sexta-feira, 23 de novembro de 2007

BENJAMIN PÉRET



Benjamin Péret
Em
AMOR SUBLIME





“Dois tipos de mulheres parecem-me aptos a viver o amor sublime, porque encarnam dois aspectos da feminilidade, cujos traços são nitidamente discerníveis, o que as isola de todos os tipos possíveis: a mulher-criança e a feiticeira, a primeira figurando a expressão otimista do amor e a segunda, sua face pessimista.
Suas personalidades, de contornos perfeitamente nítidos, opõem-nas unicamente a homens cuja virilidade adquiriu características distintivas igualmente precisas”.


“A mulher-criança suscita o amor do homem totalmente viril, pois ela o completa traço a traço. Este amor a revela a si mesma, projetando-a num mundo maravilhoso, e por isso se abandona inteiramente a ele.
Ela figura a vida que desperta em pleno dia, a primavera explodindo de flores e cantos. Instrumento ideal do amor sublime que soube vencer todos os obstáculos, apresentando-se como única capaz de exaltar seu amante, pois o amor a deslumbrou.
Ela é levada pelo seu coração, sem esforço e sem desconfiança, “ao outro lado do espelho”.
Esperava o amor como o broto aguarda o sol, e o acolhe como um presente inesperado, mais suntuoso do que ela poderia ter sonhado.
É portadora do amor sublime em potencial, mas é preciso que ele lhe seja revelado. É toda felicidade, em qualquer condição que seu amor a coloque, pois ele ilumina sua vida: ela é o amor salvador”.


“Opostamente, a feiticeira é a mulher fatal que desencadeia a paixão, não para exaltar a vida, mas para se lançar à catástrofe e aí conduzir seu amante.
Ela só é amor contido aspirando a explodir. Muitas vezes arrebata o homem de sua escolha. Possui, portanto, certos traços viris, ao contrário da mulher-criança.
É este duplo aspecto que fascina tantos homens. Ela tira seu poder do eco recebido por seu apelo, endereçado ao elemento feminino que jaz em todo homem”.


“Se a mulher-criança oferece um objetivo imediato às relações do homem e da mulher, a feiticeira mostra a impossibilidade de atingir este objetivo nas condições atuais. Ao mesmo tempo que desdobra os maiores esforços para que triunfe seu amor, age como se pensasse que ele não era destinado a esse mundo, mas a um outro além da morte”.




PÉRET, Benjamin. Amor sublime: ensaio e poesia. Organização: Jean Puyade. Tradução: Sérgio Lima, Pierre Clemens. São Paulo: Brasiliense, 1985.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_P%C3%A9ret

2 comentários:

Espaços abertos.. disse...

Uma história de personalidades divergentes mas que se ompletam pelo seu estatuto como mulheres,uma duplicidade enfeitiçada...
Bom fim de semana
BJs Zita

L.Reis disse...

Muito se escreve e fala sobre as mulheres...começo mesmo a acreditar que somos uma raça à parte :D:D Desconhecia por completo este autor...