quarta-feira, 9 de março de 2011

ANTONIO GRAMSCI (2)



Antonio Gramsci
Em
Os Intelectuais e a Organização da Cultura.






“Deve-se anotar o fato de que o empresário representa uma elaboração social superior, já caracterizada por uma certa capacidade dirigente e técnica (isto é, intelectual); ele deve possuir uma certa capacidade técnica, não somente na esfera restrita de sua atividade e de sua iniciativa, mas ainda em outras esferas, pelo menos nas mais próximas da produção econômica (deve ser um organizador de massa de homens, deve ser um organizador da “confiança” dos que investem em sua fábrica, dos compradores de sua mercadoria, etc.).

Os empresários – se não todos, pelo menos uma elite deles – devem possuir a capacidade de organizar a sociedade em geral, em todo o seu complexo organismo de serviços, inclusive no organismo estatal, em vista da necessidade de criar as condições mais favoráveis à expansão da própria classe, ou, pelo menos, devem possuir a capacidade de escolher os “prepostos” (empregados especializados) a quem confiar esta atividade organizativa das relações gerais exteriores à fábrica”.




“As forças nacionais são inertes, passivas e receptivas, mas – talvez precisamente por isto assimilem completamente as influências estrangeiras e os próprios estrangeiros, russificando-os”.




“A pregação em língua vulgar reporta-se, na França, às próprias origens da língua.

O latim era a língua da Igreja, assim, as pregações eram feitas em latim aos clérigos, aos frades, mesmo às monjas.

Mas, para os laicos, as pregações eram feitas em francês”.




“O Japão tomou da China, juntamente com outras formas de cultura, também a filosofia, ainda que lhe tenha emprestado certas características próprias.

O japonês, ao contrário do chinês, não possui tendências metafísicas e especulativas (é “pragmatista” e empirista).

Os filósofos chineses traduzidos em japonês, contudo, adquirem uma maior agudeza, [isto significa que os japoneses tomaram do pensamento chinês o que era útil à sua cultura, mais ou menos como os romanos fizeram com os gregos]”.









GRAMSCI, Antonio. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 4ª. Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982. Disponível em:
http://www.scribd.com/doc/25911361/Livro-Os-Intelectuais-e-a-Organizacao-da-Cultura-Antonio-Gramsci


Sobre Gramsci clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci

terça-feira, 8 de março de 2011

CASIMIRO DE ABREU (2)



Minh’alma é triste
(Casimiro de Abreu)




Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o alvor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.

E, como a rola que perdeu o esposo,
Minh’alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minh’alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há, gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que o prazer consiste,
- Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei porque – mas a minh’alma é triste!





ABREU, Casimiro de. Obras Completas – Volume 1. Disponível em:
http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/port/download/Obras_de_Casimiro_de_Abreu_vol.01.pdf


Sobre Casimiro de Abreu clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Abreu

segunda-feira, 7 de março de 2011

EMERSON (2)



Ralph Waldo Emerson
Em
Caráter.




“Quando o grande não pode fazer vir até si o pequeno, entorpece-o, assim como o homem anula a resistência dos animais inferiores, encantando-os”.




“A razão por que sentimos a presença de um homem e não nos apercebemos de outro é tão simples como a lei da gravidade”.




“O indivíduo é um receptáculo.

O tempo e o espaço, a liberdade e as necessidades, a verdade e o pensamento já não são deixados a esmo.

Ora, o universo é um cercado ou circunscrição.

Tudo no homem reflete a própria alma.

Com a natureza de que é dotado, procura influenciar todos os seres que o rodeiam; não é inclinado a perder-se na vastidão, mas por maior que seja a curva descrita, volve a atenção para os próprios interesses, afinal.

Vivifica aquilo que pode e só vê o que vivifica”.




“O grande homem sabe que os eventos são seus servos: estes devem segui-lo”.









EMERSON, R. W. Caráter. Tradução de Sarmento de Beires e José Duarte. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc., 1950. Disponível em:
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/emerson.html

Sobre Emerson clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ralph_Waldo_Emerson

SUÉCIA 1939

sábado, 5 de março de 2011

TORQUATO NETO (5)



Pra Dizer Adeus
(Torquato Neto / Edu Lobo)





Adeus
Vou prá não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho

Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah! pena eu não saber
Como te contar
Que esse amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus






Sobre Torquato Neto clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Torquato_Neto

Sobre Edu Lobo clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edu_Lobo

sexta-feira, 4 de março de 2011

DAVID HARVEY (2)



David Harvey
Em
Condição pós-moderna.






“As práticas estéticas e culturais têm particular suscetibilidade à experiência cambiante do espaço e do tempo exatamente por envolverem a construção de representações e artefatos espaciais a partir do fluxo da experiência humana.

Elas sempre servem de intermediário entre o Ser e o Vir-a-Ser”.




“É possível escrever a geografia histórica da experiência do espaço e do tempo na vida social, assim como compreender as transformações por que ambos têm passado, tendo por referência condições sociais e materiais”.




“As dimensões do espaço e do tempo têm sido sujeitas à persistente pressão da circulação e da acumulação do capital, culminando (em especial durante as crises periódicas de superacumulação que passaram a surgir a partir da metade do século passado) em surtos desconcertantes e destruidores de compressão do tempo-espaço”.




“A confiança de uma época pode ser avaliada pela largura do fosso entre o raciocínio científico e a razão moral.

Em períodos de confusão e incerteza, a virada para a estética (de qualquer espécie) fica mais pronunciada.

Como fases de compressão do tempo-espaço são disruptivas, podemos esperar que a virada para a estética e para forças da cultura, tanto explicações quanto como loci de luta ativa, seja particularmente aguda nesses momentos”.






HARVEY, David. Condição pós-moderna. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Mara Stela Gonçalves. 16 ed. São Paulo: Loyola, 2007. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=8bcTGHbGP_MC&pg=PA4&lpg=PP1&dq=related:ISBN8574304042#v=onepage&q&f=false

Sobre David Harvey clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Harvey

quinta-feira, 3 de março de 2011

RAMÓN DE CAMPOAMOR



Bem-humoradas
(Ramón de Campoamor)
[Tradução: Fábio Aristimunho Vargas]




A menina é a mulher que respeitamos,
e a mulher a menina que enganamos.

Morreria por ele, mas importa
que passou tempo e tempo, e não jaz morta.

Já não leio ou escrevo mais história
em que não veja a infância com a memória.

Esses pais são tão tenros
que o em menos desengano

anseia um nobre russo para genro
ou ao menos um príncipe italiano.

É usual num travesseiro ver duas mentes
que maduram dois planos diferentes.

Quiseste sequestrá-la, e, já casado,
es tu, mais do que ela, o seqüestrado.

Dá ao diabo o homem a existência inteira
e dedica a Deus a hora derradeira.

Se ao inferno ao morrer vai meu marido,
só volta ao país onde foi nascido.

É tão menina e já tem calculadas
a força e a extensão de suas olhadas.






VARGAS, Fábio Aristimunho (Org.). Poesia Espanhola – Das Origens a Guerra Civil. São Paulo: Hedra, 2009. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=0WOllqcU8QsC&pg=PA4&dq=Cole%C3%A7%C3%B5es+liter%C3%A1rias&lr=&as_brr=1&cd=13#v=onepage&q&f=false

Sobre Ramón de Campoamor clique
http://es.wikipedia.org/wiki/Ram%C3%B3n_de_Campoamor

HOWARD HODGKIN


Coleção privada.

After Corot
1979-82 – óleo sobre madeira – 36,8 x 38,1 cm.
Autor: Howard Hodgkin

Sobre Howard Hodgkin clique
http://en.wikipedia.org/wiki/Howard_Hodgkin

quarta-feira, 2 de março de 2011

KARL POPPER (3)



Karl Popper
Em
A Lógica da pesquisa científica.





“As teorias são redes, lançadas para capturar aquilo que denominamos “o mundo”: para racionalizá-lo, explicá-lo, dominá-lo.

Nossos esforços são no sentido de tornar as malhas da rede cada vez mais estreitas”.




“As teorias científicas estão em perpétua mutação.

Não se deve isso ao mero acaso, mas isso seria de esperar, tendo em conta nossa caracterização da Ciência empírica.

Talvez seja essa a razão pela qual, geralmente, apenas ramos da Ciência – e estes apenas de caráter temporário – chegam a adquirir a forma de um sistema de teorias elaborado e logicamente bem construído”.




“Toda prova de uma teoria, resulte em sua corroboração ou em seu falseamento, há de deter-se em algum enunciado básico que decidimos aceitar.

Se não chegarmos a qualquer decisão e não aceitarmos este ou aquele enunciado básico, a prova terá conduzido a nada.

Contudo, considerada de um ponto de vista lógico, a situação nunca é tal que nos obrigue a interromper a feitura de provas quando chegados a este enunciado básico particular e não àquele; nem é tal que nos obrigue a abandonar completamente a prova.

Com efeito, qualquer enunciado básico pode, por sua vez, ser novamente submetido a provas, usando-se como pedra de toque os enunciados básicos suscetíveis de serem dele deduzidos, com auxílio de alguma teoria – seja a teoria em causa, seja uma outra.

Esse processo não tem fim.

Dessa maneira, se a prova há de levar-nos a alguma conclusão, nada resta a fazer senão interromper o processo num ponto ou noutro e dizer que, por ora, estamos satisfeitos”.






POPPER, Karl. A Lógica da pesquisa científica. Tradução de Leônidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. São Paulo: Cultrix, 1974. Disponível em: http://www.4shared.com/get/LW-N5XkE/Popper_Karl_-_A_Logica_Da_Pesq.html


Sobre Karl Popper clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper

terça-feira, 1 de março de 2011

ALFREDO MARCENEIRO / SILVA TAVARES



A Casa da Mariquinhas
(Alfredo Marceneiro / Silva Tavares)



É numa rua bizarra
A casa da Mariquinhas
Tem na sala uma guitarra
E janelas com tabuinhas

Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
Que a vida de raparigas
É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado à guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra


Para se tornar notada
Usa coisas esquesitas
Muitas rendas, muitas fitas
Lenços de cor variada.
Pretendida, desejada
Altiva como as rainhas
Ri das muitas, coitadinhas
Que a censuram rudemente
Por verem cheia de gente
A casa da Mariquinhas


É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
E no fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No vão de cada janela
Sobre coluna, uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra


P'ra guardar o parco espólio
Um cofre forte comprou
E como o gaz acabou
Ilumina-se a petróleo.
Limpa as mobílias com óleo
De amêndoa doce e mesquinhas
Passam defronte as vizinhas
P'ra ver o que lá se passa
Mas ela tem por pirraça
Janelas com tabuinhas






Sobre Alfredo Marceneiro clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfredo_Marceneiro

Sobre Silva Tavares clique
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/136986.html