quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

DANTE ALIGHIERI



Dante Alighieri
Em
Da Monarquia.





“A arte apresenta-se em três formas: no espírito do artífice, no órgão, e, enfim, na matéria trabalhada; assim, também a natureza pode ser encarada em três estados.

De fato, a natureza existe no espírito do primeiro motor que é Deus; depois, no céu que é como o órgão material, pelo qual uma imagem de bondade eterna é impressa na matéria fluida.

Quando o artífice é excelente e o órgão também, se a forma é realizada imperfeitamente, é tão somente à matéria que será necessário atribuir o defeito; ora, Deus realiza a soberana perfeição e seu aparelho, que é o céu, não é privado de nenhuma das perfeições convenientes, assim como estabelece a filosofia das esferas; assim sendo, tudo o que se acha defeituoso nas coisas inferiores deve seu caráter deficiente à matéria; se os defeitos existem, é fora de intenção de Deus criador e do céu; ao contrário, tudo quanto é de bom nas coisas inferiores não pode provir da matéria, que é um puro poder; é preciso atribuir esse bem, em primeiro lugar a Deus, e, em segundo lugar, ao céu, que é o órgão, a arte divina e que é comumente chamado Natureza.

De tudo quanto precede, resulta que o direito, pois que o direito é o bem, existe, antes de tudo, na inteligência de Deus; ora, tudo quanto existe na inteligência de Deus, é Deus (segundo a palavra: tudo o que foi feito, nele era vida), e Deus quer estar acima de tudo, por isso, o direito, desde que está em Deus, é porque Deus assim o quer.

Como o que Deus quer e a coisa desejada são a mesma coisa, a vontade divina é o direito”.








ALIGHIERI, Dante. “Da Monarquia”. In. Pensadores Italianos. Prefácio de Adolfo Rava. Traduções de Antônio Piccarolo e Leonor de Aguiar. Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1950.

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