terça-feira, 15 de janeiro de 2008

LEIBNIZ (2)



LEIBNIZ
Em
As Idéias


Os modos relativos ao pensamento.



Filaleto – A sensação é, por assim dizer, a entrada atual das idéias no entendimento através dos sentidos.

Quando a mesma idéia volta ao espírito, sem que o objeto externo que a gerou atue sobre os nossos sentidos, este ato do espírito se denomina reminiscência; se o espírito procura recordá-la e a encontra depois de algum esforço e a torna presente, temos o recolhimento.

Se o espírito a considera durante longo tempo com atenção, temos a contemplação; quando a idéia que temos no espírito flutua, por assim dizer, sem que o entendimento lhe preste atenção, é o que denominamos devaneio.

Quando refletimos sobre idéias que se apresentam por si mesmas, e as registramos, por assim dizer, na nossa memória, temos a atenção; e quando o espírito se fixa sobre uma idéia com muita aplicação, e a considera de todos os lados e não quer desviar-se dela apesar de outras idéias que lhe ocorrem, temos o estudo ou contenção de espírito..

O sono que não é acompanhado por nenhum sonho constitui a cessação de todas estas coisas; sonhar é ter essas idéias no espírito enquanto os sentidos externos estão fechados, de maneira que não recebem a impressão dos objetos externos com a vivacidade que lhes é comum. É ter idéias sem que elas nos sejam sugeridas por nenhum objeto de fora, ou por nenhuma ocasião conhecida, e sem que tais idéias sejam escolhidas ou determinadas de nenhuma forma pelo entendimento.

Quanto ao que chamamos êxtase, deixo o assunto a outros, se não for sonhar com os olhos abertos”.





LEIBNIZ, Gottfried Wilhelm. Novos ensaios sobre o entendimento humano. Tradução de Luiz João Baraúna. – 5a. ed. – São Paulo:Nova Cultural, 1992. – (Os pensadores) v.1.

Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Leibniz

2 comentários:

Anônimo disse...

Mas é tão difícil!

Carol Rocha disse...

Que interessante isso!