sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SALVE 2011


Caros leitores:

Mais um ano registrando “uns papos”... e continuo querendo mais!

Outra vez, preciso agradecer a todos os que me ajudam nesse projeto:

- Ao excelente trabalho das equipes do Blogger e do Google;

- Ao pessoal do Sitemeter, por me mostrar, a qualquer tempo, a existência dos leitores discretos (sempre sem comentários); os leitores diários; os que dedicaram longos minutos de seu tempo; enfim, me proporcionando alguns dos grandes prazeres de quem quer comunicar;

- E, muito especialmente, a vocês pela companhia, pela forma carinhosa e paciente que receberam este projeto em seus mundos virtuais, e pelos comentários e sugestões.

Espero continuar por aqui...
Feliz Ano Novo e Divirtam-se!

ATENÇÃO:

AS POSTAGENS DE JANEIRO DE 2011 IRÃO COMPOR UMA ATUALIZAÇÃO DO ÍNDICE ALFABÉTICO, POR AUTOR, DAS NOSSAS POSTAGENS DE TEXTO.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

NIETZSCHE (22)



Nietzsche
Em
Da Utilidade e dos inconvenientes da história para a vida.





“O homem que procura compreender, calcular, apreender, no momento em que deveria fixar na sua memória, como um longo sobressalto, o acontecimento incompreensível que o sublime constitui, pode ser considerado inteligente, no sentido em que Schiller fala da inteligência do homem inteligente; há coisas que uma criança vê e que ele não vê.

Não será capaz de ver o pormenor único, exatamente o mais importante, não o compreenderá, porque a sua inteligência é mais pueril do que a de uma criança e mais vã que a de um simples de espírito, apesar das numerosas rugas da sua face manhosa e encanecida e das suas mãos hábeis para desfazer as redes mais complicadas.

Resulta isto de que, tendo perdido e destruído o seu instinto, ele não ousa soltar o freio do “animal divino” quando a sua inteligência vacila e o seu caminho passa por desertos.

O indivíduo torna-se então timorato e hesitante e perde a confiança em si; dobra-se sobre si próprio, sobre a sua “interioridade”, isto é, neste caso, sobre um amontoado de coisas apreendidas que não têm qualquer ação sobre o exterior e sobre um saber que não se transforma em vida.

Visto de fora, apercebemo-nos de que a extirpação dos instintos pela história transforma os homens em outras tantas sombras e abstrações.

Ninguém mais ousa ser ele próprio, todos trazem máscaras, disfarçam-se de homens cultos, de poetas, de políticos.

Quando se ataca uma máscara destas, crendo que ela se leva a sério e não se trata de um simples fantoche – todas dão mostras de grande seriedade – fica-se nas mãos com trapos e ouropéis de cores variegadas”.








NIETZSCHE, F. Considerações Intempestivas. Tradução de Lemos de Azevedo. Lisboa: Presença, 1976.

RABISCOS NO BLOCO


Postado originalmente no REFLEXÕES: Fevereiro 2009

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

TERRY EAGLETON



Terry Eagleton
Em
A idéia de cultura.





“Se cultura significa cultivo, um cuidar, que é ativo, daquilo que cresce naturalmente, o termo sugere uma dialética entre o artificial e o natural, entre o que fazemos ao mundo e o que o mundo nos faz.

É uma noção ‘realista’, no sentido epistemológico, já que implica a existência de uma natureza ou matéria-prima além de nós; mas também uma dimensão “construtivista”, já que essa matéria-prima precisa ser elaborada numa forma humanamente significativa.

Assim, trata-se menos de uma questão de desconstruir a oposição entre cultura e natureza do que reconhecer que o termo “cultura” já é uma tal desconstrução”.





“Os que consideram a pluralidade como um valor em si mesmo são formalistas puros e, obviamente, não perceberam a espantosamente imaginativa variedade de formas que, por exemplo, pode assumir o racismo”.





“Ser civilizado ou culto é ser abençoado com sentimentos refinados, paixões temperadas, maneiras agradáveis e uma mentalidade aberta.

É portar-se razoável e moderadamente, com uma sensibilidade inata para os interesses dos outros, exercitar a autodisciplina e estar preparado para sacrificar os próprios interesses egoístas pelo bem do todo.

Por mais esplêndidas que algumas dessas prescrições possam ser, certamente não são politicamente inocentes.

Ao contrário, o indivíduo culto parece-se suspeitosamente com um liberal de tendências conservadoras”.





“A palavra “cultura”, que se supõe designar um tipo de sociedade, é de fato uma forma normativa de se imaginar essa sociedade.

Ela também pode ser uma forma de alguém imaginar suas próprias condições sociais usando como modelo as de outras pessoas, quer no passado, na selva, ou no futuro político”.









EAGLETON, Terry. A idéia de cultura. Tradução de Sandra Castello Branco. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Terry_Eagleton

ASSIS VALENTE



Boas Festas
(Assis Valente)



Anoiteceu
O sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem







Sobre Assis Valente clique
http://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_Valente

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

CHARLES PÉGUY (2)



Charles Péguy
Em
Da razão.







“Antes de analisar, por seu turno, estes estudos, antes de neles se ser introduzido pelo autor, é indispensável dar-se conta de que o autor apela tão-só para a razão.

Isso é indispensável num tempo em que a razão tem, como quase nunca, tantos inimigos, que são perigosos, em que mais do que nunca tem falsos amigos, que são ainda mais perigosos.

Há que chamar inimigos da razão aos dementes que exercem a sua demência contra a razão.

E há de chamar falsos amigos da razão aos dementes que querem que a razão proceda pelas vias da irrazão”.





“A razão não procede da autoridade governamental.

É, pois, trair a razão querer garantir o triunfo da razão por meios governamentais.

É subtrair-se à razão querer estabelecer um governo da razão.

Não pode haver nem ministério, nem prefeitura, nem subprefeitura da razão, nem consulado, nem pro - consulado da razão.

A razão não pode, a razão não deve mandar em nome de um governo”.





“A razão não exige, a razão não quer, a razão não aceita que a defendam ou que a apóiem oi que atuem em seu nome pelos meios da autoridade governamental.

Em nenhum sentido a razão é a razão de Estado.

Toda a razão de Estado é uma usurpação desleal da autoridade sobre a razão, uma contrafação, uma fraude”.





“Em particular, a razão não procede da autoridade militar.
Ignora totalmente a obediência passiva.

É trair a razão querer garantir a vitória da razão pela disciplina que constitui a força principal dos exércitos.

É fazer desarrazoar a razão ensiná-la pelos meios militares.

A razão não exige, não aceita a obediência”.








PÉGUY, Charles. Da Razão. Tradutor: Artur Morão. Cavilha: Universidade da Beira Interior, 2009. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/peguy_charles_da_razao.pdf

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http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_P%C3%A9guy

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL


FELIZ NATAL!

De 23 a 26 de dezembro: pausa para esperar Papai Noel e brincar com os brinquedos novos.

Se beber não dirija!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

HANNA ARENDT (2)



Hanna Arendt
Em
A crise da cultura.





“Talvez a principal diferença entre a sociedade e a sociedade de massas esteja em que a sociedade sentia necessidade de cultura, valorizava e desvalorizava objetos culturais ao transformá-los em mercadorias e usava e abusava deles em proveito de seus fins mesquinhos, porém não os “consumia”.

Mesmo em suas formas mais gastas, esses objetos permaneciam sendo objetos e retinham um certo caráter objetivo; desintegravam-se até se parecerem a um montão de pedregulhos, mas não desapareciam.

A sociedade de massas, ao contrário, não precisa de cultura, mas de diversão, e os produtos oferecidos pela indústria de diversões são com efeito consumidos pela sociedade exatamente como quaisquer outros bens de consumo.

Os produtos necessários à diversão servem ao processo vital da sociedade, ainda que possam não ser tão necessários para sua vida como o pão e a carne.

Servem, como reza a frase, para passar o tempo, e o tempo vago que é “matado” não é tempo de lazer, estritamente falando – isto é, um tempo em que estejamos libertos de todos os cuidados e atividades requeridos pelo processo vital e livres portanto para o mundo e sua cultura – ele é antes um tempo de sobra, que sobrou depois que o trabalho e a sono receberam seu quinhão”.







ARENDT, Hanna. Entre o Passado e o Futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa de Almeida. São Paulo: Perspectiva, 1997.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Hannah_Arendt

ANOS 1920

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

KOSTAS AXELOS



Kostas Axelos
Em
A Questão do fim da arte e a poeticidade do mundo.






“Quando o mundo foi interpretado a partir do homem, o sujeito que punha e fundava, este sujeito apoderava-se de tudo, tudo se tornando objeto da sua representação e do seu fazer.

A physis divina grega faleceu, morta pelo Deus judaico-cristão.

Este mesmo Deus falece, isto é, retira-se e é morto pelo homem que quer ocupar o lugar deixado vago e erguer-se como senhor.

O próprio homem, enquanto sujeito triunfante, centro e sentido de tudo o que é, começa a morrer, encontra-se descentrado, não tem fundamento: a subjetividade em vão se socializa, flutua em pleno vazio.

Uma quarta instância toma o poder, começando a concluir universalmente a modernidade européia e instituindo a era planetária: o dispositivo da técnica multiforme e onipresente invade tudo e o todo, querendo preencher o nada e o vazio”.





“A poeticidade que nos interpela e requer, nos faz e nos desfaz, que anima o que fazemos e desfazemos, ou antes, o que se faz e se desfaz através de nós, pode ser provada, dita, pensada e experimentada – sem se petrificar.

Talvez ela não reclame tanto “obras, criadas para a eternidade”, fabricações inconsistentes que se esgotam ao que o efêmero tem de mais superficial, mas antes uma disponibilidade a respeito do que nos arrebata e a que correspondemos transfigurando-o – sem que tenha uma figura inicial.

A arte não se tornou o objeto da estética, que faz do “belo” um valor em si e um setor específico da ação cultural, senão a partir do momento em que ela deixou de ser arte – quanto à sua destinação suprema.

A arte não dá nascimento a puras “formas”, antes põe plasticamente em obra fulgurações do mundo, plenas de “conteúdo”.

Nela se encontram unidos – indissoluvelmente? – os sentidos e o sensível e as significações e o sentido”.







AXELOS, Kostas. A Questão do fim da arte e a poeticidade do mundo. Tradutor: Fernando Trindade. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2010. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/axelos_costa_a_questao_do_fim_da_arte_e_a_poeticidade_do_mundo.pdf

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sábado, 18 de dezembro de 2010

MENOTTI DEL PICCHIA (3)



Noite
(Menotti Del Picchia)




As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono em ensaio de morte.

No cemitério da treva
Tudo morre provisoriamente.







Fonte: Jornal de Poesia. Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/mpicchia.html

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SIGMUND FREUD (5)



Sigmund Freud
Em
Escritos sobre a guerra e a morte.






“O Estado combatente permite a si toda a injustiça e toda a violência que desonraria o indivíduo.

Não só utiliza contra o inimigo a astúcia permissível (ruses de guerre), mas também a mentira consciente e o engano intencional, e isto, claro está, numa medida que parece superar o usual em guerras anteriores.

O Estado exige dos seus cidadãos o máximo de obediência e de abnegação, mas incapacita-os mediante um excesso de dissimulação e uma censura da comunicação e da expressão das opiniões, que deixa sem defesa o ânimo dos assim intelectualmente oprimidos frente a toda a situação desfavorável e a todo o boato desastroso.

Desliga-se das garantias e dos convênios que o vinculavam aos outros Estados, confessa abertamente a sua avareza e a sua ânsia de poder que, em seguida, o indivíduo deve sancionar por patriotismo”.





“A educação e o ambiente não se limitam a oferecer prêmios de amor, mas lidam também com prêmios de outra natureza, com a recompensa e o castigo.

Podem, pois, fazer que o indivíduo submetido à sua influência se resolva a agir bem, no sentido cultural, sem que nele tenha realizado um enobrecimento das pulsões, uma mutação das tendências egoístas em tendências sociais.

O resultado será, no conjunto, o mesmo; só em circunstâncias especiais se tornará patente que um age sempre bem, porque a tal o forçam as suas inclinações pulsionais, mas o outro só é bom porque tal conduta cultural traz vantagens aos seus intentos egoístas, e só enquanto e na medida em que as procura.

Nós, porém, com o nosso conhecimento superficial do indivíduo, não temos meio algum de distinguir os dois casos, e o nosso otimismo induzir-nos-á decerto a exagerar desmesuradamente o número dos homens transformados pela cultura”.





“Desde que aprendemos a interpretar, inclusive, os sonhos mais absurdos e confusos, sabemos que, ao adormecer, nos despojamos da nossa moralidade, tão trabalhosamente adquirida, como de um vestido – e só de manhã de novo nela nos envolvemos.

Este desnudamento é, naturalmente, inócuo, já que o estado hípnico nos paralisa e nos condena à inatividade.

Só o sonho nos pode dar notícia da regressão da nossa vida afetiva a um dos mais antigos estágios evolutivos”.





“A morte própria é inimaginável, e todas as vezes que tentamos [fazer dela uma idéia] podemos observar que, em rigor, permanecemos sempre como espectadores.

Assim, foi possível arriscar na escola psicanalítica esta asserção: no fundo, ninguém acredita na sua própria morte ou, o que é a mesma coisa, no inconsciente, cada qual está convencido da sua imortalidade”.











FREUD, S. Escritos sobre a Guerra e a Morte. Tradutor: Artur Morão. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2009. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/freud_sigmund_da_guerra_e_da_morte.pdf

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud

JEN-PIERRE SERRIER



Coleção particular.


La Playo aux ‘Arlequins
1984 – Óleo sobre tela – 47,6 x 55,2 cm.
Autor: Jean-Pierre Serrier

Sobre Jean-Pierre Serrier clique
http://www.trocadero.com/oneofakind/items/427362/item427362.html

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SCHOPENHAUER (9)



Arthur Schopenhauer
Em
A arte de escrever.








“Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância à instrução e à verdade.

Entretanto, nesse caso, as aparências também enganam.

Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la.

E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes”.





“Assim como as atividades de ler e aprender, quando em excesso, são prejudiciais ao pensamento próprio, as de escrever e ensinar em demasia também desacostumam os homens da clareza e profundidade do saber e da compreensão, uma vez que não lhes sobra tempo para obtê-los”.





“Espíritos de primeira categoria nunca se tornarão especialistas eruditos.

Para eles, como tais, a totalidade da existência é que se impõe como problema, e é sobre ela que cada um deles comunicará à humanidade novas soluções, de uma forma ou de outra.

Pois só pode merecer o nome de gênio alguém que assuma como o tema de suas realizações a totalidade, aquilo que é grandioso, as coisas essenciais e gerais, e não alguém que dedica os esforços de sua vida a esclarecer qualquer relação específica de objetos entre si”.







SCHOPENHAUER, A. A arte de escrever. Organização, tradução, prefácio e notas de Pedro Süssekind. Porto Alegre: L&PM, 2009.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Schopenhauer

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

LUDWIG FEUERBACH (2)



Ludwig Feuerbach
Em
Princípios da Filosofia do Futuro.







“O panteísmo é o ateísmo teológico, o materialismo teológico, a negação da teologia, mas apenas do ponto de vista da teologia; pois faz da matéria, da negação de Deus, um predicado ou atributo do der divino.

Mas quem faz da matéria um atributo de Deus declara que a matéria é um ser divino.

A realização de Deus tem em geral como pressuposto a divindade, isto é, a verdade e a essencialidade do real.

Mas a divinização do real e do que existe materialmente – o materialismo, o empirismo, o realismo, o humanismo – a negação da teologia é a essência dos tempos modernos.

Por isso, o panteísmo nada mais é do que a essência dos tempos modernos elevada à essência divina, a um princípio filosófico-religioso”.





“O pensar põe o ser diante de si, mas dentro de si mesmo e, por conseguinte, suprime imediatamente, sem dificuldade, a oposição do mesmo a seu respeito; com efeito, o ser enquanto contrário do pensar dentro do pensar nada mais é do que o próprio pensamento”.





“A prova de que algo existe mais nenhum sentido tem a não ser o de que algo não é só pensado.

Mas esta prova não se pode tirar do próprio pensar”.





“O real na sua realidade efetiva, ou enquanto real, é o real enquanto objeto dos sentidos, é o sensível.

Verdade, realidade e sensibilidade são idênticas.

Só um ser sensível é um ser verdadeiro e efetivo.

Apenas através dos sentidos é que um objeto é dado numa verdadeira acepção – e não mediante o pensar por si mesmo.

O objeto dado ou idêntico com o pensar é apenas pensamento”.









FEUERBACH, Ludwig. Princípios da Filosofia do Futuro. Tradutor: Artur Morão. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2008. Disponível em: http://www.lusosofia.net/textos/feuerbach_ludwig_principios_filosofia_futuro.pdf


Sobre Ludwig Feuerbach clique no linque abaixo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Feuerbach

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

FRANK DOMINGUEZ



Tu me acostumbraste
(Frank Dominguez)




Tú me acostumbraste
A todas esas cosas
Y tú me enseñaste
Que son maravillosas

Sutil llegaste a mí
Como la tentación
Llenando de inquietud
Mi corazón

Yo no concebía
Como se queria
En tu mundo raro
Y por ti aprendí

Por eso me pregunto
Al ver que me olvidaste
Por que no me enseñaste
Cómo se vive... Sin ti?





Sobre Frank Dominguez clique
http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_Dom%C3%ADnguez

RABISCOS NO BLOCO


Postado originalmente no REFLEXÕES: Janeiro 2009

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BRONISLAW MALINOWSKI (2)



Bronislaw Malinowski
Em
Magia, ciência e religião.






“Não existem povos, por mais primitivos que sejam, sem religião nem magia.

Assim como não existem, diga-se de passagem, quaisquer raças selvagens que não possuam atitude científica ou ciência, embora esta falha lhes seja frequentemente imputada.

Em todas as sociedades primitivas, estudadas por observadores competentes e de confiança, foram detectados dois domínios perfeitamente distintos, o Sagrado e o Profano; por outras palavras, o domínio da Magia e da Religião e o da Ciência”.





“Na guerra, os nativos sabem que a força, a coragem e a agilidade desempenham um papel decisivo.

No entanto, também neste campo praticam a magia, a fim de dominarem os elementos do acaso e da sorte”.





“Quando passamos para a nutrição, a primeira coisa que salta à vista é que, para o homem primitivo, a alimentação constitui um ato rodeado de etiqueta, de prescrições e proibições especiais e de uma tensão emocional geral, de uma forma que nos é desconhecida.

Para além da magia dos alimentos, destinada a fazê-los render ou a evitar a sua escassez em geral – e não estamos a nos referir aqui a todas as inúmeras formas de magia associadas à obtenção dos alimentos – é também notável o seu papel em cerimônias de caráter nitidamente religioso,

Ofertas de primeiros frutos, de natureza demarcadamente ritual, cerimônias de colheitas, grandes festas sazonais em que se acumulam, exibem e, de uma forma ou de outra, sagram as colheitas, tudo isso tem um papel preponderante para a comunidade agrícola.

De igual modo, os caçadores ou os pescadores comemoram uma boa caçada ou pescaria, ou a abertura da época através de festas e cerimônias em que a comida é entregue segundo um ritual e os animais sacrificados ou adorados.

Todos esses atos exprimem a alegria da comunidade, o seu sentido do enorme valor do alimento, e através deles a religião consagra a atitude reverente do homem em relação ao seu sustento diário”.





“Mesmo entre os povos mais primitivos, a atitude para com a morte é infinitamente mais complexa e, poderia acrescentar, mais semelhante à nossa, do que normalmente se supõe.

Com freqüência os antropólogos referem que a sensação dominante dos vivos é de horror ao cadáver e de receio do fantasma”.







MALINOWSKI, Bronislaw. Magia, Ciência e Religião. Introdução Robert Redfield. Sem indicação de tradutor. Disponível em: http://www.4shared.com/get/-yBfBmLf/Bronislaw_Malinowski_-_Magia_C.html;jsessionid=E5D88096952972FB8F7965E8EB805B7B.dc214

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CAMÕES (9)



Cantiga

a este moto seu:
Pois me faz dano olhar-vos
não quero, por não perder-vos
que ninguém me veja ver-vos.

(Luiz Vaz de Camões)


VOLTAS


De ver-vos a não vos ver
há dois extremos mortais;
e são eles em si tais
que um por um me faz morrer;
mas antes quero escolher
que possa viver sem ver-vos
minh’alma por não perder-vos.

Deste tamanho perigo
que remédio posso ter,
se vivo só com vos ver,
se vos não vejo, perigo?
Quero acabar comigo
que ninguém me veja ver-vos,
Senhora, por não perder-vos.






CAMÕES, Luís Vaz de. Obra Completa. Organização, introdução, comentários e anotações do Prof. Antônio Salgado Júnior. Rio de Janeiro: Companhia Aguilar Editora, 1963.

GEORG SIMMEL

Georg Simmel
Em
Da psicologia da moda.



“O fundamento fisiológico do nosso ser, que aponta para a mudança de repouso e movimento e de receptividade e atividade, contém, com isso, também o modelo do nosso desenvolvimento espiritual.

Quando o nosso conhecimento é levado tanto pela procura da máxima abstração e generalidade quanto pela necessidade de descrever o mais específico e particular; quando em nossa vida sentimental nos satisfazemos na pacífica dedicação a outros seres humanos e coisas ou em enérgica atividade contra eles; quando o nosso ser ético encontra fronteiras de suas oscilações tanto no amálgama do nosso grupo quanto na distinção individual em relação ao mesmo – tudo isso se refere a conformações provinciais das grandes forças contraditórias, cujas lutas e compromissos fazem o nosso destino”.





“As formas sociais, a vestimenta, os julgamentos estéticos, o estilo por inteiro, por meio do qual o homem se expressa, são percebidos na sua modificação progressiva por meio da moda, e esta, ou seja, a nova moda, diz respeito, em todas as suas manifestações, apenas aos estamentos superiores.

Estes se apartam, desse modo, dos estamentos inferiores, ressaltando a igualdade dos seus componentes e, simultaneamente, a distinção em relação aos que se situam abaixo.

Tão logo estes últimos começam a apropriar-se da moda – precisamente porque – eles olham e se orientam sempre para cima e conseguem realizar essa aspiração antes de tudo na moda –, reagem os estamentos superiores com o abandono da mesma e a pronta inclinação para uma nova moda, por meio da qual a distinção em relação à massa se realiza novamente”.





“A essência da moda reside no fato de que sempre apenas uma parte do grupo a pratica; a totalidade, no entanto, fica a meio caminho dela.

Ela nunca é, mas é sempre um vir a ser.

Tão logo ela seja dominante, ou seja, tão logo aquilo que apenas alguns poucos praticavam passe a ser praticado por todos sem exceção, como elementos do vestuário ou das formas de contato social, não se pode mais falar em moda”.






SIMMEL, Georg. “Da psicologia da moda: um estudo sociológico”. In. SOUZA, Jesse e ÖELZE, Berthold. Simmel e a modernidade. Brasília: UnB, 1998. Disponível em: http://www.4shared.com/get/HGPMjljY/Da_Psicologia_da_Moda_-_um_est.html;jsessionid=F59243AD607CAB4CE986CA3197F657ED.dc214

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ARTE CONTEMPORÂNEA CHINESA

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

EDENAL RODRIGUES



Só o Ôme
(Edenal Rodrigues)





Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Suncê compra um garrafa de marafo
Marafo que eu vai dizê o nome
Meia noite suncê na incruziada
Distampa a garrafa e chama o ôme
O galo vai cantá suncê escuta
Rêia tudo no chão que tá na hora
E se guarda noturno vem chegando
Suncê óia pa ele que ele vai andando

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Eu estou ensinando isso a suncê
Mas suncê num tem sido muito bão
Tem sido mau fio mau marido
Inda puxa saco di patrão
Fez candonga di cumpanheiro seu
Ele botou feitiço em suncê
Agora só o ôme à meia noite
É que seu caso pode resolvê

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ANSELMO DE CANTUÁRIA (2)



Anselmo de Cantuária
Em
Monológio.






“Se houvesse alguém que, pelo fato de nunca ter ouvido falar nisso ou por não acreditar, ignorasse existir uma natureza superior a tudo o que existe – a única suficiente por si mesma, em sua felicidade –, e que concede, por sua bondade, à criatura ser aquilo que é, permitindo-lhe, inclusive, ser boa sob algum aspecto; se esse alguém ignorasse isso e muitas outras coisas, nas quais nós cremos com certeza acerca de Deus e das suas criaturas, penso que tal pessoa, embora de inteligência medíocre, possa chegar a convencer-se, ao menos em grande parte, dessas coisas, usando apenas a razão”.





“O uso contínuo ensina-nos que é possível falar uma coisa de três maneiras: ou dizendo a coisa por signos sensíveis, vale dizer, percebidos pelos sentidos corpóreos, portanto, pela sensibilidade; ou representando esses signos, que são sensíveis externamente, de uma maneira não sensível, mediante o pensamento; ou não usando destes signos, nem sensivelmente nem de maneira não sensível, mas dizendo as coisas dentro de nossa mente com a imaginação, reproduzindo as formas corpóreas, ou com a atividade racional, conforme a diversidade das próprias coisas.

Com efeito, eu posso pensar um homem de uma maneira quando digo a palavra homem para significá-lo; ou diferente, quando considero tacitamente esse nome na minha mente; e diferente, quando esse mesmo nome é intuído pela mente através de uma imagem corpórea ou mediante uma imagem mental.

Mediante uma imagem corpórea, quando a mente representa a si mesma a figura sensível dele; mediante uma imagem mental, isto é, quando pensa a essência universal dele, que é a de ser animal, racional, mortal”.







Santo Anselmo de Cantuária. “Monológio”. Tradução e notas de Ângelo Ricci. In. CIVITA, Victor (Editor). Santo Anselmo de Cantuária, Pedro Abelardo. 1ª. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores).

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CHARLES SANDERS PEIRCE (3)



Charles Sanders Peirce
Em
Como tornar as nossas idéias claras.







“Não falhar nunca no reconhecimento de uma idéia, e não a confundir em qualquer circunstância com outra, não importa sob que forma mais recôndita, implicaria com efeito uma força e uma clareza tão prodigiosas do intelecto como se encontram raramente neste mundo”.





“Relativamente a um indivíduo, não pode haver dúvida que umas poucas idéias claras são mais valiosas que muitas confusas.

Um jovem dificilmente se convencerá a sacrificar a maior parte dos seus pensamentos para salvar o resto; e a cabeça confusa é menos apta a reconhecer a necessidade de tal sacrifício”.





“É terrível ver como uma idéia confusa, uma simples fórmula sem significado, escondida na cabeça de um jovem, atuará por vezes como um material inerte obstruindo uma artéria, impedindo a nutrição do cérebro, e condenando a sua vítima a definhar-se na abundância do seu vigor intelectual e no meio da plenitude intelectual”.





“Independentemente do modo como a dúvida é suscitada, ela estimula a mente a uma atividade que pode ser fraca ou enérgica, calma ou turbulenta.

Imagens passam rapidamente pela consciência, diluindo-se incessantemente umas nas outras, até a última, quando tudo acabar – pode ser na fração de um segundo, numa hora, ou após muitos anos – decidimo-nos como deveremos agir em tais circunstâncias como as que causaram a nossa hesitação.

Por outras palavras, chegamos à crença”.





“O pensamento é a linha de uma melodia através da sucessão das nossas sensações”.





“O pensamento em ação tem como única motivo chegar ao descanso do pensamento; e tudo que não se reportar à crença não faz parte do próprio pensamento”.










PEIRCE, Charles S. Como tornar as nossas idéias claras. Tradução de Antônio Fidalgo. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/fidalgo-peirce-how-to-make.pdf

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RAINER FETTING


Coleção particular.

Gangster
2009 – óleo sobre tela – 200 x 160 cm.
Autor: Rainer Fetting

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

LUPICÍNIO RODRIGUES



Esses moços, pobres moços.
(Lupicínio Rodrigues)



Esses moços, pobres moços,
Oh! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que eu já passei

Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam que a um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz

Eu também tive, nos meus belos dias
Essa mania, que muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia
E estas rugas que o amor me deixou







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sábado, 4 de dezembro de 2010

ORTEGA Y GASSET (2)



José Ortega y Gasset
Em
A Rebelião das Massas.








“Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas de hemiplegia moral”.





“A política despoja o homem de solidão e intimidade, e por isso é a predicação do politicismo integral uma das técnicas que se usam para socializá-lo”.





“A política apressa-se a apagar as luzes para que todos estes gatos sejam pardos”.





“É, com efeito, muito difícil salvar uma civilização quando lhe chegou a hora de cair sob o poder dos demagogos”.





“A multidão, de repente, tornou-se visível, e instalou-se nos lugares preferentes da sociedade.

Antes, se existia, passava inadvertida, ocupava o fundo do cenário social; agora adiantou-se até as gambiarras, ela é o personagem principal.

Já não há protagonistas: só há coro”.





“Quando a massa atua por si mesma, faz só de uma maneira, porque não tem outra: lincha”.








ORTEGA Y GASSET, Jose. A Rebelião das Massas. Tradução de Herrera filho. Disponível em:
http://www.culturabrasil.pro.br/zip/rebeliaodasmassas.rtf

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ALBERT CAMUS (5)



Albert Camus
Em
A queda.








“Poder ser senhor de seu próprio estado de espírito é privilégio dos grandes animais”.





“Quando se pensou muito sobre o homem, por trabalho ou vocação, às vezes sente-se nostalgia dos primatas.

Estes não têm outros pensamentos”.





“Quando não se tem caráter é preciso mesmo valer-se de um método”.





“O crime está incessantemente em cena, mas o criminoso só figura fugazmente, para logo ser substituído”.





“Há pessoas cujo problema é resguardar-se dos homens ou, pelo menos, acomodar-se a eles”.





“Conheci um homem que deu vinte anos de sua vida a uma desmiolada, por quem tudo sacrificou, as amizades, o trabalho, a própria decência de sua vida, para uma noite reconhecer que nunca a havia amado”.








CAMUS, Albert. A queda. Tradução de Valerie Rumjaner. 5ª. Ed. Rio de Janeiro: Record, s/data. Disponível em: http://www.4shared.com/get/2XO7sUfK/A_queda_Albert_Camus.html;jsessionid=6F580D7361258B2949002BACFA56FDB2.dc214

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RABISCOS NO BLOCO


Postado originalmente no REFLEXÕES: Dezembro 2007

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

THORSTEIN VEBLEN (2)



Thorstein Veblen
Em
A Teoria da Classe Ociosa.







“A classe ociosa, como um todo, compreende as classes nobres e as classes sacerdotais e grande parte de seus agregados.

As ocupações são diferentes dentro da classe ociosa, mas todas elas têm uma característica comum – não são ocupações industriais.

Estas ocupações não-industriais das classes altas são em linhas gerais de quatro espécies – ocupações governamentais, guerreiras, religiosas e esportivas”.





“A instituição de uma classe ociosa é o resultado de uma discriminação, bem cedo estabelecida entre diversas funções, segundo a qual algumas são dignas e outras indignas.

Estabelecida a discriminação, as funções dignas são aquelas em que intervém um elemento de proeza ou façanha; as funções indignas são as diárias e rotineiras em que nenhum elemento espetacular existe”.





“A propriedade surgiu e se tornou uma instituição humana sem relação com o mínimo de subsistência.

O incentivo dominante desde o início foi a distinção odiosa ligada a riqueza; exceto temporária e excepcionalmente, nenhum outro motivo se lhe sobrepôs em qualquer estágio posterior de desenvolvimento”.





“Nas comunidades em que a propriedade dos bens é particular, tem o indivíduo, para a sua própria paz de espírito, de possuir tanto quanto os outros de sua classe, e é extremamente agradável possuir alguma coisa mais do que os outros”.





“Sentem todas as pessoas de gosto refinado que uma certa contaminação espiritual é inseparável das tarefas convencionalmente exigidas dos servos.

Condenam-se sem hesitação os ambientes vulgares, as casas ruins, como tal entendidas as casas baratas, e as ocupações produtivas corriqueiras, porque são incompatíveis com uma vida satisfatória num plano espiritual, com uma vida “mental elevada”.





“A vida ociosa, por si mesma e nas conseqüências, é linda e nobre aos olhos de todos os homens civilizados”.







VEBLEN, Thorstein Bunde. “A Teoria da Classe Ociosa”. Tradução de Olívia Krähenbühl. In. CIVITA, Victor (editor). Veblen. 2ª. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1985. (Os Pensadores). Disponível em: https://sites.google.com/site/thorsteinveblenmurillocruzdsc/port/tco


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H. L. MENCKEN (2)



H. L. Mencken
Em
O Livro dos Insultos.





“Todas as verdades duradouras que se impuseram ao mundo no decorrer da História foram mais combatidas do que a varíola, e todo indivíduo que as recebeu bem e lutou por elas foi, absolutamente sem exceção, denunciado e punido como um inimigo da espécie”.





“As mulheres adoram tratar um homem como um filho porque conseguem enxergar sua incapacidade de defesa, sua necessidade de um ambiente acolhedor e sua tocante tendência a se iludir”.





“Uma das funções primárias de qualquer governo é o de organizar os homens pela força, torná-los mais parecidos entre si e dependentes uns dos outros tanto quanto possível, além de detectar e combater qualquer vestígio de originalidade entre eles”.





“Uma das divisões esquecidas entre os homens é a que separa aqueles que gostam do trabalho que têm de fazer e aqueles que se sujeitam a ele apenas como um mal necessário”.





“As multidões, bem trabalhadas por um esperto demagogo, acreditam em qualquer coisa e são capazes de tudo”.





“Para um homem habituado a buscar e dizer a verdade, o mundo não é um dos lugares mais agradáveis.

Este homem será sempre impopular e, com freqüência, sua impopularidade pode ser tão excessiva que até lhe constitua um risco de vida”.







MENCKEN, H. L. O Livro dos Insultos. Seleção, tradução e prefácio de Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Disponível em: http://www.4shared.com/file/63143312/7f47a5d0/H_L_MENCKEN_-_O_Livro_dos_Insultos.html


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terça-feira, 30 de novembro de 2010

LEON ELIACHAR (3)

Leon Eliachar
Em
O homem ao quadrado.


“Mulher: amontoado de palavras numa embalagem de carne e osso”.





“O bom psiquiatra não tem complexos: cobra uma fortuna sem o menor constrangimento”.





“Há dois tipos de mulheres: a nossa e a dos outros”.





“O homem inventou o suicídio, mas a mulher se dá muito bem com a tentativa”.





“Quando a mulher começa a chorar, não há dinheiro que chegue para fazê-la parar”.





“Broto que não é problema para ninguém é problema para si mesma”.





“Sua mulher é desconfiada?

SIM – Isso é bom sinal. É melhor ser desconfiada do que ter certeza.

NÃO – Então é bom você desconfiar”.





“Tombu é isso ti a genti leva tuando faiz o ti a mamãi disse pia gente num fazê”.



ELIACHAR, Leon. O homem ao quadrado. São Paulo: Circulo do livro, 1975. Disponível em: http://www.4shared.com/get/s15djqkc/O_Homem_ao_Quadrado_-_Leon_Eli.html

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BANDO DE TANGARÁS





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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MAURICE MERLEAU-PONTY (4)



Maurice Merleau-Ponty
Em
Fenomenologia da Percepção.







“O real deve ser descrito, não construído ou constituído.

Isso quer dizer que não posso assimilar a percepção às sínteses que são da ordem do juízo, dos atos ou da predicação.

A cada momento, meu campo perceptivo é preenchido de reflexos, de estalidos, de impressões táteis fugazes que não posso ligar de maneira precisa ao contexto percebido e que, todavia situo imediatamente no mundo, sem confundi-los nunca com minhas divagações.

A cada instante também eu fantasio acerca das coisas, imagino objetos ou pessoas cuja presença aqui não é incompatível com o contexto, e todavia eles não se misturam ao mundo, eles estão adiante do mundo, no teatro do imaginário.

Se a realidade de minha percepção só estivesse fundada na coerência intrínseca das “representações”, ela deveria ser
sempre hesitante e, abandonado às minhas conjecturas prováveis, eu deveria a cada momento desfazer sínteses ilusórias e reintegrar ao real fenômenos aberrantes que primeiramente eu teria excluído dele”.





“A percepção não é uma ciência do mundo, não é nem mesmo um ato, uma tomada de posição deliberada, ela é o fundo sobre o qual todos os atos se destacam e ela é pressuposta por eles”.





“Quer se trate de uma coisa percebida, de um acontecimento histórico ou de uma doutrina, “compreender” é reapoderar-se da intenção total – não apenas aquilo que são para a representação as “propriedades” da coisa percebida, a poeira dos “fatos históricos”, as “idéias” introduzidas pela doutrina - , mas a maneira única de existir que se exprime nas propriedades da pedra, do vidro ou do pedaço de cerca, em todos os fatos de uma revolução, em todos os pensamentos de um filósofo”.





”A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo, e nesse sentido uma história narrada pode significar o mundo com tanta “profundidade” quanto um tratado de filosofia.

Nós tomamos em nossas mãos o nosso destino, tornamo-nos responsáveis, pela reflexão, por nossa história, mas também graças a uma decisão em que empenhamos nossa vida, e nos dois casos trata-se de um ato violento que se verifica exercendo-se”.





“A reflexão deve iluminar o irrefletido ao qual ela sucede e mostrar sua possibilidade para poder compreender-se a si mesma enquanto começo.

Dizer que sou eu ainda que me penso como situado em um corpo e como provido de cinco sentidos evidentemente é apenas uma solução verbal, já que eu que reflito não posso reconhecer-me nesse Eu encarnado, já que, portanto a encarnação permanece por princípio uma ilusão e já que a possibilidade dessa ilusão continua incompreensível”.







MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. 2ª. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/f.htm

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sábado, 27 de novembro de 2010

MICHEL DE CERTEAU (2)



Michel de Certeau
Em
A escrita da história.





“Se, por um lado, a história tem como função exprimir a posição de uma geração com respeito às precedentes, dizendo: “Eu não sou isto”, acrescenta sempre, a esta afirmativa, um complemento não menos perigoso, que faz uma sociedade confessar: “Eu sou outra coisa além daquilo que quero, e sou determinada por aquilo que denego”.

A história atesta uma autonomia e uma dependência cujas proporções variam segundo os meios sociais e as situações políticas que presidem à sua elaboração.

Sob a forma de um trabalho imanente ao desenvolvimento humano, assume o lugar dos mitos através dos quais uma sociedade representava as relações ambíguas com as suas origens, e, através de uma história violenta dos Começos, suas relações com ela mesma”.





“Como o veículo saído de uma fabrica, o estudo histórico está muito mais ligado ao complexo de uma fabricação específica e coletiva do que ao estatuto de efeito de uma filosofia pessoal ou à ressurgência de uma “realidade” passada.

É o produto de um lugar”.





“Não existe relato histórico no qual não esteja explicitada a relação com um corpo social e com uma instituição de saber”.





“Assim, pode-se dizer que ela (a escrita histórica) faz mortos para que os vivos existam.

Mais exatamente, ela recebe os mortos, feitos por uma mudança social, a fim de que seja marcado o espaço aberto por esse passado e para que, no entanto, permaneça possível articular o que surge com o que desaparece.

Nomear os ausentes da casa e introduzi-los na linguagem escrituraria é liberar o apartamento para os vivos, através de um ato de comunicação, que combina a ausência dos vivos na linguagem com a ausência dos mortos na casa.

Desta maneira, uma sociedade se dá um presente graças a uma escrita histórica”.







CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Revisão técnica de Arno Vogel. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1982. Disponível em: http://www.4shared.com/get/lk1qcgNF/Michel_de_Certeau_-_A_Escrita_.html;jsessionid=3334EC648DC7D870D67CCAB5E06DCDB5.dc214

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TOM JOBIM / VINICIUS DE MORAES (3)



Chega de saudade
(Tom Jobim / Vinícius de Moraes)




Vai minha tristeza,
e diz a ela que sem ela não pode ser.
Diz-lhe, numa prece
que ela regresse, porque eu não posso mais sofrer.

Chega, de saudade,
a realidade, é que sem ela não há paz,
não há beleza.
É só tristeza e a melancolia
que não sai de mim, não sai de mim, não sai.

Mas se ela voltar, se ela voltar
que coisa linda, que coisa louca.
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
do que os beijinhos que eu darei
na sua boca.

Dentro dos meus braços
os abraços hão de ser milhões de abraços
apertado assim, colado assim, calado assim.
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim,
que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você viver longe de mim.

BRUNO SCHMELTZ



L’Atelier
1998-99 – óleo sobre tela – 260 x 430 cm.
Autor: Bruno Schmeltz

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PAUL LAFARGUE



Paul Lafargue
Em
O Direito à preguiça.






“Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista.
Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade.
Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora.
Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho.
Homens cegos e limitados quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara.
Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus, recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista”.





“Uma vez acocorada na preguiça absoluta e desmoralizada pelo prazer forçado, a burguesia, apesar das dificuldades que teve nisso, adaptou-se ao seu novo estilo de vida.
Encarou com horror qualquer alteração.
A visão das miseráveis condições de existência aceites com resignação pela classe operária e a da degradação orgânica gerada pela paixão depravada pelo trabalho aumentava ainda mais a sua repulsa por qualquer imposição de trabalho e por qualquer restrição de prazeres”.





“Num regime de preguiça, para matar o tempo que nos mata segundo a segundo, haverá sempre espetáculos e representações teatrais; é um trabalho adotado especialmente para os nossos burgueses legisladores.
Organizá-los-emos em bandos que percorrem as feiras e as aldeias, dando representações legislativas”.





“Se, desenraizando do seu coração o vício que a domina e avilta a sua natureza, a classe operária se erguesse com a sua força terrível, não para reclamar os Direitos do Homem, que não são senão os direitos da exploração capitalista, não para reclamar o Direito ao Trabalho, que não é senão o direito à miséria, mas para forjar uma lei de bronze que proíba todos os homens de trabalhar mais de três horas por dia, a Terra, a velha Terra, tremendo de alegria, sentiria saltar nela um novo universo.
Mas como pedir a um proletariado corrompido pela moral capitalista uma revolução viril?”







LAFARGUE, Paul. O Direito à Preguiça. Disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/direitopreguica.html

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

NELSON RODRIGUES



Nelson Rodrigues
Em
A vida como ela é.




A SEMPRE FIEL

Vira-se para uma pequena:
– Quer saber de uma coisa?
E ela:
– Quero.
Estavam tomando refrigerante, com um canudinho, num bar da Quinta da Boa Vista, ao ar livre.
E, então, meio sério, meio brincando, ele baixa a voz:
– Não acredito que você goste de mim.
Admirou-se:
– Sério?
– Palavra de honra!
– Por quê?
Puxa um cigarro:
– Porque não acredito em mulher nenhuma, compreendeu?
Olha: eu tive, até agora, digamos, umas dez namoradas.
Dez ou doze ou treze.
Muito bem.
Todas, absolutamente todas, sem exceção, me passaram pra trás.
Às vezes eu penso que minha sina, minha vocação é ser traído.
Impressionada, Odaléia mexeu com o canudinho no fundo do copo vazio.
Ergue o rosto:
– Posso falar?
– Claro!
Por cima da mesa, ela apanha a mão do namorado:
– Não há no mundo um amor que se compare ao meu.
Você é meu primeiro amor e será o último!






RODRIGUES, Nelson. A vida como ela é: O homem fiel e outros contos. Seleção Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

GILLES DELEUZE (2)



Gilles Deleuze
Em
Diferença e repetição.





“O erro “estóico” é esperar a repetição da lei da natureza.

O sábio deve converter-se em virtuoso; o sonho de encontrar uma lei que torne possível a repetição passa para o lado da lei moral.

Sempre uma tarefa a ser recomeçada, uma fidelidade a ser retomada numa vida cotidiana que se confunde com a reafirmação do Dever”.





“O movimento do nadador não se assemelha ao movimento da onda; e, precisamente, os movimentos do professor de natação, movimentos que reproduzimos na areia, nada são em relação aos movimentos da onda, movimentos que só aprendemos a prever quando os aprendemos praticamente como signos.

Eis por que é tão difícil dizer como alguém aprende: há uma familiaridade prática, inata ou adquirida, com os signos, que faz de toda educação alguma coisa amorosa, mas também mortal.

Nada aprendemos com aquele que nos diz: faça como eu.

Nossos únicos mestres são aqueles que nos dizem “faça comigo” e que, em vez de nos propor gestos a serem reproduzidos, sabem emitir signos a serem desenvolvidos no heterogêneo”.





“A negação é a diferença, mas a diferença vista do menor lado, vista de baixo.

Ao contrário, endireitada, vista de cima para baixo, a diferença é a afirmação”.





“É contraindo que somos hábitos, mas é pela contemplação que contraímos.

Somos contemplações, somos imaginações, somos generalidades, somos pretensões, somos satisfações.

Com efeito, o fenômeno da pretensão é somente ainda a contemplação contraente, pela qual afirmamos nossa própria satisfação enquanto contemplamos.

Não nos contemplamos, mas só existimos contemplando, isto é, contraindo aquilo de que procedemos”.





“Todo mundo” bem sabe que, de fato, os homens pensam raramente e o fazem mais sob um choque do que no elã de um gosto”.





“Fazem-nos acreditar que os problemas são dados já feitos e que eles desaparecem nas respostas ou na solução; sob este duplo aspecto, eles seriam apenas quimeras.

Fazem-nos acreditar que a atividade de pensar, assim como o verdadeiro e o falso em relação a esta atividade, só começa com a procura de soluções, só concerne às soluções”.







DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1988. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/d/DELEUZE,-Gilles-Diferença-e-Repetição.txt

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RABISCOS NO BLOCO


Postado originalmente no REFLEXÕES: Novembro 2007

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

MANUEL BANDEIRA (17)



Céu
(Manuel Bandeira)



A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.

Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.






BANDEIRA, Manuel Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

STUART HALL



Stuart Hall
Em
A identidade cultural na pós-modernidade.







“O sujeito do Iluminismo estava baseado numa concepção da pessoa humana como um individuo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação, cujo “centro” consistia num núcleo interior, que emergia pela primeira vez quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo – contínuo ou “idêntico” a ele – ao longo da existência do indivíduo”.





“A noção de sujeito sociológico refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo interior do sujeito não era autônomo a auto-suficiente, mas era formado na relação com “outras pessoas importantes para ele”, que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e símbolos – a cultura – dos mundos que ele/ela habitava”.





“A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia.

Ao invés disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente”.





“As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre “a nação”, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades”.




“Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas – desalojadas - de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem “flutuar livremente”.

Somos confrontados por uma gama de diferentes identidades (cada qual nos fazendo apelos, ou melhor, fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais parece possível fazer uma escolha”.





“Tanto o liberalismo quanto o marxismo, em suas diferentes formas, davam a entender que o apego ao local e ao particular dariam gradualmente vez a valores e identidades mais universalistas e cosmopolitas ou internacionais; que o nacionalismo e a etnia eram formas arcaicas de apego – a espécie de coisa que seria “dissolvida” pela força revolucionária da modernidade.

De acordo com essas “metanarrativas” da modernidade, os apegos irracionais ao local e ao particular, à tradição e às raízes, aos mitos nacionais e às “comunidades imaginadas”, seriam gradualmente substituídos por identidades mais racionais e universalistas.

Entretanto, a globalização não parece estar produzindo nem o triunfo do “global” nem a persistência, em sua velha forma nacionalista, do “local”.









HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guaciara Lopes Louro. 4ª. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/i.htm

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

BAUDELAIRE (7)

As Massas
(Charles Baudelaire)



“Não é dado a qualquer um tomar banho de multidão.
Gozar a massa é uma arte, e somente pode fazer, às custas do gênero humano, uma pândega de vitalidade, aquele a quem uma fada tenha insuflado no berço o gosto pelo disfarce e pela máscara, o ódio do domicílio e a paixão pela viagem.

Multidão, solidão: termos iguais e permutáveis para o poeta ativo e fecundo.
Quem não sabe povoar sua solidão, tampouco sabe estar em meio a uma massa atarefada.

O poeta goza deste incomparável privilégio de poder ser, a bel-prazer, ele próprio e outrem.
Como estas almas errantes que buscam um corpo, ele entra, quando quer, na personagem de cada um.
Somente para ele tudo está vacante; e se alguns lugares lhe parecem estar fechados, é que a seus olhos eles não valem a pena serem visitados.

O andarilho solitário e pensativo tira uma embriaguez singular desta universal comunhão.
Aquele que desposa facilmente a massa conhece gozos febris, dos quais serão eternamente privados o egoísta, trancado como um cofre, e o preguiçoso, internado como um molusco.
Ele adota como suas todas as profissões, todas as alegrias e todas as misérias que a circunstância lhe apresenta.

O que os homens denominam amor é bem pequeno, bem restrito e bem fraco, comparado com esta inefável orgia, com esta santa prostituição da alma que se dá por inteiro, poesia e caridade, ao imprevisto que se mostra, ao desconhecido que passa.

É bom ensinar, às vezes, aos felizes deste mundo, mesmo que só para humilhar por um instante seu orgulho tolo, que existem felicidades superiores às suas, mais amplas e refinadas.
Os fundadores de colônias, os pastores de povos, os padres missionários exilados no fim do mundo, decerto conhecem algo destas misteriosas embriaguezes; e, no seio da vasta família que seu gênio construiu para si, eles por vezes devem rir daqueles que se compadecem de sua sorte tão agitada e de sua vida tão casta”.




BAUDELAIRE, Charles. Pequenos Poemas em Prosa. Tradução de Dorothée de Bruchard. Introdução por Dirceu Villa. São Paulo: Hedra, 2007.

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JOSHUA ALLEN HARRIS





Inflatable Bag Monsters

DAVID HARVEY



David Harvey
Em
Condição pós-moderna.






“O modernismo dedicava-se muito à busca de futuros melhores, mesmo que a frustração perpétua desse alvo levasse à paranóia.

Mas o pós-modernismo tipicamente descarta essa possibilidade ao concentrar-se nas circunstâncias esquizofrênicas induzidas pela fragmentação e por todas as instabilidades (inclusive as lingüísticas) que nos impedem até mesmo de representar coerentemente, para não falar de conceber estratégias para produzir, algum futuro radicalmente diferente”.





“As práticas estéticas e culturais têm particular suscetibilidade à experiência cambiante do espaço e do tempo exatamente por envolverem a construção de representações e artefatos espaciais a partir do fluxo da experiência humana.

É possível escrever a geografia histórica da experiência do espaço e do tempo na vida social, assim como compreender as transformações por que ambos têm passado, tendo por referência condições sociais e materiais”.





“Uma retórica que justifica a falta de moradias, o desemprego, o empobrecimento crescente, a perda de poder etc. apelando a valores supostamente tradicionais de autoconfiança e capacidade de empreender também vai saudar com a mesma liberdade a passagem da ética para a estética como sistema de valores dominante”.





“Os sentimentos modernistas podem ter sido solapados, desconstruídos, superados ou ultrapassados, mas há pouca certeza quanto à coerência ou ao significado dos sistemas de pensamento que possam tê-los substituído”.








HARVEY, David. Condição pós-moderna. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Mara Stela Gonçalves. 16 ed. São Paulo: Loyola, 2007. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=8bcTGHbGP_MC&pg=PA4&lpg=PP1&dq=related:ISBN8574304042#v=onepage&q&f=false

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ANTÔNIO BARBOSA BACELAR (3)



Romance Pastoril
(Antônio Barbosa Bacelar)




Pastora de olhos negros,
Que guardas brancas ovelhas,
E deixas tantos em branco
C’uma ventura tão negra.

Tu que na serra pareces
Quando menos uma Estrela,
E no vale a quem te adora
Então lhe pareces serra.

Tu que no monte, e no prado
Dás que dizer às mais belas,
Umas por te ter amor,
Outras por te ter inveja.

Esse teu negro cabelo,
Porque aos olhos se pareça,
A muitas almas é vida,
A muitas vidas é pena.

Dele forma amor Menino
Arco, e juntamente seta,
Aquele com que faz tiro,
Estoutra, com que atravessa.

A boca quem quer dirá
Quando a vir toda vermelha,
Que se é Rubim pela cor,
É Rubim pelo pequena.

Ou também que se envergonha
Creio que afirmar pudera,
De ver que anda entre dentes,
Sendo o exemplar da beleza.

Qualquer bonina que pisas
Porque co pé se pareça,
Inda que pequena flor,
Se quer fazer mais pequena.

O cajadinho, que trazes,
Sabido é que foi frecha,
Que no teu peito cajado
Se fez por mais duro que ela.

Essa pele que te abriga
Se é de cordeiro, ou de ovelha
Não sei, porém dizem todos
Que tens condição de fera.

Basta que serra te chame,
E para serra Morena
Muito te vejo de neve,
Muito tens de Portuguesa.






PÉCORA, Alcyr (Org.). Poesia seiscentista: Fênix renascida & Postilhão de Apolo. Introdução de João Adolfo Hansen. São Paulo: Hedra, 2002. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=jkP94AZMGKsC&printsec=frontcover&dq=Poesia&lr=&cd=27#v=onepage&q&f=false

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

BACHELARD (7)



Gaston Bachelard
Em
A formação do espírito científico.






“O conhecimento do real é luz que sempre projeta algumas sombras.
Nunca é imediato e pleno.
As revelações do real são recorrentes.
O real nunca é “o que se poderia achar” mas é sempre o que se deveria ter pensado.
O pensamento empírico torna-se claro depois, quando o conjunto de argumentos fica estabelecido.
Ao retomar um passado cheio de erros, encontra-se a verdade num autêntico arrependimento intelectual”.





“A opinião pensa mal; não pensa: traduz necessidades em conhecimentos.
Ao designar os objetos pela utilidade, ela se impede de conhecê-los.
Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruí-la”.





“Acho surpreendente que os professores de ciências, mais do que os outros se possível fosse, não compreendam que alguém não compreenda.
Poucos são os que se detiveram na psicologia do erro, da ignorância e da irreflexão”.





“Parece que nenhuma experiência nova, nenhuma crítica pode dissolver certas afirmações primeiras.
No máximo, as experiências primeiras podem ser retificadas e explicadas por novas experiências.
Como se a observação primeira pudesse fornecer algo além de uma oportunidade de pesquisa”.





“Se conseguíssemos tomar – a respeito de qualquer conhecimento objetivo – a justa medida do empirismo, por um lado, e do racionalismo, por outro lado, ficaríamos admirados com a imobilização do conhecimento produzido por uma adesão imediata a observações particulares”.





“Há de fato um perigoso prazer intelectual na generalização apressada e fácil.
A psicanálise do conhecimento objetivo deve examinar com cuidado todas as seduções da facilidade”.







BACHELARD, Gastón. A formação do espírito científico. Tradução de Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/b/BACHELARD,-Gaston.-A-Formação-do-espírito-científico.txt

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ÂNGELO DE AQUINO



Rex e seu carro amarelo
1992 – acrílico sobre tela – 120 cm x 100 cm.
Autor: Ângelo de Aquino.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ROBERTO CARLOS / ERASMO CARLOS



Olha
(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)




Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo eu gosto mesmo assim.

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui.

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu, que sempre fui tão inconstante
Te juro meu amor, agora é pra valer.

Olha vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor.

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu, que sempre fui tão inconstante
Te juro meu amor, agora é pra valer.

Olha vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor.

sábado, 13 de novembro de 2010

NIETZSCHE (21)



Friedrich Nietzsche
Em
Ecce Homo.






“A disparidade entre a grandiosidade da minha tarefa e a pequenez dos meus contemporâneos encontrou expressão na circunstância de que não fui ouvido nem sequer visto”.





“Recompensa mal um professor quem se mantém unicamente aluno”.





“Nada nos consome mais do que os efeitos do ressentimento”.





“Sou demasiado perscrutador, demasiado discutível, demasiado altivo para me contentar com uma resposta banal.

Deus é uma resposta banal, uma manifestação de indelicadeza contra nós, pensadores – fundamentalmente”.





“Uma pessoa precisa conhecer a dimensão do seu estômago”.





“Talvez até eu tenha inveja de Stendhal.

Roubou-me a melhor tirada ateia jocosa que eu poderia ter pronunciado: “A única desculpa de Deus é que não existe”.





“Conheço o meu destino.

Um dia, haverá associada ao meu nome, a recordação de algo de assustador – de uma crise como nenhuma outra na Terra, do mais profundo choque de consciências, de uma decisão proferida contra tudo em que até então se acreditara, fora exigido, santificado.

Não sou um homem, sou dinamite”.







NIETZSCHE, F. Ecce Homo. Tradução (da versão inglesa) de Eduardo Saló. Mem Martins: Publicações Europa-América, 1994. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/e.htm

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

EVANS-PRITCHARD



Evans-Pritchard
Em
Os Nuer do sul do Sudão.






“Se um homem tem a razão do seu lado, e, por virtude disso, obtém o apoio dos seus parentes e eles estão preparados pra usar a força, tem uma boa probabilidade de obter o que lhe é devido, se as partes viverem perto uma da outra”.




“Embora em qualquer altura alguns membros possam ter mais gado e cereal do que os outros, e estes sejam a sua propriedade privada, as pessoas comem nas casas uns dos outros, em festas e refeições vulgares, os alimentos são de outras maneiras divididos, numa tal proporção que poderá falar-se de provisões comuns”.





“A definição mais simples afirma que uma tribo é a mais larga comunidade que considera que as disputas entre os seus membros devem ser resolvidas por arbitragem e que deve unir-se contra outras comunidades da mesma espécie e contra estrangeiros”.





“A força da “lei” varia com a posição das partes na estrutura política, e assim a “lei” Nuer é essencialmente relativa, como a própria estrutura”.








Evans-Pritchard. “Os Nuer do sul do Sudão”. In. M. Fortes & Evans-Pritchard. Sistemas Políticos Africanos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1981.

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RABISCOS NO BLOCO


Postado originalmente no REFLEXÕES: Outubro 2007

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PAULO CÉSAR BARROS / GETÚLIO CORTES



O tempo vai apagar
(Paulo César Barros - Getúlio Cortes)




Sempre quando eu venho aqui
Só escuto de você
Frases tão vazias que pretendem dizer

Que já não preciso mais
Seu carinho procurar
Que não adiantará pedir nem ficar

Se assim for seu desejo
Não vejo motivo pra contestar
Não sofrerei pois bem sei isso passa
E o tempo vai apagar

Só levo comigo
A certeza que você
Muito mais que eu terá que esperar pra esquecer.

E que já não preciso mais
Seu carinho procurar
Que não adiantará pedir nem ficar

Se assim for seu desejo
Não vejo motivo pra contestar
Não sofrerei pois bem sei isso passa
E o tempo vai apagar

Só levo comigo
A certeza que você
Muito mais que eu terá que esperar pra esquecer.







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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

RAINER MARIA RILKE (4)



Rainer Maria Rilke
Em
Cartas a um jovem poeta.








“As coisas não são todas tão apreensíveis e dizíveis como muitas vezes se gostaria de nos fazer crer, a maior parte dos eventos são indizíveis, perfazem-se num espaço que nunca foi tocado por uma palavra, e mais indizíveis do que tudo são as obras de arte, existências secretas cuja vida perdura enquanto a nossa passa”.





“O amor de ser humano a ser humano: isso é talvez o mais difícil que nos é destinado, o extremo, a última prova e verificação, o trabalho para que todos os outros trabalhos não passam de preparatórios”.





“Só são perigosas e más aquelas tristezas que andam conosco, no meio da gente, para falarem mais alto, como doenças tratadas de modo superficial e disparatado, que recuam e, depois de um pequeno intervalo, têm uma recaída mais temível, e acumulam-se no íntimo e são vida, são a vida não vivida, desprezada, perdida, de que se pode morrer”.





“Se o seu dia-a-dia lhe parece pobre, não o lamente; lamente-se a si, diga para consigo que não é suficientemente poeta para convocar as suas riquezas; pois para o criador não existe escassez nem lugar pobre ou indiferente”.





“As obras de arte são de uma solidão infinita e nada pode atingi-las menos do que a crítica”.








RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. Tradução, prefácio e notas: Vasco Graça Moura. Porto: ASA Editores, 2002. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/c.htm

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

ARJUN APPADURAI

Arjun Appadurai
Em
La vida social de las cosas.




“A pesar de que el antropólogo y el historiador hablan con mayor frecuencia uno acerca del otro, excepcionalmente lo hacen uno con el otro”.





“Las mercancías, como las personas, tienen una vida social”.





“La situación mercantil en la vida social de cualquier “cosa” se defina como la situación en la cual su intercambiabilidad (pasada, presente o futura) por alguna otra cosa se convierta en su característica socialmente relevante”.





“En muchas sociedades, las transacciones matrimoniales pueden constituir el contexto donde las mujeres sean vistas más intensa y apropiadamente como valores de cambio”.





“La variedad de los contextos, dentro y a través de las sociedades, proporciona el vínculo entre el ambiente social de la mercancía, y su estado temporal y simbólico”.





“Aunque las mercancías, en virtud de su destino de intercambiabilidad y su mutua conmensurabilidad, tienden a disolver los lazos entre las personas y las cosas, dicha tendencia siempre está balanceada por la contratendencia, existente en toda sociedad, a restringir, controlar y canalizar el intercambio”.





“La desviación de las mercancías de sus rutas específicas siempre es un signo de creatividad o crisis, ya sea estética o económica”.





“El robo, condenado en la mayoría de las sociedades humanas, es la forma más modesta de desviación de mercancías de sus rutas preestablecidas”.






.
APPADURAI, Arjun (ed.). La vida social de las cosas. Traducción: Argelia Castillo Cano. México, D. F.: Editorial Grijalbo, 1991. Disponível em: http://www.4shared.com/account/document/bvZ0Mynf/Appadurai_Arjun_-_La_vida_soci.html

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PERDÃO LEITORES

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ROBERT JASTROW



Robert Jastrow
Em
A arquitetura do universo.






“Nunca ninguém apanhou um elétron com uma pinça e disse: “Aqui está um.”
As provas da sua existência são todas indiretas, durante os 150 anos decorridos desde a segunda metade do século dezoito até ao começo do século vinte, foi levada a cabo uma grande variedade de experiências sobre a passagem da corrente elétrica através de líquidos e gases.
A existência do elétron não ficou conclusivamente provada por nenhuma destas experiências.
Contudo, a maior parte destas podia ser mais facilmente explicada se o físico pressupusesse que a eletricidade era transportada por uma corrente de pequenas partículas, cada uma das quais carregando a sua própria carga elétrica.
Gradualmente os físicos pressentiram, chegando quase a convicção, que o elétron existe realmente”.





“Se a maior parte do átomo é espaço vazio, por que será que o tampo da mesa oferece resistência quando fazemos pressão sobre ela com o dedo?
A razão é que a superfície da mesa é constituída por uma barreira de elétrons, elétrons esses pertencentes à camada mais exterior de átomos no tampo da mesa; a superfície do nosso dedo é também constituída por uma barreira de elétrons; ao seu contato, forças potentes de repulsão elétrica impedem os elétrons na ponta do nosso dedo de penetrar através dos elétrons exteriores no tampo da mesa e de atingir o espaço vazio existente dentro de todos os átomos”.





“Quando a estrela tem um tamanho normal – com um diâmetro da ordem do milhão de quilômetros – a força de gravidade na sua superfície não é suficientemente potente, para impedir os raios de luz de se libertarem, e eles abandonam a estrela, embora com um pouco menos de energia,
Mas, à medida que a estrela se contrai, a força de gravidade aumenta rapidamente e, quando o diâmetro da estrela já diminuiu para 6 quilômetros, a gravidade à sua superfície é milhares de milhões de vezes mais forte do que a força de gravidade à superfície do Sol.
A potência desta força enorme impede os raios de luz de abandonarem a superfície da estrela: tal como uma bola lançada para o ar, eles são atraídos no sentido contrário e não podem libertar-se para o Espaço.
A partir deste momento a estrela é invisível.
É um buraco negro no espaço.

No interior do buraco negro, a contração prossegue, acumulando matéria no centro, numa aglomeração pequeníssima mas incrivelmente densa.
De acordo com o conhecimento geral da Física teórica, isto é o fim da vida da estrela.
O volume da estrela vai-se tornando cada vez mais pequeno; de uma esfera com 3 quilômetros de raio, ela contrai-se para o tamanho de uma cabeça de alfinete, depois para o tamanho de um micróbio e, continuando sempre a contrair-se, passa para o domínio das distâncias menores do que o que já alguma vez foi dado ao Homem examinar.
Por outro lado, a massa de mil bilhões de bilhões de toneladas de uma estrela permanece sempre acumulada no volume contraído.
Mas a intuição diz-nos que tal objeto não pode existir”.







JASTROW, Robert. A arquitetura do universo. Tradução de Verônica Ferreira e Margarida Cabrita. Lisboa: edições 70, s/data. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/a.htm

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sábado, 6 de novembro de 2010

ROSEANA MURRAY



As feiticeiras
(Roseana Murray)




Não sei se existe ainda
o ofício de feiticeira,
isso é coisa medieval.
Naqueles tempos
elas eram lenha de fogueira
com seus ardentes pensamentos.

Queria hoje ser uma delas,
virar tudo pelo avesso,
trocar as almas e os corações.

Fazer por um segundo
deste triste planeta
um outro mundo.







MURRAY, Roseana. A Bailarina e Outros Poemas. São Paulo: FTD, 2003. Disponível em: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/a.htm

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PIERRE BOURDIEU



Pierre Bourdieu
Em
O Poder Simbólico.





“As diferentes classes e frações de classes estão envolvidas numa luta propriamente simbólica para imporem definição do mundo social mais conforme aos seus interesses, e imporem o campo das tomadas de posições ideológicas reproduzindo em forma transfigurada o campo das posições sociais”.





“O cume da arte, em ciências sociais, está sem dúvida em ser-se capaz de por em jogo “coisas teóricas” muito importantes a respeito de objetos ditos “empíricos” muito precisos, frequentemente menores em aparência, e até mesmo um pouco irrisórios.

Tem-se demasiada tendência para crer, em ciências sociais, que a importância social ou política do objeto é por si mesmo suficiente par dar fundamento à importância do discurso que lhe é consagrado”.





“Construir um objeto científico é, antes de mais e sobretudo, romper com o senso comum, quer dizer, com representações partilhadas por todos, quer se trate dos simples lugares-comuns da existência vulgar, quer se trate das representações oficiais, frequentemente inscritas nas instituições, logo, ao mesmo tempo na objetividade das organizações sociais e nos cérebros”.





“A capacidade de reproduzir ativamente os melhores produtos dos pensadores do passado pondo a funcionar os instrumentos de produção que eles deixaram é a condição do acesso a um pensamento realmente produtivo”.





“Só podemos produzir a verdade do interesse se aceitarmos questionar o interesse pela verdade e se estivermos dispostos a por em risco a ciência e a respeitabilidade científica fazendo da ciência o instrumento do seu próprio por-se-em causa”.





“O poder simbólico é um poder que aquele que lhe está sujeito dá àquele que o exerce, um crédito com que ele o credita, uma fides, uma auctoritas, que ele lhe confia pondo nele a sua confiança.

É um poder que existe porque aquele que lhe está sujeito crê que ele existe”.






BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1998. Disponível em: http://www.4shared.com/document/DO7io40_/BOURDIEU_Pierre_O_poder_simbli.html

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