domingo, 30 de dezembro de 2007

CRISTO REDENTOR (Feliz 2008)



Cristo Redentor – Rio de Janeiro - Brasil


Caros leitores:


Este ano de 2007 me trouxe algumas grandes alegrias, uma delas foi o nosso blog Reflexões.
Preciso agradecer a todos os que me ajudam nesse projeto:

- Ao excelente trabalho das equipes do Blogger e do Google;

- Ao pessoal do Sitemeter, por me mostrar, a qualquer tempo, a existência dos leitores discretos (sempre sem comentários); os leitores diários; os que dedicaram longos minutos de seu tempo; enfim, me proporcionando alguns dos grandes prazeres de quem quer comunicar;

- E, muito especialmente, a vocês pela companhia, pela forma carinhosa e paciente que receberam este projeto em seus mundos virtuais, e pelos comentários e sugestões.

Espero continuar por aqui...

Feliz Ano Novo e Divirtam-se!

sábado, 29 de dezembro de 2007

ANACREONTE (2)



EBRIEDADE FELIZ
(Anacreonte)




Enquanto bebo o alegre vinho
Os meus desgostos adormecem
Para que penas e suspiros?
Por que cuidados, que aborrecem?
Hei de morrer, queira ou não queira.
- Por que na vida desgastar-me?
Bebamos, antes, da videira
O dom, que vem de Baco ofertar-me.
Assim, as mágoas, de mansinho
Vão-se findando e desvanecem...
Pois, de beber o alegre vinho,
Os meus cuidados adormecem...




ANACREONTE. Odes de Anacreonte. Tradução de Almeida Cousin. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anacreonte

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

BARÃO DE ITARARÉ (4)



Algumas máximas de Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé.



“O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.

“Sabendo levá-la, a vida é bem melhor do que a morte”.

“As crianças atingem aos sete anos a idade da razão. Depois disso, começam a praticar toda espécie de loucura, até o juízo final”.

“É mais fácil sustentar dez filhos do que um vício”.

“Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você”.

“Se levares para casa um cachorro morto de fome e lhe deres comida e conforto, ele não te morderá. Esta é a principal diferença entre o cachorro e o homem”.



Itararé, Barão de. Máximas e Mínimas do Barão de Itararé. Seleção e organização Afonso Félix de Souza. Apresentação de Jorge Amado. 2q. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bar%C3%A3o_de_Itarar%C3%A9

RABISCOS NO BLOCO


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

CONDILLAC



CONDILLAC
Em
Resumo Selecionado do Tratado das Sensações





“Não há sensações indiferentes senão por comparação; cada uma é em si mesma agradável ou desagradável: sentir-se e não sentir-se bem ou mal são expressões completamente contraditórias”.

“Por conseguinte, é o prazer ou o sofrimento que, ocupando nossa capacidade de sentir, produz esta atenção de onde se formam a memória e o juízo”.

“Portanto, não saberíamos estar mal, ou menos bem do que havíamos estado, se não comparássemos o estado em que estamos com aqueles pelos quais passamos.
Mais fazemos esta comparação, mais experimentamos esta inquietude que nos faz julgar que é importante para nós mudar de situação: sentimos necessidade de alguma coisa melhor.
Logo a memória nos lembra o objeto que acreditamos poder contribuir para a nossa felicidade, e nesse instante a ação de todas as nossas faculdades se determina em direção a esse objeto.
Ora, esta ação das faculdades é o que chamamos desejo “.

“Com efeito, o que fazemos de fato quando desejamos?
Julgamos que o gozo de um bem nos é necessário.
Logo nossa reflexão se ocupa unicamente dele.
Se está presente, fixamos os olhos nele, estendemos os braços para o agarrar.
Se está ausente, a imaginação o descreve, e pinta vivamente o prazer de o desfrutar.
O desejo não é, pois, senão a ação das próprias faculdades, que se atribui ao entendimento e que, estando determinada em direção a um objeto pela inquietude que causa sua privação, determina também a ação das faculdades do corpo.
Ora, do desejo nascem às paixões, o amor, o ódio, a esperança, o medo, a vontade.
Portanto, tudo isso ainda não é senão a sensação transformada”.






CONDILLAC, Étienne Bonnot De. “Resumo Selecionado do Tratado das Sensações”. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. In.CIVITA, Victor (editor) Textos Escolhidos: Condillac/ Helvetius/ Degerando. São Paulo: Abril Cultural, 1973.(Os pensadores)

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Étienne_Bonnot_de_Condillac

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

PAPAI NOEL


FELIZ NATAL!

Dias 24, 25 e 26 de dezembro: pausa para esperar Papai Noel e brincar com os brinquedos novos.
Divertam-se!

sábado, 22 de dezembro de 2007

BACHELARD



Bachelard
Em
A Poética do Espaço





“A imagem, em sua simplicidade, não precisa de um saber. Ela é a dádiva de uma consciência ingênua. Em sua expressão, é uma linguagem jovem. O poeta, na novidade de suas imagens, é sempre origem de linguagem.
Para especificarmos bem o que possa ser uma fenomenologia da imagem, para frisarmos que a imagem existe antes do pensamento, seria necessário dizer que a poesia é, antes de ser uma fenomenologia do espírito, uma fenomenologia da alma.
Deveríamos então acumular documentos sobre a consciência sonhadora”.


“Para um estudo fenomenológico dos valores da intimidade do espaço interior, a casa é, evidentemente, um ser privilegiado, sob a condição, bem entendido, de tomarmos, ao mesmo tempo, a sua unidade e a sua complexidade, tentando integrar todos os seus valores particulares num valor fundamental.
A casa nos fornecerá simultaneamente imagens dispersas e um corpo de imagens. Num e noutro caso, provaremos que a imaginação aumenta os valores da realidade”.



“Pois a casa é nosso canto do mundo. Ela é, como se diz freqüentemente, nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. Um cosmos em toda a acepção do termo.
Até a mais modesta habitação, vista intimamente, é bela.
Os escritores de “aposentos simples” evocam com freqüência esse elemento da poética do espaço. Mas essa evocação é sucinta demais. Tendo pouco a descrever no aposento modesto, tais escritores quase não se detêm nele. Caracterizam o aposento simples em sua atualidade, sem viver na verdade a sua primitividade, uma primitividade que pertence a todos, ricos e pobres, se aceitarem sonhar”.


“Assim, abordando as imagens da casa com o cuidado de não romper a solidariedade da memória e da imaginação, esperamos fazer sentir toda a elasticidade psicológica de uma imagem que nos comove a graus de profundidade insuspeitos.
Pelos poemas, talvez mais do que pelas lembranças, tocamos o fundo poético do espaço da casa”.


“Nessas condições, se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz.
Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”.


“As grandes imagens têm ao mesmo tempo uma história e uma pré-história. São sempre lembrança e lenda ao mesmo tempo. Nunca se vive a imagem em primeira infância. Qualquer grande imagem tem um fundo onírico insondável e é sobre esse fundo onírico que o passado pessoal põe cores particulares”.






BACHELARD, Gaston. Bachelard: O Novo Espírito Científico/ A Poética do Espaço. Tradução: Remberto Francisco Kuhnen, Antônio Costa Leal e Lídia do Valle Santos Leal. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os pensadores).

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaston_Bachelard

PIERRE BONNARD


Fondation Triton

Auto-portrait
1930 – guache e crayon sobre papel – 65 cm x 50 cm
Autor: Pierre Bonnard

Sobre o autor:

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

ALVARENGA PEIXOTO



ESTELA E NISE
(Alvarenga Peixoto)





Eu vi a linda Estela, e namorado
Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nise, e a achei tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.

A qual escolherei, se neste estado
Não posso distinguir Nise de Estela?
Se Nise vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir, fico abrasado.

Mas, ah! Que aquela me despreza amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços.
E esta não me quer por inconstante.

Vem, Cupido, soltar-me destes laços;
Ou faz de dois semblantes um semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços!




Lousada, Wilson. (Org.) Cancioneiro Do Amor: os mais belos versos da poesia brasileira – Árcades; Românticos e Parnasianos. 2a. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1952.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alvarenga_Peixoto

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

VOLTAIRE (4)



Voltaire
Em
Discurso Sobre a História de Carlos XII





“O prurido de transmitir à posteridade detalhes inúteis e de deter o olhar dos séculos futuros sobre acontecimentos vulgares, vem de uma fraqueza muito comum aos que viveram em alguma corte e tiveram a infelicidade de haver tomado parte nos negócios públicos.
Passam, então, a encarar a corte onde viveram como a mais bela de todas; o rei que viram, como o maior de todos os monarcas; os negócios em que se envolveram, como os mais importantes do mundo.
E imaginam que a posteridade verá tudo isso com os mesmos olhos”.


“Que um príncipe mova uma guerra; que a sua corte seja perturbada por intrigas; que ele compre a amizade de um dos vizinhos e venda a sua a outro; que ele faça, enfim, a paz com os inimigos, depois de algumas vitórias e algumas derrotas, seus súditos, entusiasmados pela trepidação desses acontecimentos presentes, julgam estar vivendo a época mais singular desde a criação do mundo.
E que acontece?
O príncipe morre; tomam, depois dele, medidas inteiramente diversas; esquecem as intrigas da corte, os seus ministros, os seus generais, suas guerras e o próprio monarca”.




VOLTAIRE. Seleções. Tradução de J. Brito Broca. Rio de Janeiro/ São Paulo/ Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire

RABISCOS NO BLOCO


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

WIELAND



Pequena Louvação
(Wieland)





O jardinzinho bem fechado
Todo mês de rosas ornado
Onde o jardineiro se enfia
E cuida e rega noite e dia,
Louvado seja!

O bom mineiro tão robusto
Que em negro buraco, sem susto,
Penetra e fura sem cansaço,
Até acabar-se, ficar lasso,
Louvado seja!




PAES, José P. Poesia Erótica: em tradução. Seleção, tradução, introdução e notas por José Paulo Paes.São Paulo: Cia. Das Letras, 1990.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Christoph_Martin_Wieland

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

CHATEAUBRIAND



CHATEAUBRIAND
Em
Da natureza do mistério





“As coisas misteriosas são o que há de mais belo, grandioso, e doce na existência.
Os mais maravilhosos sentimentos são os que nos agitam com certa confusão: pudor, amor casto, amizade virtuosa, rescendem misterioso perfume.
Direis que os corações amantes com meias palavras se compreendem e se franqueiam.
A inocência, santa ignorância, não é per si o mais inefável dos mistérios?
Exulta a infância porque tudo ignora, amisera-se a velhice porque tudo sabe: felizmente para ela, principiam os mistérios da morte onde fenecem os da vida.
Dá-se nos afetos o que se dá nas virtudes: as mais angélicas são as que, derivadas imediatamente de Deus, à maneira da caridade, folgam de esconder-se à vista, como a origem delas”.


“Se perscrutarmos nossa alma, segredos se nos mostram as delícias do pensamento”.


“No universo é tudo oculto e desconhecido. O homem que é senão mistério? Donde vem o resplendor que denominamos vida, e em que trevas se apaga?”


“Atenta à propensão do homem para os mistérios, não admira que as religiões de todos os povos tenham segredos impenetráveis”.






CHATEAUBRIAND, François-René de. O Gênio do Cristianismo. v.1. Tradução de Camilo Castelo Branco. Prefácio de Tristão de Ataíde. Rio de Janeiro/São Paulo/ Rio/ Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois-Ren%C3%A9_de_Chateaubriand

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

ERASMO DE ROTERDAM (3)

Erasmo de Roterdam
Em Elogio da Loucura





“Mas, para vos mostrar que tudo quanto entre os homens existe de célebre, estupendo, glorioso, é tudo obra minha, quero começar pela guerra.
Não se pode negar que essa grande arte seja a fonte e o fruto das mais estrepitosas ações.
No entanto, que coisa se poderia imaginar de mais estúpido que a guerra?
Dois exércitos se batem (sabe Deus por que motivo) e da sua animosidade obtêm muito mais prejuízo do que vantagem”.



“Além disso, dizei-me: que serviço poderiam prestar os sábios, quando os exércitos se estendem em ordem de combate e reboam no espaço o rouco som das cornetas e o rufar dos tambores, ao passo que eles, definhados pelo estudo e pela meditação, arrastam com dificuldade uma vida que se tornou enferma pelo pouco sangue, frio e sutil, que lhes circula nas veias?”



“São necessários homens troncudos e grosseiros, robustos e audazes, mas de muito pouco talento, sim, são necessárias justamente semelhantes máquinas para o mister das armas”.





Erasmo de Roterdam Elogio da Loucura.Tradução de Paulo M. de Oliveira. São Paulo: Atena Editora, 1955.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Erasmo_de_Roterd%C3%A3o

GEORG BASELITZ

Museum Moderner Kunst, Vienna.


Os Grandes Amigos (Die Großen Freunde)
1965 – oleo sobre tela – 250 cm x 300 cm
Autor: Georg Baselitz

Sobre o autor:

http://en.wikipedia.org/wiki/Georg_Baselitz

domingo, 16 de dezembro de 2007

JOAQUIM NABUCO



Joaquim Nabuco
Em
Minha Formação





“Olhei a vida nas diversas épocas através de vidros diferentes: primeiro, no ardor da mocidade, o prazer, a embriaguez de viver, a curiosidade do mundo; depois, a ambição, a popularidade, a emoção da cena, o esforço e a recompensa da luta para fazer homens livres (todos esses eram vidros de aumento)...; mais tarde, como contrastes, a nostalgia do nosso passado e a sedução crescente de nossa natureza, o retraimento do mundo e a doçura do lar, os túmulos dos amigos e os berços dos filhos (todos esses são ainda prismas); mas em despedida ao Criador, espero ainda olhá-lo através das vidros de Epícteto, do puro cristal sem refração: a admiração e o reconhecimento...”







NABUCO, Joaquim. Minha Formação. Prefácio de Carolina Nabuco. Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Nabuco

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

OTÁVIO DE SOUZA



ROSA
(Otávio de Souza)




Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor

Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas o amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar

Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer





(Letra de Otávio de Souza para uma valsa de Pixinguinha)

RABISCOS NO BLOCO


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CÍCERO (4)



Cícero
Em
Orações




“Nem se deve dissimular o que não é possível esconder, e devemos manifestar. Todos nós apetecemos glória; nem há sujeito de bem que se não deixe levar deste afecto. Aqueles mesmos filósofos que compuseram livros do desprezo da glória lhe subscreveram o seu nome, mostrando desejo de serem louvados e nomeados naquilo mesmo que desprezavam a fama e a celebridade”.


”De diverso modo se paga o benefício que o dinheiro; porque quem retém o dinheiro, não o paga; quem o paga, não o retém; mas o agradecimento, quem o paga, retêm-no; e quem o retém, o paga”.


“Duas são as artes que podem levantar os homens ao supremo grau de merecimento, a do general e a do bom orador; este conserva os adornos da paz, aquele aparta os perigos da guerra”.





CÍCERO. Orações. Tradução do Padre Antonio Joaquim. Prefácio de Altino Arantes. Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cícero

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

JUAN LUÍS VIVES



Juan Luís Vives
Em
Introdução À Sabedoria





“Há, em nossa alma, duas partes.
Uma superior e outra inferior; a superior chama-se mente, à qual (porque nos entendemos) podemos chamar entendimento, com tal que saibamos que esta parte contém, também em si, a vontade, e, em tudo quanto entende ou resolve, ou sabe, se serve e se vale da razão, do juízo e do engenho; por esta parte, somos homens semelhantes a Deus, e somos mais excelentes que todos os outros animais.

A segunda parte, que dizemos inferior, está mais apegada ao corpo, do que se segue ser bruta, fera, rija, mais semelhante à besta que ao homem; há nela aqueles movimentos que poderiam chamar-se afectos, perturbações ou paixões, como sejam arrogância, inveja, malquerença, ira, medo, tristeza, cobiça de todos os bens que ela imagina, gozos vãos e loucos, e outras mil enfermidades.
Essa parte inferior tem também o nome de alma, ainda que, por ela, não nos diferenciemos das bestas.
E, por ela, nos apartamos infinitamente de Deus, que é livre e isento de toda paixão, turbação ou enfado.
É esta a ordem da natureza: que a sabedoria governe e reja todo o universo, e que tudo quanto vemos criado obedeça ao homem; e que, no homem, o corpo sirva ao ânimo, que assim chamamos agora à parte que dissemos ser inferior, e que esta ande sujeita ao entendimento, e este, a Deus; e quem deixar de seguir esta ordem peca”.





VIVES, Juan Luís. Introdução À Sabedoria. In. PÉREZ, David J. (Org.). Moralistas Espanhóis. Tradução de Acácio França. Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1952.


Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Lu%C3%ADs_Vives

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

CHUANG TZU (7)



ARROMBANDO O COFRE (trechos)
(Chuang Tzu)





”Como segurança contra os ladrões que roubam bolsas, leiloam bagagens e arrombam cofres,
Devemos prender todos os objetos com cordas, fechá-los com cadeados, trancá-los.
Isto (para os proprietários) é elementar bom-senso.
Mas quando um ladrão forte se aproxima,
Apanha tudo,
Põe nas costas e segue seu caminho
Com um só medo:
De que as cordas, cadeados e trancas possam ceder.
Assim, o que o mundo chama
De bom negócio é apenas um meio
De pegar o saque, embrulhá-lo, torná-lo bem forte
Em uma carga adequada para ladrões mais espertos.
Quem, entre os espertos,
Não passa seu tempo empilhando seu saque
Para um ladrão maior que ele próprio? “



“A invenção
De pesos e medidas
Facilita o roubo.
Assinar contratos, colocar selos,
Assegura o roubo.
O ensino do amor e do dever,
Linguagem adequada
Que prova que o roubo
É realmente para o bem comum.
Um homem pobre deve fugir
Ao roubar uma fivela de cinto.
Mas se um rico rouba todo um estado
É aclamado
O estadista do ano”.





CHUANG TZU, considerado o maior escritor taoista de cuja existência se tem notícia, escreveu sua obra no final do período clássico da filosofia chinesa, de 550 a 250 aC.

MERTON, Thomas. A Via de Chuang Tzu. Petrópolis: Editora Vozes, 1974.

TAMARA DE LEMPICKA


"The Musician"
(1929) – óleo sobre tela – 161x96cm
Autora: Tamara de Lempicka


Sobre a autora:

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

MARC BLOCH



Marc Bloch
Em
Introdução à história





“Uma palavra, em suma, domina e ilumina os nossos estudos: “compreender”.
Não afirmemos que o bom historiador é alheio às paixões; tem aquela, pelo menos.
Palavra essa, não tenhamos ilusões, cheia de dificuldades, mas também de esperança.
Palavra cheia, sobretudo, de amizade.
Até na ação julgamos de mais.
É tão cômodo gritar “à forca”!
Nunca compreendemos bastante.
Quem difere de nós – estrangeiro, adversário político – passa, quase necessariamente, por mau.
Mesmo para orientar as lutas inevitáveis, seria necessário um pouco mais de inteligência das almas; com mais forte razão se as queremos evitar, quando ainda é tempo.
A história, se renunciar ela mesma aos seus falsos ares de arcanjo, deve ajudar a curar-nos desta mania.
Ela é uma vasta experiência da diversidade humana, um longo encontro dos homens.
A vida, como a ciência, tem tudo a ganhar se o encontro for fraternal”.




BLOCH, Marc. Introdução à história. Trad. Maria Manuel Miguel e Rui Grácio. 2a. ed. Lisboa: Europa-América, 1974.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marc_Bloch

sábado, 8 de dezembro de 2007

LA ROCHEFOUCAULD (6)



La Rochefoucauld




Máxima 308

“Fez-se da moderação uma virtude não só para frear a ambição dos grandes homens como para consolar os medíocres de sua pouca sorte”.


Máxima 316

“Os fracos não podem ser sinceros”.


Máxima 341

“As paixões da juventude não são mais contrárias à salvação que a frieza dos velhos”.


Máxima 350

“O que nos desperta mais amargura contra os que nos armam ciladas é que eles se julgam mais sagazes que nós”.


Máxima 356

“Geralmente só louvamos sinceramente os que nos admiram”.


Máxima 384

“Somente deveríamos nos espantar de poder nos espantar ainda”.





François de La Rochefoucauld foi um nobre que escreveu apenas dois livros. Um de memórias e outro de máximas. Filho do duque de Poitou, suas máximas foram publicadas pela primeira vez em 1664, anônimas. Retrabalhadas reapareceriam em 1678. La Rochefoucauld faleceu em 1688.


LA ROCHEFOUCAUD, François VI de. Reflexões e Máximas Morais. Tradução de Alcântara Silveira. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1969.

RABISCOS NO BLOCO


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

MACHADO DE ASSIS



Machado de Assis
Em
O Espelho





“Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.
Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir.
A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavarina, um tambor etc.
Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja.
Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.
Shylock, por exemplo. A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. “Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração”.
Vejam bem esta frase; a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele.
Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...

- Não?

- Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell.
São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável.
Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos.
Pela minha parte, conheço uma senhora, — na verdade, gentilíssima, — que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a Rua do Ouvidor, Petrópolis...”





ASSIS, Machado de. Contos Escolhidos. Seleção e apresentação de Roberto Alves. São Paulo: Jornal O Globo/Klick Editora, 1997.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

LUÍS DE CAMÕES (3)



Redondilha 106 – Voltas a mote.
(Luís de Camões)





Descalça vai pêra fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O texto nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamalote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa, e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro o trançado,
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à formosura.
Vai fermosa, e não segura.




CAMÕES, Luís de. Obra Completa. Organização, introdução, comentários e anotações do Prof. Antônio Salgado Júnior. Rio de Janeiro: Companhia Aguilar Editora, 1963.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

CLAUSEWITZ



Clausewitz
Em
Da Natureza da Guerra




“Os humanistas acreditam que exista um método eficaz para desarmar e vencer um inimigo sem causar derramamento de sangue, sendo essa a precípua vocação da guerra.
Por mais razoável que esse conceito possa parecer, é enganoso, e deve ser extirpado, pois, em assuntos tão perigosos quanto a guerra, os erros nascidos de um “coração benévolo” costumam ser os mais fatais.
Como o emprego – até o máximo limite – da força física não exclui a assistência da inteligência, aquele que apela, amplamente, para o uso da força, sem se afligir com o conseqüente derramamento de sangue, levará vantagem sobre seu adversário, caso este se empenhe na luta com menor vigor.
O primeiro lutador, então, dita as regras sobre o segundo, e ambos continuam a luta até o limite de suas forças tendo como únicas restrições, aquelas impostas pelo grau de agressividade do adversário.


É assim que essa questão deve ser encarada – sob pena de prejudicar os interesses de ambas as partes – , e não há motivo algum para nos esquivarmos da análise sobre a realidade dos fatos da guerra, apenas porque o horror de suas conseqüências nos causa repulsa”.





CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra: a arte da estratégia. Tradução de Pilar Satierra. São Paulo: Tahyu, 2005.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

KANDINSKY

Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France

YELLOW, RED, BLUE
1925 – oleo sobre tela – 127 x 200 cm
Autor: WASSILY KANDINSKY

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Wassily_Kandinsky

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

VINICIUS DE MORAES (4)



Vinicius de Moraes
Em
A Mulher e o Signo



Escorpião


Mulher de Escorpião
Comigo não!
É a Abelha Mestra
É a Viúva Negra
Só vai de vedete
Nunca de extra.
Cria o chamado conflito
de personalidades.
É mãe tirana
Mulher tirana
Irmã tirana
Neta tirana
tirana tirana.
Agora, de cama diz
que é boa paca.






MORAES, Vinicius de. A Mulher e o Signo. Desenhos de Otávio F. de Araújo. Rio de Janeiro: Rocco, 1980.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT (2)



A ausente
(Augusto Frederico Schmidt)





Os que se vão, vão depressa.
Ontem, ainda, sorria na espreguiçadeira.
Ontem dizia adeus, ainda, da janela.
Ontem vestia, ainda, o vestido tão leve cor-de-rosa.

Os que se vão, vão depressa.
Seus olhos grandes e pretos há pouco brilhavam,
Sua voz doce e firme faz pouco ainda falava,
Suas mãos morenas tinham gestos de bênçãos.

No entanto hoje, na festa, ela não estava.
Nem um vestígio dela, sequer.
Decerto sua lembrança nem chegou, como os convidados
Alguns, quase todos, indiferentes e desconhecidos.

Os que se vão, vão depressa.
Mais depressa que os pássaros que passam no céu.
Mais depressa que o próprio tempo,
Mais depressa que a bondade dos homens,
Mais depressa que os trens correndo nas noites escuras,
Mais depressa que a estrela fugitiva
Que mal faz um traço no céu.

Os que se vão, vão depressa.
Só no coração do poeta, que é diferente, dos outros corações,
Só no coração sempre ferido do poeta
É que não vão depressa os que se vão.

Ontem ainda sorria na espreguiçadeira,
E o seu coração era grande e infeliz.
Hoje, na festa, ela não estava, nem a sua lembrança.
Vão depressa, tão depressa os que se vão...





SCHMIDT, Augusto Frederico. Antologia Poética. Seleção de Waldir Ribeiro do Val. Introdução de Bernardo Gersen. Rio de Janeiro: Leitura, 1962.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Frederico_Schmidt

RABISCOS NO BLOCO


domingo, 2 de dezembro de 2007

BARÃO DE ITARARÉ (3)



Algumas máximas de
Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé:




“Comer até adoecer, beber até sarar”.

“Para conservar os vinhos e licores finos, o melhor processo é mantê-los escondidos e guardados a sete chaves, em lugar onde nem a nossa querida avó desconfie”.

“O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”.

“Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem”.

“As mulheres de certa idade não têm idade certa”.

“Para as mulheres os velhos são de duas categorias: os insuportáveis e os ricos”.




ITARARÉ, Barão de. Máximas e Mínimas do Barão de Itararé. Seleção e organização Afonso Félix de Souza. Apresentação de Jorge Amado. 2q. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bar%C3%A3o_de_Itarar%C3%A9

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

NIETZSCHE (10)



Friedrich Nietzsche
Em
O Viajante e sua sombra.






39 – Origem dos direitos

“Os direitos remontam geralmente a um costume, o costume a uma convenção momentaneamente estabelecida.

Ocorre uma ou outra vez ficar satisfeito, de parte e de outra, com conseqüências que resultam de uma convenção formalizada e ocorre também ficar com preguiça de renovar formalmente essa convenção; continua-se assim a viver como se esta tivesse sido sempre renovada e, aos poucos, quando o esquecimento lançou seu véu sobre a origem, acredita-se possuir um edifício sagrado e inabalável, sobre o qual cada geração deve continuar a construir.

O costume se tornou então uma coação, mesmo quando não tivesse mais utilidade que se via primitivamente, no momento em que a convenção havia sido estabelecida.

– Nisso os fracos encontraram, desde sempre, sua sólida fortaleza: estão inclinados a eternizar a convenção aceita uma vez, eternizar o privilégio que lhes foi transmitido”.






NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O Viajante e sua Sombra. Tradução: Antonio Carlos Braga e Ciro Miranda. São Paulo: Editora Escala, 2007.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

PABLO NERUDA (5)



Pablo Neruda
Em
Ainda




XVIII


Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas
que arderam de doçura ou enfureceram
o aguilhão: o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor.
Não, não se desfia a rede dos anos: não há rede.
Não caem gota a gota de um rio: não há rio.
O sonho não divide a vida em duas metades,
nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude:
a vida foi como uma pedra, um só movimento,
uma única fogueira que reverberou na folhagem,
uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal
que subiu e desceu queimando-se em teus ossos.





NERUDA, Pablo. Ainda. Tradução de Olga Savary. 2a. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1977.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

VOLTAIRE (3)



Voltaire
Em
Tratado de Metafísica





“O mesmo motivo que faz com que não sejamos todos igualmente esclarecidos, igualmente robustos, faz com que haja homens mais livres do que outros.
A liberdade é a saúde da alma e em poucas pessoas é completa e inalterável.
Nossa liberdade é fraca e limitada como todas as nossas outras faculdades. Nós a fortificamos acostumando-nos a refletir, e este exercício torna a alma um pouco mais vigorosa.
Mas quaisquer que sejam os esforços que façamos, nunca podemos chegar a tornar nossa razão soberana de todos os nossos desejos; haverá sempre movimentos involuntários em nossa alma como em nosso corpo.
Somos livres, sábios, fortes, sãos e espirituais num grau muito reduzido.
Se fossemos sempre livres, seríamos o que Deus é.
Contentamo-nos com uma partilha conveniente ao lugar que ocupamos na natureza. Mas não imaginemos que nos faltam as coisas que fruímos, nem renunciemos às faculdades de um homem por não termos os atributos de um Deus”.





VOLTAIRE, F. Tratado de Metafísica. Tradução de Marilena de Souza Chaut Berlinck. In. _______ Voltaire / Diderot. 1a. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os pensadores)


Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire

terça-feira, 27 de novembro de 2007

MARIO QUINTANA (7)



OS DEGRAUS
(Mario Quintana)





Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...





QUINTANA, Mario. Baú de espantos. 4a. ed. Rio de Janeiro: Globo, 1988.

RABISCOS NO BLOCO


segunda-feira, 26 de novembro de 2007

D. T. SUZUKI (2)



D. T. Suzuki
Em
O Zen Ilógico





“O Zen quer que adquiramos um ponto de vista inteiramente novo, a fim de que possamos olhar os mistérios da vida e os segredos da natureza. Isto porque o Zen chegou à conclusão definida de que o processo lógico comum é impotente para satisfazer as nossas necessidades espirituais mais profundas”.



“A vida é uma arte, e como uma arte perfeita tem de esquecer a si própria, não pode haver qualquer traço de esforço ou sensação dolorosa.
A vida para o zen deve ser vivida da mesma forma que o pássaro voa pelo ar, ou o peixe nada no seio das águas.
Logo que houver sinais de elaboração, um homem se escravisa, não é mais um ser livre. Não estás vivendo como deves viver, estás sofrendo a tirania das circunstâncias, sentindo uma espécie de restrição e perdendo a tua independência.
O Zen trata de preservar tua vitalidade, a liberdade nativa, e acima de tudo a integralidade do teu ser.
Em outras palavras, o Zen quer viver de dentro. Não ser preso a regras e sim criar as próprias regras.
Esta é a espécie de vida que o Zen está tentando nos fazer viver. Daí as suas afirmativas ilógicas, ou melhor superlógicas”.






SUZUKI, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen-budismo. Tradução de Murilo Nunes de Azevedo. Rio de Janeiro; Ed. Civilização Brasileira, 1961.

Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Daisetz_Teitaro_Suzuki

domingo, 25 de novembro de 2007

EINSTEIN



Albert Einstein
Em
EDUCAÇÃO EM VISTA DE UM PENSAMENTO LIVRE






“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade”.

“Estas reflexões essenciais, comunicadas à jovem geração graças aos contactos vivos com os professores, de forma alguma se encontram escritas nos manuais. É assim que se expressa e se forma de início toda a cultura”.

“É preciso, enfim, tendo em vista a realização de uma educação perfeita, desenvolver o espírito crítico na inteligência do jovem. Ora, a sobrecarga do espírito pelo sistema de notas entrava e necessariamente transforma a pesquisa em superficialidade e falta de cultura. O ensino deveria ser assim: quem o receba o recolha como um dom inestimável, mas nunca como uma obrigação penosa”.




EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. Tradução: H. P. de Andrade. São Paulo: Circulo do Livro, s/data.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

BENJAMIN PÉRET



Benjamin Péret
Em
AMOR SUBLIME





“Dois tipos de mulheres parecem-me aptos a viver o amor sublime, porque encarnam dois aspectos da feminilidade, cujos traços são nitidamente discerníveis, o que as isola de todos os tipos possíveis: a mulher-criança e a feiticeira, a primeira figurando a expressão otimista do amor e a segunda, sua face pessimista.
Suas personalidades, de contornos perfeitamente nítidos, opõem-nas unicamente a homens cuja virilidade adquiriu características distintivas igualmente precisas”.


“A mulher-criança suscita o amor do homem totalmente viril, pois ela o completa traço a traço. Este amor a revela a si mesma, projetando-a num mundo maravilhoso, e por isso se abandona inteiramente a ele.
Ela figura a vida que desperta em pleno dia, a primavera explodindo de flores e cantos. Instrumento ideal do amor sublime que soube vencer todos os obstáculos, apresentando-se como única capaz de exaltar seu amante, pois o amor a deslumbrou.
Ela é levada pelo seu coração, sem esforço e sem desconfiança, “ao outro lado do espelho”.
Esperava o amor como o broto aguarda o sol, e o acolhe como um presente inesperado, mais suntuoso do que ela poderia ter sonhado.
É portadora do amor sublime em potencial, mas é preciso que ele lhe seja revelado. É toda felicidade, em qualquer condição que seu amor a coloque, pois ele ilumina sua vida: ela é o amor salvador”.


“Opostamente, a feiticeira é a mulher fatal que desencadeia a paixão, não para exaltar a vida, mas para se lançar à catástrofe e aí conduzir seu amante.
Ela só é amor contido aspirando a explodir. Muitas vezes arrebata o homem de sua escolha. Possui, portanto, certos traços viris, ao contrário da mulher-criança.
É este duplo aspecto que fascina tantos homens. Ela tira seu poder do eco recebido por seu apelo, endereçado ao elemento feminino que jaz em todo homem”.


“Se a mulher-criança oferece um objetivo imediato às relações do homem e da mulher, a feiticeira mostra a impossibilidade de atingir este objetivo nas condições atuais. Ao mesmo tempo que desdobra os maiores esforços para que triunfe seu amor, age como se pensasse que ele não era destinado a esse mundo, mas a um outro além da morte”.




PÉRET, Benjamin. Amor sublime: ensaio e poesia. Organização: Jean Puyade. Tradução: Sérgio Lima, Pierre Clemens. São Paulo: Brasiliense, 1985.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_P%C3%A9ret

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

NAPOLEÃO (2)



MÁXIMAS DE NAPOLEÃO


Máxima No. 56

“Um bom general, um bom corpo de oficiais, uma organização adequada, uma instrução bem conduzida e uma disciplina eficiente permitem formar uma tropa aguerrida, independente da causa pela qual se bate.
Apesar disso, o fanatismo, o amor da pátria, a glória nacional são outros tantos fatores que inspiram as forças armadas, especialmente se elas contém gente moça em suas fileiras”.


Máxima No. 68

“Os soberanos, os povos e os generais não mais terão garantias se autorizarem os oficiais a capitular em campanha e depuserem armas em vista de um acordo feito com o inimigo, mas em completa oposição com os interesses do exército.
Quem foge destarte ao perigo e cria uma situação de crise para seus camaradas é um covarde, cuja conduta deve ser severamente castigada, levando mesmo, em certos casos, à pena de morte.
Generais, oficiais e soldados que salvam suas vidas com uma capitulação, devem desaparecer.
Aquele que ordena a deposição das armas, e os que obedecem-no, são traidores e merecem a pena capital”.


Máxima No. 95

“A guerra é cheia de surpresas.
Enquanto um general segue seus princípios raramente perde oportunidade deles tirar proveito.
E nisso repousa o gênio.
Na guerra há sempre um momento propício e o gênio se aproveita dele”.




LANZA, Conrad H. Napoleão e a Guerra Moderna. Tradução de Paulo Enéas Ferreira da Silva. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1955.

EGON SCHIELE


Coleção particular.


Selbstpoträt
(Auto-retrato)
1912 – lápis, aquarela e têmpera – 46,5 cm x 31,5 cm
Autor: Egon Schiele


Sobre o autor:

TORQUATO NETO (2)



Go back
(Torquato Neto)




Você me chama
Eu quero ir pro cinema
você reclama
meu coração não contenta
você me ama
mas de repente a madrugada mudou
e certamente
aquele trem já passou
e se passou
passou daqui pra melhor
foi!

Só quero saber
do que pode dar certo
não tenho tempo a perder
Você me pede
quer ir pro cinema
agora é tarde
se nenhuma espécie
de pedido
eu escutar agora
agora é tarde
tempo perdido
mas se você não mora, não morou
é porque não tem ouvido
que agora é tarde
– eu tenho dito –
o nosso amor mixou
(que pena) o nosso amor, amor
e eu não estou a fim de ver cinema
(que pena)
já que a morte está partida
um dia depois do outro
numa casa enlouquecida
digo de novo
quero dizer
agora é na hora
agora é aqui
e ali e você
digo de novo
quero dizer
a morte não é vingança
beija e balança


e atrás dessa reticência
queremos
quero viver.




Torquato Neto. Torquatália: obra reunida de Torquato Neto. Organização de Paulo Roberto Pires. v. 1. Do lado de dentro. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Torquato_Neto

terça-feira, 20 de novembro de 2007

OSCAR WILDE (10)



OSCAR WILDE
Em
A DECADÊNCIA DA MENTIRA




“A Arte só expressa a si mesma. Tem uma vida independente, como tem o Pensamento, e se desenrola simplesmente em um sentido que lhe é peculiar.

Não é necessariamente realista em uma época realista, nem espiritualista em uma época de fé.

Longe de ser criação de seu tempo, está geralmente em oposição direta a ele, e a única história que nos oferece é a do seu próprio progresso. Por vezes volta sobre seus passos e ressuscita alguma forma antiga, como sucedeu no movimento arcaico da última arte grega e no movimento pré-rafaelista contemporâneo.

Outras vezes adianta-se absolutamente à sua época e produz uma obra que outro século posterior compreenderá, apreciará e gozará.
Em caso algum representa sua época.

Passar a arte de uma época para a própria época é o grande erro que cometem todos os historiadores. “




WILDE, Oscar A Decadência da Mentira. In. __________ Obra Completa. Tradução de Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, Ltda., 1961”.

RABISCOS NO BLOCO


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

EPICURO (4)



Epicuro
Em
Carta a Meneceu





“Devemos começar a filosofar desde a mocidade, porém sem deixarmos de o fazer, cansados, na velhice.
Para realizar algo em prol da saúde espiritual, ninguém é demasiadamente moço nem muito velho; mas quem, porventura, supuser que, para filosofar, está moço ou velho em demasia, dirá do mesmo modo que o instante exato da sua felicidade ainda não chegou ou já se foi.
Portanto, ambos devem filosofar: o moço e o velho; este, para que permaneça jovem, no grato gozo do bem que lhe oferecera o passado; aquele, para que possa encarar sem receios o futuro, e com isso conseguir ser, a um tempo, moço e velho.
Verdade é que é necessário praticar desde cedo aquilo que confere felicidade, pois com ela possuímos tudo, e a quem ela faltar, tudo fará para adquiri-la”.




EPICURO. Pensamentos. Tradução de Johannes Mewaldt e outros. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epicuro

domingo, 18 de novembro de 2007

PEDRO BLOCH (2)



Pedro Bloch
Em
OS MODELOS DA CRIANÇA





A criança não só imita a voz e o ritmo com que lhe falam como se deixa influenciar pelo que a voz trai. Se uma pessoa usa a voz tensa, a criança fica nervosa, mesmo que as palavras, aparentemente, queiram exprimir amor e tranqüilidade. A criança capta, com rara facilidade, o clima emocional de quem lhe fala.

Por isso é extremamente importante que as mães lhes falem tranqüilamente, não representando a tranqüilidade mas sentindo-se realmente tranqüilas.

Por isso é de tão grande importância que professoras de jardins de infância e de curso primário tenham boa voz e boa maneira de falar, personalidade ajustada, condições condizentes com a profissão; que realmente amem a criança e a profissão a que se dedicam.

A voz e a fala revelarão o ambiente do lar em que é criada a criança e as virtudes da escola que freqüenta. Dirão se tem segurança e se lhe é oferecido o indispensável carinho. Toda e qualquer modificação da voz e da palavra revela a presença de problemas que devem ser examinados e orientados.





BLOCH, Pedro. Criança Diz Cada Uma!. Ilustrações de Luiz Sá. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1963.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Bloch

sábado, 17 de novembro de 2007

MANUEL BANDEIRA (8)



O BEIJO
(Manuel Bandeira)



Quando a moça lhe estendeu a boca
(A idade da inocência tinha voltado,
Já não havia na árvore maçãs envenenadas),
Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuspeitáveis possibilidades.

Ai dele!
Tudo fora pura ilusão daquele beijo.
Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:

- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.




BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

ARISTÓTELES (2)



ARISTÓTELES
Em
Arte Retórica




“Os jovens, mercê do caráter, são propensos aos desejos e capazes de fazer o que desejam. Entre os desejos do corpo, a principal inclinação é para os desejos amorosos, e não conseguem dominá-los. São inconstantes e depressa se enfastiam do que desejaram; desejam-se intensamente, depressa cessam de desejar”.

“Gostam das honras, mais ainda da vitória, pois a juventude é ávida de superioridade e a vitória constitui uma espécie de superioridade”.

“Mais do que acontece em outras idades, gostam dos amigos e companheiros; porque sentem prazer em viver em sociedade e não estão habituados a julgar as coisas pelo critério do interesse, nem, por conseguinte a avaliar os amigos pelo mesmo critério”.

“Pensam que sabem tudo e defendem com valentia suas opiniões, o que é ainda uma das causas de seus excessos em todas as coisas”.

“Enfim, gostam de rir, e daí o serem levados a gracejar, porque o gracejo é uma espécie de insolência polida”.

“Como todos os ouvintes escutam de bom grado os discursos conformes com seu caráter, não resta dúvida sobre a maneira como devemos falar, para que, tanto nós, como nossas palavras, assumam a aparência desejada”.






ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética.Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1969.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles

CARAVAGGIO


Galeria dos Uffizi, Florença, Itália.

Bacchus

c. 1597; óleo sobre tela, 95cm x 85cm
Autor: Michelangelo Merisi da Caravaggio


Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caravaggio

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

VINICIUS DE MORAES (3)



POÉTICA (1)
(Vinicius de Moraes)




De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.




MORAES, Vinicius de. Soneto de Fidelidade e outros poemas. 2 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

FREUD



Sigmund Freud
Em
O mal-estar na civilização




“O serviço prestado pelos veículos intoxicantes na luta pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão altamente apreciado como um benefício, que tanto indivíduos quanto povos lhes concederam um lugar permanente na economia de sua libido.
Devemos a tais veículos não só a produção imediata de prazer, mas também um grau altamente desejado de independência do mundo externo, pois se sabe que, com o auxílio desse “amortecedor de preocupações”, é possível, em qualquer ocasião, afastar-se da pressão da realidade e encontrar refúgio num mundo próprio, com melhores condições de sensibilidade ”.


“Pode-se supor que a formação de famílias deveu-se ao fato de ter ocorrido um momento em que a necessidade de satisfação genital não apareceu mais como um hóspede que surge repentinamente e do qual, após a partida, não mais se ouve falar por longo tempo, mas que, pelo contrário, se alojou como um inquilino permanente.
Quando isso aconteceu, o macho adquiriu um motivo para conservar a fêmea junto de si, ou, em termos mais gerais, seus objetos sexuais, a seu lado, ao passo que a fêmea, não querendo separar-se de seus rebentos indefesos, viu-se obrigada, no interesse deles, a permanecer com o macho mais forte ”.


“Quando, outrora, o Apóstolo Paulo postulou o amor universal entre os homens como o fundamento de sua comunidade cristã, uma extrema intolerância por parte da cristandade para com os que permaneceram fora dela tornou-se uma conseqüência inevitável.
Para os romanos, que não fundaram no amor sua vida comunal como Estado, a intolerância religiosa era algo estranho, embora, entre eles, a religião fosse do interesse do Estado e este se achasse impregnado dela.
Tampouco constituiu uma possibilidade inexeqüível que o sonho de um domínio mundial germânico exigisse o anti-semitismo como seu complemento, sendo, portanto, compreensível que a tentativa de estabelecer uma civilização nova e comunista na Rússia encontre o seu apoio psicológico na perseguição aos burgueses.
Não se pode senão imaginar, com preocupação, sobre o que farão os soviéticos depois que tiverem eliminado seus burgueses “.




FREUD, Sigmund. O Mal-Estar Na Civilização. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. Revisão técnica de Walderedo Ismael de Oliveira. In.__________Freud. Seleção de textos de Jayme Salomão. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os pensadores).

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud

RABISCOS NO BLOCO


terça-feira, 13 de novembro de 2007

LUIZ MELODIA



FARRAPO HUMANO
(Luiz Melodia)



Eu canto suplico
lastimo não vivo contigo
sou santo sou franco
enquanto não caio não ligo
me amarro me encarno na sua
mas estou pra estourar estourar;
Eu choro tanto me escondo
e não digo viro um farrapo
tento o suicídio
com caco de telha
ou caco de vidro;
Só falo na certa repleta
de felicidade me calo
ouvindo o seu nome por entre a cidade
não choro só
só zango
eu fico no lugar;
Estou muito acabado
tão abatido minha companheira
que venha comigo
mas estou pra estourar.



Publicado por Torquato Neto em sua coluna Geléia Geral, no jornal Última Hora. {Rio de Janeiro, sábado, 11 de março de 1972}



Torquato Neto. Torquatália: obra reunida de Torquato Neto. Organização de Paulo Roberto Pires. v. 2. GÉLEIA geral. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Melodia

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

OMAR KHÁYYÁM



OMAR KHÁYYÁM
Em
Rubáyát



17

Os dias
passam rápido
como as águas do rio
ou o vento do deserto.

Dois há, em particular,
que me são indiferentes:
o que passou ontem,
o que virá amanhã.



26

Ninguém
desvendará
o que é misterioso.

Ninguém poderá ver o que
se oculta debaixo das
aparências.

Todas as nossas moradas
são provisórias, salvo a última,
no coração da terra.

Bebe o vinho amigo!

Basta de palavras supérfluas.




KHÁYYÁM, Omar. Rubáiyát. Versão portuguesa de Otávio Tarquínio de Souza. 14a.ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1969.

Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Omar_Khayy%C3%A1m

domingo, 11 de novembro de 2007

THOREAU



Henry Thoreau
Em
A VIDA SEM PRINCÍPIO



“A comunidade não dispõe de um suborno que possa tentar um homem sensato. Podeis levantar dinheiro bastante para escavar um túnel numa montanha, mas não conseguireis levantar dinheiro bastante para assoldadar um homem que esteja tratando de sua própria vida. Um homem eficiente e de valor faz o que pode, quer a comunidade o pague por isso, quer não. Os ineficientes oferecem sua ineficiência a quem dê o lance mais alto, e estão sempre à espera de serem contratados. Seria de se supor que raramente fossem desapontados”.


“Quase não conheço um homem intelectual de mentalidade tão arejada e verdadeiramente liberal que se possa pensar em voz alta em sua companhia. A maior parte daqueles com quem tentais conversar detêm-se ao chegar a alguma instituição a que parecem dar crédito – isto é, a alguma maneira específica, não universal, de encarar as coisas. A todo instante, interpõem seu próprio e baixo teto, com sua estreita clarabóia, entre vós e o céu, quando o que desejais contemplar são os céus desobstruídos. Digo-vos: fora do caminho com vossas teias de aranhas; lavai vossas vidraças!”.


“Os jornais são o poder dominante. Qualquer outro governo está reduzido a uns poucos fuzileiros navais no Forte Independence. Se um homem negligenciar a leitura do Daily Times, o governo irá até ele de joelhos, pois essa é a única traição nos dias que correm”.


“Tais coisas, que mais solicitam a atenção dos homens, como a política e a rotina diária, são, é bem verdade, funções vitais da sociedade humana; deveriam, porém, ser executadas inconscientemente, como as funções correspondentes do corpo físico. São infra – humanas, uma espécie de vegetação. Por vezes, chego a semiconsciência de que andam à minha volta, assim como um homem pode tornar-se, em estado mórbido, consciente do processo de digestão, e sofrer por isso de dispepsia, segundo a denominam”.




THOREAU, Henry David. A Desobediência Civil e outros ensaios. Seleção, tradução, prefácio e notas de José Paulo Paes. 9a. Ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1993.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau

GUSTAVE COUBERT


Coleção particular.

Autoportrait en désespéré.
(1843-45).Óleo sobre tela. 45 x 54 cm
Autor: Gustave Coubert

Sobre o autor:

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

FLORBELA ESPANCA (5)



Rústica
(Florbela Espanca)



Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”...

Meu Deus, daí-me esta alma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.






ESPANCA, Florbela. Sonetos. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2005.

Sobre a autora:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

ANACREONTE

ANTES ÉBRIO!
(Anacreonte)




Enquanto Baco me possui,
Os meus desgostos dormem, sós.
Mais rico julgo-me que os Cresos
E desafio em canto e voz:
Deitado e de heras coroado,
Desprezo a todo o desprazer.
Quem lá quiser que se arme de ódios
Porque eu prefiro é bem beber!...
Traz-me uma taça, ó moço escravo!
Que, certamente, há mais conforto
E é bem melhor se estar deitado
Por estar ébrio do que morto!




ANACREONTE. Odes de Anacreonte. Tradução de Almeida Cousin. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anacreonte

RABISCOS NO BLOCO


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

VICO (3)

Giambattista Vico
Em

Dos elementos




5 – A filosofia, para aproveitar ao gênero humano, deve soerguer e governar o homem decaído e débil, sem lhe destorcer a natureza nem abandoná-lo à sua corrupção.

14 – Natureza das coisas não é mais do que o seu nascimento em determinados tempos e conforme certos modos de ser. Eis que quais se constituíram, tais hão de manter-se e não de outra forma.

37 – O mais sublime ofício da poesia é o de conferir sentido e paixão às coisas insensatas.

47 – A mente humana naturalmente se inclina a deleitar-se no uniforme.




VICO, Giambattista Princípios De (Uma) Ciência Nova. Seleção, tradução e notas: Antonio Lázaro de Almeida Prado. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Giambattista_Vico

terça-feira, 6 de novembro de 2007

CASTORIADIS

Cornelius Castoriadis
Em
A Instituição Imaginária da Sociedade.




“Uma sociedade só pode existir se uma série de funções são constantemente preenchidas (produção, gestação e educação, gestão da coletividade, resolução dos litígios, etc.), mas ela não se reduz só a isso, nem suas maneiras de encarar seus problemas são ditadas uma vez por todas por sua “natureza”; ela inventa e define para si mesma tanto novas maneiras de responder às suas necessidades, como novas necessidades”.


“Tudo o que se nos apresenta, no mundo social-histórico, está indissociavelmente entrelaçado com o simbólico”.


“As instituições não se reduzem ao simbólico, mas elas só podem existir no simbólico, são impossíveis fora de um simbólico em segundo grau e constituem cada qual sua rede simbólica. Uma organização dada da economia, um sistema de direito, um poder instituído, uma religião existem socialmente como sistemas simbólicos sancionados”.


”A instituição é uma rede simbólica, socialmente sancionada, onde se combinam em proporções e em relações variáveis um componente funcional e um componente imaginário”.


“A história é impossível e inconcebível fora da imaginação produtiva, do que nós chamamos o imaginário radical tal como se manifesta ao mesmo tempo e indissoluvelmente no fazer histórico, e na constituição, antes de qualquer racionalidade explícita, de um universo de significações”.




CASTORIADIS, C. A instituição imaginária da sociedade. Tradução de Guy Reynaud. Revisão técnica de Luis Roberto Salinas Fortes. 3 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1991.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cornelius_Castoriadis

PETER TOSH

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

CECÍLIA MEIRELES (3)

MOTIVO
(Cecília Meireles)




Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gosto nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.




MEIRELES, Cecília. Antologia Poética. 3a.ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor,1966.

domingo, 4 de novembro de 2007

SCHOPENHAUER (3)

Schopenhauer
Em
Ensaio Acerca Das Mulheres



“Nas circunstâncias difíceis não se deve deixar de apelar, como outrora faziam os Germanos, para os conselhos das mulheres; porque elas têm um modo de conceber as coisas, inteiramente diferente do nosso”.


“Vão diretas ao fim pelo caminho mais curto, porque os seus olhares fixam-se, em geral, naquilo que têm à mão: enquanto que a nós, pelo contrário, o nosso olhar ultrapassa, sem se deter nelas, coisas que nos ferem os olhos, e procura mais além; precisamos ser chamados a um modo de ver mais simples e mais rápido”.


“Acrescente-se a isto que as mulheres têm decididamente um espírito mais assente, e não vêem nas coisas senão o que nelas há realmente; ao passo que, sob a impressão das nossas paixões excitadas, vemos aumentados os objetos, e imaginamos quimeras”.




SCHOPENHAUER, A. Amor, Mulheres e Casamento. Tradução de Fernandes Costa.Recife: Distribuidora de Publicações, s/data.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Schopenhauer

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

LA ROCHEFOUCAULD (5)

LA ROCHEFOUCAULD



Máxima 495
“É preciso que os jovens que entram para a sociedade tenham vergonha ou estabanamento: um ar de capacidade e circunspeção transforma-se geralmente em impertinência”.


Máxima 496
“As disputas não durariam tanto se o erro estivesse somente de um dos lados”.


Máxima 498
“Existem pessoas tão levianas e tão frívolas, que estão longe de ter verdadeiros defeitos e sólidas qualidades”.


Máxima 500
“Há pessoas tão apegadas a si próprias que, quando estão enamoradas, encontram um jeito de ocupar-se mais da sua paixão do que com o amado”.


Máxima 503
“O ciúme é o pior de todos os males e o que menos compaixão desperta nas pessoas que o causam”.




François de La Rochefoucauld foi um nobre que escreveu apenas dois livros. Um de memórias e outro de máximas. Filho do duque de Poitou, suas máximas foram publicadas pela primeira vez em 1664, anônimas. Retrabalhadas reapareceriam em 1678. La Rochefoucauld faleceu em 1688.

LA ROCHEFOUCAUD, François VI de. Reflexões e Máximas Morais. Tradução de Alcântara Silveira. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1969.

RABISCOS NO BLOCO


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

JUNQUEIRA FREIRE

MARTÍRIO
(Junqueira Freire)




Beijar-te a fronte linda;
Beijar-te o aspecto altivo;
Beijar-te a tez morena;
Beijar-te o rir lascivo;

Beijar-te o ar que aspiras;
Beijar-te o pó que pisas;
Beijar-te a voz que soltas;
Beijar-te a luz que visas;

Sentir teus modos frios;
Sentir tua apatia;
Sentir até repudio;
Sentir essa ironia;

Sentir que me resguardas;
Sentir que me arreceias;
Sentir que me repugnas;
Sentir que até me odeias;

Eis a descrença e a crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!

Eis o estertor da morte,
Eis o martírio eterno,
Eis o ranger de dentes,
Eis o penar do inferno!





LOUSADA, Wilson (Org.) Cancioneiro do Amor. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1952.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Jos%C3%A9_Junqueira_Freire

DIA MUNDIAL DA PAZ - John Lennon - Give Peace a Chance

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

FERNANDO PESSOA (7)

Lisbon Revisited
(Álvaro de Campos)




Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas complexos, não me enfileirem conquistas.
Das ciências (das ciências. Deus meu, das ciências!) –
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo direito a sê-lo.
Com todo direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim.
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

O céu azul – o mesmo da minha infância –
Eterna verdade vazia e perfeita!
O macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu não sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!





PESSOA, Fernando. Poemas Escolhidos. Seleção e organização de Frederico Barbosa. São Paulo: O Estado de S. Paulo/Klick Editora, 1996.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

HEGEL (2)

Hegel
Em
Introdução à História da Filosofia




“A filosofia desponta num determinado momento de desenvolvimento da cultura. Contudo, os homens não criam uma filosofia ao acaso: é sempre uma determinada filosofia que surge no seio dum povo, e a determinação do ponto de vista do pensamento é idêntica à que se apodera de todas as demais manifestações históricas do espírito desse povo, está em íntima relação com elas e delas constitui o fundamento”.


“Sempre que o espírito alcançou determinado grau da sua autoconsciência, elabora e faz penetrar este princípio em toda a riqueza das suas múltiplas relações.
Este rico espírito dum povo é um organismo, semelhante a uma catedral que, composta de numerosas abóbadas, naves, colonadas e vestíbulos, é sempre manifestação dum todo, duma unidade, cujas partes se coadunam para um fim.
A filosofia é uma forma destes múltiplos aspectos”.


“Enquanto a filosofia está no espírito do seu tempo, este é o seu conteúdo determinado; mas, simultaneamente, como saber, pelo fato de o ter situado em frente de si (como problema), já o ultrapassou; mas este progresso limita-se à forma, visto que na realidade não possui outro conteúdo”.







HEGEL, G. W. F. “Introdução À História Da Filosofia”. Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. In. _________ Hegel. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Os pensadores)


Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

NIETZSCHE (9)



Friedrich Nietzsche
Em
O Viajante e sua sombra.






277 – A má conclusão

“Que más conclusões tiramos nas áreas que não nos são familiares, quando na qualidade de homens de ciência, temos o hábito de tirar boas conclusões!

É vergonhoso dize-lo.

É claro que, nas coisas da política, em tudo o que os acontecimentos de cada dia têm de repentino e de apressado, é precisamente essa espécie de conclusão defeituosa que decide; ninguém se adapta logo e totalmente às coisas novas que brotaram numa noite; mesmo nos maiores homens de Estado, toda política é de improvisação ao acaso dos acontecimentos”.





NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O Viajante e sua Sombra. Tradução: Antonio Carlos Braga e Ciro Miranda. São Paulo: Editora Escala, 2007.

sábado, 27 de outubro de 2007

OSCAR WILDE (9)

OSCAR WILDE
Em
O RETRATO DE DORIAN GRAY



“Podemos sempre ser bons para com as pessoas que nada representam para nós”.


“A cor da vida pode interessar, mas os pormenores nunca devem ser considerados. São sempre vulgares”.


“ - Mas as mulheres admiram a crueldade, a crueldade absoluta, mais que tudo.
Elas possuem admiráveis instintos primitivos.
Nós as emancipamos, mas mesmo assim, elas continuam sendo escravas, à procura de um senhor.
Gostam de ser dominadas”.




WILDE, Oscar O Retrato de Dorian Gray. In.__________ Obra Completa. Tradução de Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, Ltda., 1961.

KLIMT


Osterreichisches Museum fur Angewandte Kunst

JUDITH I
1901 – oleo sobre tela – 84 x 42 cm.
Autor: Gustav Klimt

Sobre o autor:

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ARISTÓTELES

ARISTÓTELES
Em
Arte Retórica


“A Retórica é útil, porque o verdadeiro e o justo são, por natureza, melhores que seus contrários. Donde se segue que se as decisões não forem proferidas como convém, o verdadeiro e o justo serão necessariamente sacrificados: resultado este digno de censura.
Acresce que, em presença de certos ouvintes, mesmo que estejamos de posse da mais rigorosa ciência, seria difícil extrair desta provas convincentes para nossos discursos “.


“Admitamos que amar é querer para outrem aquilo que reputamos serem bens, e isto não em nosso interesse, mas no interesse dele; é também, na medida de nossas forças, agir para proporcionar-lhe essas vantagens”.


“A cólera é seguida necessariamente de certo prazer, proveniente da esperança que se tem de se vir a vingar”.


“A cólera é seguida de um certo prazer, pela razão acima apontada e também porque o homem passa o tempo a vingar-se em pensamento; a imaginação entrando em ação causa-nos prazer, como o faz nos sonhos”.


“Em todos os casos, a convicção dos juízes resulta ora do estado em que conseguimos colocá-los, ora das disposições que eles conferem aos que falam, ora, finalmente, da demonstração que lhes foi apresentada”.





ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética.Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1969.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles

RABISCOS NO BLOCO


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

PASCAL (6)

Pensamentos
(Blaise Pascal)



267 – A última tentativa da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam. Revelar-se-á fraca se não chegar a percebê-lo. Pois, se as coisas naturais a ultrapassam, que dizer das sobre naturais?




PASCAL, Blaise. Pensamentos. Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

Sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

PEDRO BLOCH

Pedro Bloch
Em
Sentimento De Inferioridade



Não sei se vocês se lembram daquela anedota do psicanalista a quem um paciente foi consultar por causa de um “complexo de inferioridade”. O médico o examinou de todas as formas, testou-o de mil maneiras e acabou concluindo:

- Quer saber de uma coisa? O senhor não sofre de nenhum complexo de inferioridade. O que acontece é que o senhor é inferior mesmo.

Isto na anedota. Na realidade a coisa não tem nada de risível e é Adler quem nos explica:

“O sentimento de inferioridade nem sempre tem como causa uma inferioridade orgânica. O mesmo sentimento se encontra em meninos com cargas pesadas, que cresceram na miséria ou sofreram reveses da sorte. Igualmente se acumulam dificuldades quando as crianças se vêem privadas de amor e afeto. Isto detém o desenvolvimento de seus sentimentos altruístas, de sua sociabilidade, assim como sua confiança nos seres humanos. Sempre estarão desiludidos e se crêem constantemente enganados e humilhados”.

Tornar uma criança feliz é a meta maior de qualquer família, de qualquer governo, de qualquer país. O maior dos crimes é roubar a infância de um ser humano.





BLOCH, Pedro. Criança Diz Cada Uma!. Ilustrações de Luiz Sá. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1963.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Bloch

terça-feira, 23 de outubro de 2007

PAUL VALÉRY

Dos Cadernos de Valéry



“Meu fácil me enfada. Meu difícil me guia”.


“As obras do homem me parecem excrementos – resíduos de atos. Eu só as amo por imaginar os atos formadores”.


“Horror da repetição, do trabalho isolado da invenção, da facilidade, da ambição fundada nos outros.
... tentar descobrir, liberar, eliminar tudo o que se repete, ou repete – Daí tantas buscas”.


“O verdadeiro pecado é escrever para o público”.


“Não cabe ao autor, mas ao outro fornecer os seus sentimentos. A finalidade de uma obra – honesta – é simples e clara: fazer pensar. Fazer pensar, a contragosto, o leitor. Provocar atos internos”.




CAMPOS, Augusto de. Paul Valéry: A serpente e o pensar. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Val%C3%A9ry

J. CARLOS

Capa da revista “CARETA”
De 6 de junho de 1908
Autoria: J. CARLOS

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/J.Carlos

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

STANISLAW PONTE PRETA (2)

Stanislaw Ponte Preta
Em
Máximas Inéditas De Tia Zulmira





“Entre as três coisas melhores desta vida, comer está em segundo e dormir em terceiro”.

“As estatísticas corretas nos deixam sempre uma falsa impressão”.

“Uma mulher no passado da gente dói muito mais do que duas”.

“Quem briga por causa de besteira não está psicologicamente preparado para ser gente”.

“Ou todos nos locupletamos ou restaure-se a moralidade”.




PONTE PRETA, Stanislaw. Máximas Inéditas De Tia Zulmira. Desenhos de Jaguar. Prefácio de Sergio Cabral. Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1976.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Porto

domingo, 21 de outubro de 2007

MÁRIO QUINTANA (6)

O ÚLTIMO POEMA
(Mario Quintana)



Enquanto me davam a extrema unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar
[pensando sempre a mesma coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo.




QUINTANA, Mario Quintana de Bolso. Porto Alegre: L&PM, 1997.

RABISCOS NO BLOCO


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

VINICIUS DE MORAES (2)

Vinicius de Moraes
Em
A Mulher e o Signo




Libra


A mulher de Libra
Não tem muita fibra
Mas vibra.

Quer ver uma libriana contente?
Dê-lhe um presente.

Quando o marido a trai
A mulher de Libra
balança mas não cai.

Se você a paparica
Ela fica.

Com librium ou sem librium
Salve, venusina
Que guarda o equilíbrio
Na corda mais fina.





MORAES, Vinicius de. A Mulher e o Signo. Desenhos de Otávio F. de Araújo. Rio de Janeiro: Rocco, 1980.

SIDNEY MINTZ

Sidney Mintz
Em
Cultura: uma visão antropológica
.



“Não apenas a formulação “uma cultura para uma sociedade” confina nossas interpretações; ela também tende a falsear a forma de representação dos modos pelos quais uma cultura, enquanto um corpo de materiais historicamente derivados, está encarnada nos eventos sociais”.


“O exemplo que já mencionei dos trabalhos de campo de Eric Wolf e meu próprio implicam em algo sobre variabilidade dentro de um campo singular de materiais historicamente derivados, até o ponto que seja do interesse dos usuários. Ele introduz na discussão a noção de diferenças de várias espécies, incluindo diferenças muito importantes de destino econômico e oportunidades de vida, podendo modificar radicalmente quaisquer formas particulares entre as alternativas que pessoas de um sistema cultural possam empregar, bem como o significado que estas formas possam ter para elas.”


“... quando trabalhamos com o que é pretendido por atores em um sistema social, atores que empregam uma variante cultural em vez de outra em diversos pontos de suas vidas, parece necessário se dar ênfase em que a relação entre intenção, ato e conseqüência não é uma relação invariante. Pessoas em posições diferentes podem presumivelmente fazer a mesma coisa, significando coisas bem diferentes por terem feito aquilo, e provocando conseqüências bem diferentes por seus atos similares”.





MINTZ, Sidney W. Cultura: uma visão antropológica. Tradução de James Emanuel de Albuquerque. Tempo , 2010, vol.14, n.28, pp.223-237. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/40064637/Cultura-uma-visao-antropologica

Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Sidney_Mintz

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

STENDHAL (3)

STENDHAL
Em
DO AMOR



”As mulheres se prendem pelos favores. Como dezenove vigésimos de seus devaneios habituais são relativos ao amor, após a intimidade esses devaneios se agrupam em torno de um só objeto, e elas se pões a justificar um procedimento tão extraordinário, tão decisivo, tão contrário a todos os hábitos de pudor.

Esse trabalho não existe entre os homens; em conseqüência, a imaginação das mulheres pormenoriza à vontade momentos tão deliciosos.

Como o amor faz duvidar das coisas mais evidentes, a mulher que, antes da intimidade, estava segura de que seu amante era um homem acima do vulgar, logo que acredita não ter mais nada a lhe recusar, teme que ele não tenha procurado senão colocar uma mulher a mais em sua lista”.




STENDHAL Do Amor (Trechos Escolhidos). Seleção, Tradução e Prefácio de Wilson Lousada. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stendhal

terça-feira, 16 de outubro de 2007

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (4)



Mudança
(Carlos Drummond de Andrade)

O que muda na mudança,
se tudo em volta é uma dança
no trajeto da esperança,
junto ao que nunca se alcança?



Lembrete
(Carlos Drummond de Andrade)

Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.




ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: 10o ed, Record, 1987.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

ALAN WATTS (6)

Alan Watts
Em
Tabu





“Tal como o verdadeiro humor é rir de si mesmo, a verdadeira humanidade é o conhecimento de si mesmo.
As outras criaturas talvez também amem e riam, falem e pensem, mas a peculiaridade especial dos seres humanos parece ser seu raciocínio: pensam sobre o pensamento e sabem que sabem”.


“A consciência de si mesmo conduz à admiração e a admiração à curiosidade e à investigação, de maneira que nada interessa mais às pessoas do que as pessoas, mesmo que seja apenas a própria pessoa de cada um.
Todos os indivíduos inteligentes desejam saber o que é que os faz funcionar e, apesar disso, sentem-se fascinados e frustrados pelo fato de que seu próprio ser é o que existe de mais difícil para conhecer”.


“Aqueles a quem somos tentados a chamar de estúpidos ou chatos são, justamente, os que nada encontram de fascinante em serem humanos; sua humanidade é incompleta, já que nunca os surpreendeu.
Também há algo de incompleto naqueles que nada encontram de fascinante em ser.
O leitor poderá dizer que isto é um preconceito profissional de filósofo – que as pessoas são defeituosas por não terem o sentido do metafísico.
Mas qualquer pessoa que pense tem de ser um filósofo – bom ou ruim – pois é impossível pensar sem premissas, sem suposições básicas (e, neste sentido, metafísicas) sobre o que é sensato, o que é a vida adequada, o que é a beleza e o que é o prazer.
Ter tais suposições, consciente ou inconscientemente, é filosofar”.




WATTS, Alan. Tabu – O que não o deixa saber quem você é?. Tradução de Fernando de Castro Ferreira e Olavo de Carvalho. Edição especial de Planeta n 53-A. São Paulo: Editora Três, 1973.



Alan Watts foi um dos grandes divulgadores do pensamento zen-budista nos Estados Unidos e na Inglaterra. Recebeu o grau de mestre do Seabury-Western Theological Seminary, em Illinois, e um doutorado honorário em divindade da University of Vermont. Nasceu na Inglaterra, em 1915 e morreu em 1973 nos Estados Unidos.



Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Watts