quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
PANDIÁ CALÓGERAS
Pandiá Calógeras
Em
Problemas de governo.
“Os fundamentos da atividade política são por demais movediços; a representação das opiniões e a escolha dos expoentes por demais baseadas em ficções de duvidosa lógica; para que se possa realmente esperar em tal ambiente seleção elevada de valores.
Não é de hoje a nota de que as democracias são o triunfo das mediocridades, e quando muito permitem alcançar níveis de mediania.
Mais de dois mil anos de história registrada dão abundante manancial de provas”
“lntelectualidade, conhecimento dos homens e das coisas, espírito coordenador dos fenômenos; capacidade de realizar; coerência; sinceridade religiosa no sentir, pensar e agir; outros tantos predicados, indispensáveis e essenciais embora, que, em nosso firmamento governativo, possuem apenas o brilho das estrelas de grandeza inferior.
Os sóis de tal céu têm origens outras, e quase sempre irradiam luz de outra natureza”.
“É preciso que o Brasil se convença, e a isto estamos presenciando em escala ascendente, de que o governo é o pior, o mais caro e o mais incômodo dos protetores”.
CALÓGERAS, Pandiá. Problemas de governo. 2ª. Ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936. Disponível em: http://www.brasiliana.com.br/obras/problemas-de-governo/pagina/3/texto
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
LUIZ VIEIRA
Prelúdio para ninar gente grande
(Luiz Vieira)
Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar.
Quando estás nos braços meus
Sinto a vida descansar.
No calor do teu carinho
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar.
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar.
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http://luizvieira.com.br/
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
PIERRE BOURDIEU (2)
Pierre Bourdieu
Em
O Poder Simbólico.
“... num estado de campo em que se vê o poder por toda a parte, como em outros tempos não se queria reconhecê-lo nas situações em que ele entrava pelos olhos dentro, não é inútil lembrar que – sem nunca fazer dele, numa outra maneira de o dissolver, uma espécie de “círculo cujo centro está em toda a parte e em parte alguma” – é necessário saber descobri-lo onde ele se deixa ver menos, onde ele é mais completamente ignorado, portanto, reconhecido; o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem”.
“As ideologias, por oposição ao mito, produto coletivo e coletivamente apropriado, servem interesses particulares que tendem a apresentar como interesses universais, comuns ao conjunto do grupo”.
“A classe dominante é o lugar de uma luta pela hierarquia dos princípios de hierarquização; as frações dominantes, cujo poder assenta no capital econômico, têm em vista impor a legitimidade da sua dominação quer por meio da própria produção simbólica, quer por intermédio dos ideólogos conservadores os quais só verdadeiramente servem os interesses dos dominantes por acréscimo, ameaçando sempre desviar em seu proveito o poder de definição do mundo social que detêm por delegação; a fração dominada (letrados ou “intelectuais” e “artistas”, segundo a época) tende sempre a colocar o capital específico a que ela deve a sua posição, no topo da hierarquia dos princípios de hierarquização”.
“As ideologias devem a sua estrutura e as funções mais específicas às condições sociais da sua produção e da sua circulação, quer dizer, às funções que elas cumprem, em primeiro lugar, para os especialistas em concorrência pelo monopólio da competência considerada (religiosa, artística e por acréscimo, para os não-especialistas.
Ter presente que as ideologias são sempre duplamente determinadas, - que elas devem as suas características mais específicas não só aos interesses das classes ou das frações de classe, que elas exprimem (função de sociodiceia), mas também aos interesses específicos daqueles que as produzem e à lógica específica do campo de produção (comumente transfigurado em ideologia da “criação” e do “criador”) – é possuir o meio de evitar a redução brutal dos produtos ideológicas aos interesses das classes que eles servem (efeito de “curto-circuito” freqüente crítica “marxista”) sem cair na ilusão idealista a qual consiste em tratar as produções ideológicas como totalidades auto-suficientes e auto-geradas, passíveis de uma análise pura e puramente interna (semiologia)”.
BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1998. Disponível em: http://www.4shared.com/document/DO7io40_/BOURDIEU_Pierre_O_poder_simbli.html
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Bourdieu
sábado, 5 de fevereiro de 2011
VIOLANTE DO CÉU (2)
Soneto
(Violante do Céu)
Quien dice que la ausência es homicida
No sabe conocer rigor tan fuerte,
Que si la dura ausencia diera muerte,
No me matara a mi la propria vida.
Mas ay que de tu ojos dividida,
La vida me atormenta de tal suerte,
Que muriendo sentida de no verte,
Sin verte vivo, por morir sentida.
Pero si de la suerte la mudanza
Es fuerte, me assegure la evidencia,
Que tanto me dilata una tardanza:
No quede el sentimiento en contingencia
Que el milagro mayor de la esperanza
Es no rendir la vida a tal ausencia.
PÉCORA, Alcyr (Org.). Poesia seiscentista: Fênix renascida & Postilhão de Apolo. Introdução de João Adolfo Hansen. São Paulo: Hedra, 2002. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=jkP94AZMGKsC&printsec=frontcover&dq=Poesia&lr=&cd=27#v=onepage&q&f=false
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Ver também:
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/violante.htm
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
ANDRÉ MALRAUX (2)
André Malraux
Em
A Condição Humana.
“Abandono e silêncio.
Carregadas de todos os barulhos da maior cidade da China, ondas de surdo ruído se perdiam ali como, no fundo de um poço, os sons vindos das profundezas da terra; todos os da guerra, e os últimos sacões nervosos de uma multidão que não quer dormir.
Mas era lá longe que viviam os homens; aqui nada restava do mundo, senão uma noite à qual Tchen instintivamente se apegava como a uma amizade súbita; este mundo noturno, inquieto, não se opunha ao crime.
Mundo de onde os homens tinham desaparecido, mundo eterno; não voltaria jamais o dia por sobre aquelas telhas partidas, aquelas ruelas ao fundo das quais um lampião iluminava uma parede sem janelas, um poste de fios telegráficos?
Havia um mundo do assassino, em que ele permanecia como no calor.
Nenhuma vida, nenhuma presença, nenhum ruído próximo, nem sequer um pregão de vendedor, nem sequer cães abandonados”.
MALRAUX, André. A Condição Humana. Tradução de Jorge de Sena. Disponível em:
http://temqueler.files.wordpress.com/2009/12/andre-malraux-a-condicao-humana.doc
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Malraux
PABLO PICASSO

Coleção particular
Menino com cachimbo
1905 – óleo sobre tela – 100 x 81,3 cm.
Autor: Pablo Picasso
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Picasso
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
JAMES JOYCE
James Joyce
Em
Retrato do artista quando jovem.
“Voltou-se para Mercedes e, como se pusesse a examiná-la, uma estranha intranquilidade fluía em seu sangue.
Às vezes acometia-o uma febre que o levava a errar sozinho, à noite, ao longo da avenida silenciosa.
A paz dos jardins e as benevolentes luzes nas janelas derramavam terna influência dentro do seu coração sem sossego.
A algazarra das crianças nos folguedos irritavam-no e suas vozes bobas faziam-no sentir ainda mais agudamente do que sentira em Clongowes quando era diferente dos outros.
Não queria brincar.
O que queria era encontrar no mundo real a imagem sem substância que a sua alma tão constantemente baralhava.
Não sabia onde a descobriria, nem como; mas um pressentimento o advertia sempre que essa imagem, sem nenhum ato aparente seu, lhe viria ao encontro.
Haviam de se encontrar sem alvoroço, como se já se conhecessem um ao outro e tivessem marcado uma entrevista talvez num daqueles portões ou noutro lugar mais secreto.
Estariam sós, cercados pela treva e pelo silêncio; e nesse momento de suprema ternura ele seria transfigurado.
Dissolver-se-ia dentro de qualquer coisa impalpável, sob os olhos dela.
E depois então, num momento, se transfiguraria.
Prostração, timidez e inexperiência abandoná-lo-iam nesse mágico momento”.
JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem. Tradução de José Geraldo Vieira. Rio de Janeiro: Ediouro, s/data. Disponível em http://temqueler.files.wordpress.com/2009/12/james-joyce-retrato-do-artista-quando-jovem-pdfrev.pdf
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
CÂNDIDO DAS NEVES
Noite cheia de estrelas
(Cândido das Neves)
Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor
Só tu dormes não escutas
O teu cantor
Revelando à lua airosa
A história dolorosa desse amor
Lua...
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada
Quero matar os meus desejos
Sufocá-la com os meus beijos
Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim
Pois ao ver que quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu
Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar
Todo o astral ficou silente
Para escutar
O teu nome entre as endechas
E as dolorosas queixas
Ao luar
Lua...
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada
Quero matar os meus desejos
Sufocá-la com os meus beijos
Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim
Pois ao ver que quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
ERICH FROMM (3)
Erich Fromm
Em
A Arte de Amar.
“É o amor uma arte?
Se o é exige conhecimento e esforço.
Ou será o amor uma sensação agradável, que se experimenta por acaso, algo em que se “cai” quando se tem sorte?”
“Não é que se pense que o amor não é importante.
Todos sentem fome dele; assistem a infindável número de filmes sobre histórias de amor, felizes e infelizes, ouvem centenas de sovadas canções que falam de amor e, contudo, quase ninguém pensa haver alguma coisa a respeito do amor que necessite ser aprendida”.
“O que a maioria dos de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e possuir atração sexual”.
“Dificilmente haverá qualquer atividade, qualquer empreendimento que comece com tão tremendas esperanças e expectativas e que, contudo, fracasse com tanta regularidade, quanto o amor”.
“O homem é dotado de razão; é a vida consciente de si mesma; tem, consciência de si, de seus semelhantes, de seu passado e das possibilidades de seu futuro.
Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência de seu próprio e curto período de vida, do faro de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade, tudo isso faz de sua existência apartada e desunida uma prisão insuportável.
Ele ficaria louco se não pudesse libertar-se de tal prisão e alcançar os homens, unir-se de uma forma ou de outra com eles, com o mundo exterior”.
“A mais profunda necessidade do homem é a necessidade de superar a separação, de deixar a prisão em que está só.
A falência absoluta em alcançar esse alvo significa loucura, porque o pânico do isolamento completo só pode ser ultrapassado por um afastamento do mundo exterior de tal modo radical que o sentimento de separação desapareça – porque o mundo exterior, de que se está separada, também desapareceu”.
FROMM, Erich. A Arte de Amar. Tradução de Milton Amado. São Paulo: Martins Fontes, s/data. Disponível em: http://api.ning.com/files/DQdwpc6qS4*5U-t2OVGmp4P9O4fydtzb37hu8Cgzzp1zEft8lFwN3J8US*Jy5h5y6pLGSw2hukwOtEtupivtcb4Yoy9CnSqC/AArtedeAmarErichFromm.pdf
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Erich_Fromm
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