
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
ALBERT SCHWEITZER
Albert Schweitzer
Em
Cultura e Ética.
“Não há dúvida de que todas as épocas vivem das energias que se originaram no seu pensamento ético.
E todavia não se pode negar que as idéias éticas surgidas até agora têm perdido depois de algum tempo, cuja duração varia, a sua força persuasiva.
Como se explica o fato de que a fundamentação da Ética sempre se tem realizado parcial e temporariamente, mas nunca de forma definitiva?
Por que se nos afigura a história do pensamento ético da Humanidade como a história de estagnações e reveses inexplicáveis?
Por que não há, nesse ponto, nenhum progresso orgânico, devido ao qual cada época continue o trabalho construtor iniciado pelas suas predecessoras?
Por que vivemos no campo da Ética como se fosse uma cidade em ruínas, onde cada geração se abrigasse precariamente num ou noutro recanto?”
“De modo algum, o respeito à vida permitirá ao indivíduo perder o interesse pelo mundo.
Obrigá-lo-a sem cessar a preocupar-se com toda vida que o rodear e a sentir-se responsável perante ela.
Onde quer que se tratar de vidas cujo desenvolvimento possa ser influenciado por nós, a nossa preocupação e a nossa responsabilidade relativas a elas não somente se dirigirão para a conservação e o fomento de sua existência em si, como também visarão valoriza-las o mais possível e sob todos os aspectos”.
SCHWEITZER, Albert. Cultura e Ética. Tradução de Herbert Caro. São Paulo: Melhoramentos, s/data.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Schweitzer
terça-feira, 7 de outubro de 2008
LA BRUYÈRE (10)
La Bruyère – Máximas
“Dos Julgamentos”
39
“Sem uma grande firmeza e uma redobrada atenção a todas as palavras, corre-se o risco de dizer, em menos de uma hora, o sim e o não a propósito do mesmo fato ou de uma mesma pessoa, determinado apenas pelo espírito de sociabilidade e de convivência, que leva naturalmente a não contradizer este ou aquele que fala diferentemente”.
47
“Os vícios derivam duma depravação da alma; os defeitos, dum vício do temperamento; o ridículo, dum defeito do espírito”.
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“A mesma palavra é, muitas vezes, na boca do homem inteligente, uma ingenuidade ou um dito de espírito e, na do tolo, uma tolice”.
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“Se o tolo tivesse receio de dizer tolices, sairia do seu natural”.
52
“Um dos indícios da mediocridade de inteligência é estar sempre falando”.
LA BRUYÈRE. Os Caracteres. Tradução de Alcântara Silveira. São Paulo: Ed. Cultrix, 1965.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
GONÇALVES DIAS
CANÇÃO DO EXÍLIO
(Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.
LISBOA, Henriqueta. Antologia Poética para a Infância e a Juventude. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1969.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alves_Dias
ANTÔNIO POTEIRO
Coleção ParticularSANTA CEIA
1981 – óleo sobre tela – 85 x 100 cm.
Autor: Antônio Poteiro
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Poteiro
sábado, 4 de outubro de 2008
LOPE DE VEGA
SONETO
(Lope de Vega)
Lucinda, a loira, quando um’ave abria
Certa vez a gaiola, a prisioneira,
Da gaiola escapando-se ligeira,
Deixou confusa a moça... E esta dizia:
“Ave, por que me foges e erradia
Voas? Todavia no bosque forasteira,
Laço, armadilha ou bala traiçoeira
De fazer caçador te aguarde um dia!
Por que ao risco e ao perigo dás a vida?
Por que...?” – Mas nisto, de queixosa, em pranto
Desfez-se toda a pálida senhora...
E a ave à gaiola volta comovida,
Comovida por vê-la chorar tanto,
Que tanto pode uma mulher que chora.
(Tradução de Raimundo Correia)
DE OLIVEIRA, Ary. (Seleção e Prefácio). Poesia – 1o. Volume. Rio de Janeiro/ São Paulo/ Porto alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1950.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/f%c3%A9lix_Lope_de_Vega
Sobre o tradutor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Raimundo_Correia
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
CHUANG TZU (11)
O INÚTIL
(Chuang Tzu)
Disse Hui Tzu a Chuang Tzu:
“Todo o seu ensinamento está baseado no que não tem utilidade”.
Replicou-lhe Chuang:
“Se você não aprecia o que não tem utilidade,
Não pode começar a falar sobre o que é útil.
Por exemplo, a terra é larga e vasta,
Mas de toda a sua extensão, o homem utiliza
Apenas algumas polegadas,
Sobre as quais se mantém de pé.
Suponhamos, agora, que você tire
Tudo o que ele realmente não usa
De modo que, ao redor de seus pés,
Um golfo se abra
E ele fica de pé no vazio,
Sem nada de sólido,
Com exceção do que se encontra bem debaixo de cada pé.
Por quanto tempo poderá utilizar o que está usando?”
Disse Hui Tzu: “Cessaria de servir a qualquer finalidade”.
Concluiu Chuang Tzu:
“Isto prova
A absoluta necessidade
Do que “não tem necessidade”.
CHUANG TZU, considerado o maior escritor taoista de cuja existência se tem notícia, escreveu sua obra no final do período clássico da filosofia chinesa, de 550 a 250 aC.
MERTON, Thomas. A Via de Chuang Tzu. Petrópolis: Editora Vozes, 1974.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
PAPUS
PAPUS
Em
Tratado de Ciências Ocultas
“Tudo é análogo, a lei que rege os mundos rege também a existência dos insetos.
Estudar a maneira como as células se agrupam para formar um órgão é estudar a maneira pela qual os reinos da natureza se agrupam para formar a Terra, este órgão do universo; é estudar a maneira como os indivíduos se agrupam para constituir a família, um órgão da humanidade.
Estudar a formação de um aparelho anatômico, composto de órgãos, é como aprender a formação do mundo pelos planetas, de uma nação por milhares de famílias.
Aprender, enfim, a constituição de um homem pelos aparelhos e sistemas, é conhecer a constituição do universo pelas galáxias e da humanidade pelas nações.
Tudo é análogo: conhecer o segredo da célula é conhecer o segredo de Deus.
O absoluto está contido em tudo”.
“Fato incontestável, no ciclo de civilizações a unidade do gênero humano no universo, a unidade do universo em Deus, a unidade de Deus em si mesmo, foram ensinadas como verdades absolutas, coroamento luminoso do conhecimento, e não como superstição primária ou crença obscurantista”.
PAPUS. Tratado de Ciências Ocultas (1). Tradução de Luis Carlos Lisboa. São Paulo: Editora Três, 1973.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Papus
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
JOHN STUART MILL
John Stuart Mill
Em
A Sujeição das Mulheres
“Tudo o que a educação e a civilização estão fazendo para abolir as influências sobre o caráter da lei do poder e substituí-las pelo caráter da justiça, permanece simplesmente superficial, uma vez que a fortaleza do inimigo não é atacada.
O princípio do movimento moderno na moral e na política é que a conduta, e somente a conduta, dá direito ao respeito; ou seja, não é o que os homens são, mas o que eles fazem que constitui sua reivindicação por respeito, e, que acima de tudo, o mérito, e não o nascimento é a única reivindicação legítima de poder e autoridade.
Se nenhuma autoridade, nem em seu estado temporário, fosse exercida por um ser humano sobre o outro, a sociedade não estaria ocupada em estabelecer tendências de um lado, tendo que reprimi-las de outro.
A criança realmente seria, pela primeira vez na existência do homem na terra, educada da maneira como ela deveria agir durante sua vida, e quando ela ficasse mais velha, haveria uma chance de não se afastar desta educação.
Mas, enquanto o direito do mais forte em exercer seu poder sobre os mais fracos dominar o coração da sociedade, a tentativa de tornar o direito de igualdade dos mais fracos no princípio de ações visíveis será sempre uma árdua batalha, pois a lei da justiça, que também é a lei do Cristianismo, nunca terá a posse dos sentimentos íntimos dos homens; eles estarão trabalhando contra esta lei, mesmo quando forem submetidos a ela”.
MILL, John Stuart. A Sujeição das Mulheres. Tradução de Débora Ginza. São Paulo: Escala, 2006.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/John_Stuart_Mill
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