quinta-feira, 9 de junho de 2011

CATARINA RODRIGUES

Catarina Rodrigues
Em
Blogs e a fragmentação do espaço público.







“O jornalismo caracteriza-se pelo papel mediador que exerce entre os acontecimentos e o público a quem se dirige.
O que pode ou não ser publicado passa por todo um processo de seleção.
O papel dos tradicionais mediadores de conteúdos – os jornalistas – parece ser colocado em causa quando qualquer cidadão pode publicar e tornar público o que bem entender”.




“A possibilidade de introduzir elementos hipertextuais (estruturados em fragmentos), internos ou externos a um determinado site, é uma das grandes vantagens do mundo online.
Ao falar de um assunto, o responsável pelo site dispõe da possibilidade de o relacionar a outros temas ou até ao próprio arquivo, aumentando assim a informação transmitida sobre um determinado tema”.




“A elevada interatividade e a facilidade com que qualquer pessoa coloca conteúdos na net está a redefinir os papéis dos tradicionais mediadores na produção de conteúdos”.




“Os blogs permitem criar uma verdadeira esfera de visibilidade pública.
Porém, essa situação parece só se concretizar quando alguns já conseguiram uma espécie de feedback nos media tradicionais, mesmo quando alguns já conseguiram uma autonomia, visibilidade e até credibilidade próprias”.




“A vantagem na utilização de blogs no ensino é um dado adquirido.
Trata-se de aproveitar todas as potencialidades que a Internet pode oferecer, porque esta nova ferramenta é fácil de por em prática e facilita a transmissão de informação entre professores e alunos.
Para além disso trata-se de um espaço aberto a todos os interessados e à comunidade em geral”.






RODRIGUES, Catarina. Blogs e a fragmentação do espaço público. Universidade da Beira Interior: Labcom 2006. Disponível em: http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/rodrigues-catarina-blogs-fragmentacao-espaco-publico.pdf

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http://blogciber2.wordpress.com/2010/12/09/catarina-rodrigues-redes-sociais-alteram-jornalismo/

quarta-feira, 8 de junho de 2011

WALTER BENJAMIM (4)

Walter Benjamin
Em
Destino e Caráter.






“O Direito eleva as leis do destino, a desgraça e a culpa, à categoria de medidas da pessoa humana.

Seria falso supor que no contexto do Direito encontramos apenas a culpa; pelo contrário, podemos mostrar como toda a culpabilização jurídica mais não é do que uma desgraça.

Foi devido à sua confusão com o reino da justiça, de forma equívoca, portanto, que a ordem do Direito – que é apenas um resíduo da fase demoníaca da existência da humanidade e na qual os códigos determinaram não apenas as regras das suas relações, mas também a sua ligação aos deuses – conseguiu manter-separa além da época que inaugurou a vitória sobre os demônios.

Não foi no campo do Direito, mas na tragédia que pela primeira vez a cabeça do gênio emergiu das névoas da culpa, porque é na tragédia que se rompe o destino demoníaco”.




“O destino é o contexto de culpa em que se inserem os vivos, e que corresponde à sua condição natural, aquela aparência ainda não completamente apagada de que o ser humano está tão afastado que nunca conseguiria mergulhar nela, limitando-se a permanecer invisível sob o seu domínio e apenas na sua melhor parte.

Não é, por tanto, afinal o ser humano que tem um destino: o sujeito do destino é indeterminável”.





BENJAMIN, Walter. Destino e caráter (1921). Tradutor: João Barrento. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2011. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/benjamim_walter_destino_e_caracter.pdf

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

VLADIMIR TRETCHIKOFF




Alicia Markova “The Dying Swan”
1949 –óleo sobre tela – 92 x 72 cm.
Autor: Vladimir Tretchikoff

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http://en.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Tretchikoff

terça-feira, 7 de junho de 2011

TIÃO CARREIRO / CARREIRINHO

PAGODE
(Tião Carreiro / Carreirinho)





Morena bonita do dente aberto
Vai no pagode, o barulho é certo
Não me namore tão descoberto
Que eu sou casado mas não sou certo

Modelos de agora é muito esquisito
Com essas mocinhas mostrando os gambitos
Com as canelas lisas que nem palmito
As moças de hoje eu não facilito

Eu mais minha muié fizemo combinação
Eu vou no pagode, ela não vai, não
Sábado passado eu fui, ela ficou
Sábado que vem ela fica, eu vou

Eu mandei fazer um laço do couro do boi carreiro
pra laçar moça bonita que tem os olhos morteiros
joguei o laço na moça, o laço caiu no chão
deixei o laço pra lá, peguei a moça na mão

Eu tratei meu casamento, vou casar por esses dias
vai ser uma italiana gorda sem saber se ela queria
se a gorda não me quiser, eu caso com a magra mesmo
italiana gorda é só fantasia

Canto modas dos amigos pro meu gasto eu também faço
Na viola eu tenho o desembaraço
É coisa que eu acho feio violeiro querer abater
Não fazer moda mandam eu fazer







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http://pt.wikipedia.org/wiki/Ti%C3%A3o_Carreiro

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

GEORG SIMMEL (3)

Georg Simmel
Em
O Dinheiro na Cultura Moderna.






“Foi o dinheiro que nos ensinou como reunir sem nada perder de específico e próprio da personalidade – uma forma de união que é, hoje em dia, perfeitamente comum para nós, mas que representa uma das mudanças e um dos progressos mais importantes da cultura”.




“Na medida em que o dinheiro possibilita a divisão do trabalho, ele encadeia os homens de maneira irresistível, pois agora cada um trabalha pelo outro.
Somente o trabalho de todos gera a união econômica abrangente que completa os desempenhos unilaterais do indivíduo”.




“O lado qualitativo dos objetos perde a sua importância psicológica por causa da economia monetária.
O cálculo necessariamente contínuo do valor em dinheiro faz com que este apareça, finalmente, como o único valor vigente”.




“O dinheiro é “vulgar” porque é o equivalente para tudo e para todos, somente o individual é nobre; o que corresponde a muitas coisas corresponde ao mais baixo entre elas e reduz, por isso, também o mais alto para o nível do mais baixo”.




“Do mesmo modo que a maioria dos homens modernos precisa ter diante dos olhos, na maior parte da vida, o ganho de dinheiro como motivação mais próxima, forma-se a idéia de que toda felicidade e toda satisfação definitiva na vida são ligadas, intrinsecamente, à posse de uma certa forma de dinheiro”.







SIMMEL, Georg. “O Dinheiro na Cultura Moderna” (tradução de Jessé Souza & Berthold Öelze), em SOUZA, Jessé & ÖELZE, Berthold (org). Simmel e a Modernidade. Brasília: UnB.
Disponível em:
http://www.4shared.com/get/K7CjDNl3/O_Dinheiro_na_Cultura_Moderna_.html



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http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Simmel

sábado, 4 de junho de 2011

MANOEL BONFIM

Manoel Bonfim
Em
O Brasil.






“Sentimento que brota da terra através dos corações que dela vivem, o patriotismo é fórmula de solidariedade vivaz, explícita, vigorosa, concreta, porque procede na nitidez e no vigor dos motivos egoístas, para efeitos nitidamente sociais.

Elimina o que não pode englobar, mas traduz-se forçosamente em unificação, e funde disparates, como aproxima longínquos, contanto que as mesmas repetidas necessidades tenham repetido a ação de sua defesa comum”.




“Na paisagem de patriotismo — a terra impregnada do Homem — hábitos, idéias, estímulos, lembranças conduzem-se para um motivo pessoal e superior, que é o vínculo vivo entre gentes definitivamente localizadas, confiantes no chão em que se amparam”.




“Assim como dentro de cada sociedade nacional, existem, por necessidades indeclináveis, os grupos — classes, corporações, círculos, institutos... — também, na humanidade, se particularizam as tradições histórico-políticas, e o viver social se faz, imediatamente, como o viver de agremiações históricas — as nações”.




“Viemos de Portugal vazados numa abundante infusão de sangues, temperados de outras tradições, que, por simples, não eram menos vivazes; viemos dali, mas formamos nova tradição, distinta, diversa, cada vez mais diversa, ramo que se destaca, e mais se afasta quanto mais braceja e se estende para a vida. Independentemente dos motivos políticos, tiranizados, espoliados, diminuídos pela metrópole apodrecida, os brasileiros tinham que acentuar e caracterizar o seu nacionalismo em oposição com o português, porque esta é a lei das diferenciações históricas”





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BONFIM, Manoel. O Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935. Disponível em: http://www.brasiliana.com.br/obras/o-brasil

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GATO FÉLIX (1928)



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sexta-feira, 3 de junho de 2011

ERNEST RENAN

Ernest Renan
Em
Oração na Acrópole.





“Arrancarei do meu coração toda a fibra que não for razão e arte pura.
Deixarei de gostar das minhas doenças, de me comprazer na minha febre.
Conserva=me nos meus firmes propósitos, ó salutar!
Ajuda-me, tu que salvas!

Quantas dificuldades, de fato prevejo!
Quantos hábitos de espírito terei que mudar!
Quantas gratas recordações arrancarei do meu coração!
Sim, tentarei; mas não estou seguro de mim.
Tarde te conheci, beleza perfeita.
Terei retrocessos, fraquezas.
Uma filosofia, decerto depravada, levou-me a acreditar que o bem e o mal, o prazer e a dor, o belo e o feio, a razão e a loucura se transformam umas nas outras através de cambiantes tão indecifráveis como os do pescoço da pomba.
Nada amar, nada odiarem absoluto, converte-se então em sabedoria.
Se uma sociedade, se uma filosofia, se uma religião tivesse possuído a verdade absoluta, esta sociedade, esta filosofia, esta religião teria vencido todas as outras e seria a única a viver no momento atual.
Enganaram-se todos os que até hoje julgaram ter razão, como agora vemos com clareza.
Poderemos nós, sem louca presunção, acreditar que o futuro não nos há de julgar como nós julgamos o passado?”






RENAN, Ernest. Oração na Acrópole. Tradutor: João Gama. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2011. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/renan_ernst_oracao_na_acropole.pdf


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quinta-feira, 2 de junho de 2011

ERIC WOLF

Eric Wolf
Em
Cultura, ideologia, poder e o futuro da antropologia.





“Uma das coisas que acontecem é que quando trabalho em um caso, certas questões aparecem, e estas devem ser levantadas para os outros materiais.
Eu sempre reviso meu trabalho vezes e vezes seguidas.
Agora estou trabalhando em uma conclusão.
O problema das conclusões é que, de uma certa forma, elas são muito banais.
Isto é, em cada um desses três casos, o problema básico colocado é como você arranja as coisas, ou organiza as pessoas de maneira a maximizar as oportunidades de vida”.




“Já sobre os nazistas, há muitas maneiras de se falar sobre eles, mas trata-se aqui da organização da sociedade para a guerra.
Não necessariamente para fazer a guerra contra outros povos, mas para organizar as pessoas de tal maneira que as atividades sejam realizadas ordenadamente, de uma forma quase militar.
Os participantes treinam seus corpos e mentes para fazerem parte desse processo.
À medida que isso se expande, cria-se esse corpo comunitário puro que deve continuamente extirpar os diferentes, pessoas que não se ajustam”.




“A ideologia delineia a possibilidade imaginária.
Em um determinado nível, imaginar não é loucura...
Na verdade, eu venho tentando contornar esse problema.
Essas são todas criações da imaginação humana.
Alguém pensou e um número de pessoas cooperou na produção desses corpos de idéias.
Mas elas são realmente o que Castoriadis chama l’imaginaire.
Assim, a ideologia tem essa qualidade de l’imaginaire, relacionada com o poder”.




“A ideologia seleciona do plano mais geral da cultura aquilo que lhe é mais adequado, o que pode atuar como marcas, símbolos ou emblemas de relações que se quer destacar”.




“Existe sempre a idéia que sob os diversos elementos da cultura – comida, habitação, vestuário, sistemas de crenças – há alguma forma de espírito interior.
E, claro, esse espírito interior necessita trabalhar através de uma elite que o expresse.
Isto não seria para os camponeses...
Então, existe uma agenda política embutida em tudo isso e que foi desconhecida nos primórdios da antropologia”.




“Mas existe algo na experiência de crescer em uma cultura que cria diferenças, cria hábitos que não são os mesmos do outro lado da fronteira.
E esses pontos de ancoragem se tornam importantes.
A idéia que os nazistas tinham de transformar alguém em um soldado permanente, só poderia vingar em um lugar onde ser um soldado significava prestígio e recompensas, onde as pessoas tinham essas experiências e os velhos conversavam sobre como era ser um soldado vitorioso contra os desajeitados franceses etc.
Dessa forma, o conceito de cultura esconde uma quantidade tremenda de relações interessantes”.






WOLF, Eric R. Cultura, ideologia, poder e o futuro da antropologia. Entrevista realizada por Lins Ribeiro. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/mana/v4n1/2430.pdf


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quarta-feira, 1 de junho de 2011

PAULO LEMINSKI

Paulo Leminski
Em
Caprichos & Relaxo
s.



quando eu tiver setenta anos então
vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência






LEMINSKI, Paulo. Caprichos & Relaxos. 3ª. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. Disponível em:

http://blogdocafil.files.wordpress.com/2009/04/paulo-leminski-caprichos-e-relaxos-pdfrev.pdf



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