sua graça, Deus põe contudo uma condição, uma única, que não pode deixar de por.
Consiste precisamente nisso a tristeza de Cristo, ser obrigado a pô-la.
Pode humilhar-se a ponto de tomar o aspecto de um servo, suportar o suplício e a morte, chamar-nos todos a si, sacrificar a sua vida... mas o escândalo, não!”
KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Editora Martin Claret, 2007.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B8ren_Kierkegaard
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
JOÃO DA BAIANA
CABIDE DE MULAMBO
(João da Baiana)
(samba – 1932)
Meu Deus, eu ando com o sapato furado,
Tenho a mania de andar engravatado,
A minha cama é um pedaço de esteira,
E uma lata velha que me serve de cadeira.
Minha camisa foi encontrada na praia,
A gravata foi achada na Ilha da Sapucaia,
Meu terno branco parece casca de alho,
Foi a deixa de cadáver, num acidente no trabalho.
(coro – estribilho)
Meu Deus, eu ando com o sapato furado,
Tenho a mania de andar engravatado,
A minha cama é um pedaço de esteira,
E uma lata velha que me serve de cadeira.
O meu chapéu foi de um pobre surdo e mudo,
As botina, foi de um velho, da "Revorta" de Canudo,
Quando eu saio a passeio, as damas ficam falando,
"Trabalhei tanto na vida, pro malandro tá gozando !"
(coro – estribilho)
A refeição é que é interessante,
Na tendinha do Tinoco, no pedir eu sou constante,
O Português, meu amigo sem orgulho,
Me sacode um caldo grosso, carregado no entulho.
(coro – estribilho)
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_da_Baiana
Ver também:
http://www.dicionariocravoalbin.com.br/verbete.asp?nome=Jo%E3o+da+Bahiana&tabela=T_FORM_A
terça-feira, 5 de agosto de 2008
WILLIAM JAMES
William James
Em
Pragmatimo
“A história da filosofia é, em grande parte, a de uma certa colisão de temperamentos humanos.
Indigno que possa parecer a alguns de meus colegas um tal tratamento, terei de levar em conta esses choques e explicar por seu intermédio grande parte das divergências filosóficas.
Qualquer que seja o temperamento de um filósofo profissional, trata, quando filosofando, de encobrir o fato de seu temperamento.
O temperamento não é razão convencionalmente admitida, com o que lança mão das razões impessoais somente para as conclusões.
Seu temperamento, contudo, confere-lhe uma distorção mais forte do que qualquer de suas premissas mais estritamente objetivas.
Sobrecarrega-lhe a evidência desse modo ou de outro, estabelecendo uma visão mais sentimental ou mais realística do universo, justo como esse fato ou aquele princípio o fariam.
Confia em seu temperamento.
Necessitando de um universo que se lhe adapte, acredita em qualquer representação de universo que se lhe adapta.
Sente que os homens de temperamento oposto estão fora de sintonia com o caráter do mundo, e em seu íntimo considera-os
incompetentes e “por fora” do negócio filosófico, embora mesmo possam excedê-lo a perder de vista em matéria de habilidade dialética”.
JAMES, William. Pragmatismo. Tradução de Jorge Caetano da Silva. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/William_James
LUCAS CRANACH the ELDER

The Nymph of the Spring
c. 1537 – óleo sobre painel – 48,4 x 72,8 cm.
Autor: Lucas Cranach the Elder
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Lucas_Cranach_the_Elder
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
MARTIN HEIDEGGER
Martin Heidegger
Em
Que é isso – A Filosofia?
“Com os belos sentimentos faz-se a má literatura”
Esta afirmação de André Gide não vale só para a literatura: vale ainda mais para a filosofia.
Diz-se que os sentimentos são algo de irracional.
A filosofia, pelo contrário, não é apenas algo racional, mas a própria guarda da ratio”.
“Seria muito superficial e, sobretudo, uma atitude mental pouco grega se quiséssemos pensar que Platão e Aristóteles apenas constatam que o espanto é a causa do filosofar.
Se esta fosse à opinião deles, então diriam: um belo dia os homens se espantaram, a saber, sobre o ente e sobre o fato de ele ser e de que ele seja.
Impelidos por esse espanto, começaram eles a filosofar.
Tão logo a filosofia se pôs em marcha, tornou-se o espanto supérfluo como impulso, desaparecendo por isso.
Pôde desaparecer já que fora apenas um estímulo.
Entretanto: o espanto é arkhé – ele perpassa qualquer passo da filosofia.
O espanto é páthos.
Traduzimos habitualmente páthos por paixão, turbilhão afetivo.
Mas pháthos remonta a páskhein, sofrer, agüentar, suportar, tolerar, deixar-se levar por”.
“Apenas hoje começamos lentamente, através de múltiplas interpretações do logos, a descerrar para nossos olhos o véu sobre sua originária essência grega”.
HEIDEGGER, Martin. Que é isso – A Filosofia? Tradução e notas: Emildo Stein. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000037.pdf
Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia)
Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger
sábado, 2 de agosto de 2008
TEILHARD DE CHARDIN (2)
Pensamentos de Teilhard de Chardin:
“Cada um de nós quer queira quer não, liga-se, por todas as suas fibras materiais, orgânicas e psíquicas, a tudo que o circunda”.
“O Reino de Deus está dentro de nós mesmos. Quando o Cristo aparecer sobre as nuvens, ele não fará senão manifestar uma transformação lentamente realizada, sob sua influência, no coração da massa humana”.
“Para a Verdade, basta aparecer uma só vez, num só espírito, para que nada possa, nunca mais, impedi-la de invadir tudo e tudo incendiar”.
“A única religião daqui por diante possível para o Homem é aquela que lhe ensinará, primeiro, a reconhecer, amar e servir apaixonadamente o Universo do qual ele faz parte”.
CHARDIN, Teilhard de. Teilhard de Chardin: vida e pensamentos. Organizador: José Luís Archanjo. São Paulo: Editora Martin Claret, 1997.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teilhard_de_Chardin
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
ALPHONSUS DE GUIMARAENS (2)
ISMÁLIA
(Alphonsus de Guimaraens)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alphonsus_de_Guimaraens


