terça-feira, 23 de setembro de 2008

JEAN GENET (2)



Jean Genet
Em
Diário de um Ladrão





“Não conheço nenhum malandro que não seja criança.
Que espírito “sério”, ao passar diante de uma joalheria, um banco, inventaria, minuciosamente e com gravidade, os detalhes de um ataque ou de um assalto?
A idéia de uma associação de companheiros fundada – não sobre o interesse dos associados – num acordo cúmplice próximo da amizade, para se fazer ajudar, onde poderia ele encontrá-la senão numa espécie de sonho, de jogo gratuito, que chamam de romanesco?”




“Conheço a calma extraordinária no momento de realizar o roubo e o temor que a acompanha.
Na vitrine de um joalheiro: enquanto não estou dentro, não acredito que vou roubar.
Mal entro, tenho a certeza de que sairei com uma jóia: um anel ou as algemas.
Essa certeza se traduz por um longo arrepio que me deixa imóvel, mas vai da nuca aos calcanhares.
Ele se exaure nos meus olhos cujos contornos seca.
As minhas células, me parece, transmitem umas às outras uma onda, um movimento ondulatório que é a própria substância da calma.
Penso-me do calcanhar à nuca.
Acompanho a onda.
Ela nasceu do medo.
Sem ela, não existiria essa calma em que o meu corpo mergulha – que o meu corpo atinge”.








GENET, Jean. Diário de um Ladrão. Tradução de Jacqueline Laurence e Roberto Lacerda. Rio de Janeiro: Editora Rio Gráfica, 1986.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Genet

2 comentários:

Francine Esqueda disse...

Obrigadão pela visita!
Um super beijo e bom resto de semana!

claudio boczon disse...

muito boas as reflexãos, vou procurar conhecer melhor o autor.

abraço