sábado, 8 de novembro de 2008
GROUCHO MARX
Groucho Marx
Em
Memórias de um amante desastrado.
“Na medicina os estilos mudam quase tanto como as roupas femininas.
A panacéia da saúde de hoje torna-se a beladona fatal de amanhã”.
“Justiça seja feita, devo dizer que meu pai nunca, por um momento sequer, pensou seriamente em vender os filhos e fugir.
“O que me dariam por esses cinco garotos usados?”, sua voz ecoou por toda a velha mansão arruinada.
“Acho que vou ficar por aqui mesmo”.
“Nessa época, muito se especulava sobre a forma da Terra.
É claro, caro leitor, que este não é o lugar adequado para expor teorias próprias, e nem gostaria que as coisas que digo se espalhassem por aí, mas minha mente não tem dúvida de que a Terra é um perfeito triangulo.
E se é prova que você quer, tenho muitas.
Por que é que todos os peixes nadam debaixo d’água?
Por que é que as pessoas vão à Flórida no inverno e a Quebec no verão, ou vice-versa?
Por que é que uma pessoa nunca faz uma quadra de ases sem tirar três ases e meio da manga?
É só fazer essas perguntas a alguém que acha que o mundo é redondo, e ver o que ele responde.
Não espero que você entenda o significado do que acabo de escrever, até que tenha lido o parágrafo acima algumas vezes.
Pessoalmente, acho que você seria um idiota se o fizesse.
Eu mesmo o li seis vezes e ainda não entendi”.
MARX, Julius Henry. Memórias de um Amante Desastrado. Tradução de José Simão e Bira Borges. 2ª. Edição. São Paulo: Marco Zero, 1990.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Groucho_Marx
THOMAS GAINSBOROUGH

Fitzwilliam Museum at the University of Cambridge, UK
Heneage Lloyd and his sister
c.1750 – óleo sobre tela – 64,1 x 81,0 cm.
Autor: Thomas Gainsborough
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Gainsborough
Heneage Lloyd and his sister
c.1750 – óleo sobre tela – 64,1 x 81,0 cm.
Autor: Thomas Gainsborough
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Gainsborough
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
KAFKA (3)
Franz Kafka
Em
A Questão das Leis
“Nossas leis em geral não são conhecidas: constituem um segredo da pequena aristocracia que nos governa”.
“Estamos certos de que essas velhas leis são fielmente observadas, mas de qualquer modo é uma coisa extremamente desagradável a gente ser governada por leis que não conhece.
Não quero com isso referir-me às diferentes maneiras pelas quais pode ser feita a interpretação dos códigos, nem às desvantagens implícitas no fato de apenas uma minoria e não todo o povo ter direito de voz na respectiva interpretação; essas desvantagens talvez não sejam tão grandes.
Pois que as leis são muito antigas, a sua interpretação tem sofrido o rigor dos séculos e naturalmente adquiriu também força de lei; embora ainda seja possível certa liberdade ao interpretá-las, essa liberdade resulta muito limitada.
Mesmo porque os aristocratas não têm nenhuma razão plausível para se deixarem influenciar, na interpretação, por interesses pessoais contrários aos nossos – visto que as leis já foram feitas em favor dos aristocratas, desde o princípio, e eles próprios estão acima das leis, sendo possivelmente esta a razão pela qual têm a lei exclusivamente em suas mãos.
Decerto vai sabedoria nisso (quem poria em dúvida a sabedoria das vetustas leis?), mas também vai para conosco certa dureza, provavelmente inevitável”.
KAFKA, Franz. Parábolas e Fragmentos. Tradução e Introdução de Geir Campos. Ilustrações: POTY. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1967.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Kafka
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
RICHELIEU
Richelieu
Em
Testamento Político.
“Não há peste tão capaz de arruinar um Estado, quanto os aduladores, maldizentes, e certos espíritos que não têm outro desígnio sanão formar cabalas e intrigas nas cortes em que vivem.
São tão industriosos a espalhar seu veneno, por diversas formas imperceptíveis, que é difícil obter-se garantia contra eles sem tomar cuidado de muito perto”.
“Não é suficiente aos grandes príncipes nunca abrirem a boca para mal falar seja de quem for, mas a razão requer que fechem os ouvidos às maledicências e às intrigas, banindo e expulsando àqueles que são autores, como pestes perigosas que envenenam as cortes e o coração dos príncipes, e o espírito de todos aqueles que dele se aproximam”.
“Assim, se se castigam todos aqueles que faltarem à satisfação de seus deveres e obrigações, castigados serão poucos porque poucos se encontram que de coração alegre se exponham à sua perda, quando a saibam inevitável, e, com a morte de poucos, a muitos se terá conservado a vida, bem como a ordem em todas as coisas”.
RICHELIEU. Testamento Político. Tradução e Apêndice de David Carneiro. São Paulo: Atena Editora, 1956.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardeal_de_Richelieu
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
HEGEL (4)
HEGEL
Em
A Fenomenologia do Espírito.
“O elemento e conteúdo da filosofia não é o abstrato ou o inefetivo, mas o efetivamente real, o que se põe a si mesmo e é vivente em si, o existir no seu conceito.
O elemento da filosofia é o processo que produz os seus momentos e os percorre, e esse movimento total constitui o positivo e a verdade do mesmo positivo.
Tal positivo contém igualmente em si o negativo, que deveria ser chamado o falso, se o falso pudesse ser tratado como algo do qual se devesse abstrair.
Ao contrário, o que está desaparecendo é que deve ser tratado como essencial, não na determinação de algo fixo, separado do verdadeiro e que deve ser deixado fora dele, não se sabe bem onde, assim como o verdadeiro não deve ser considerado como o positivo morto, que jaz inerte da outra parte.
A aparição é o movimento do surgir e do passar que não surge e nem passa mas é em si, e constitui a efetividade e o movimento da vida da verdade.
O verdadeiro é, assim, o delírio báquico no qual não há membro que não esteja embriagado, e porque cada membro, na medida em que se separa, imediatamente se dissolve, é igualmente o repouso translúcido e simples.
No tribunal desse movimento as figuras singulares do Espírito, bem como os pensamentos determinados, não se mantêm, mas, do mesmo modo como existem negativamente e em vias de desaparecer, são também momentos positivos necessários.
No todo do movimento compreendido como repouso, o que se distingue no movimento e confere a si mesmo um existir particular é conservado como algo que se interioriza na recordação, cujo existir é o saber de si mesmo, do mesmo modo como esse saber é imediatamente existir”.
HEGEL, G. W. F. “A Fenomenologia do Espírito”. Seleção, tradução e notas de Henrique Cláudio de Lima Vaz. In. _________ Hegel. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Os pensadores).
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel
terça-feira, 4 de novembro de 2008
LUÍS DE CAMÕES (6)
SONETO 98
(Luís de Camões)
Verdade, Amor, Razão, Merecimento
Qualquer alma farão segura e forte,
Porém Fortuna, Caso, Tempo e Sorte
Têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento,
E não sabe a que causa se reporte;
Mas sabe que o que é mais que vida e morte
Que não o alcança humano entendimento.
Doutos varões darão razões subidas,
Mas são experiências mais provadas,
E por isto é melhor ter muito visto.
Cousas há i que passam sem ser cridas,
E coisas cridas há sem ser passadas.
Mas o melhor de tudo é crer em Cristo.
CAMÕES, Luís de. Obra Completa. Organização, introdução, comentários e anotações do Prof. Antônio Salgado Júnior. Rio de Janeiro: Companhia Aguilar Editora, 1963.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
KRISHNAMURTI
Krishnamurti
Em
O medo.
“Assim, o homem que deseja compreender a morte tem de compreender a vida.
E o viver não é isso que chamamos “viver”, esse campo de batalha existente tanto em nosso interior como exteriormente.
O viver é coisa inteiramente diferente, na qual nenhum medo existe.
E para nos livrarmos do medo temos de estar livre desde o começo, para podermos examiná-lo, investigá-lo, penetrá-lo.
Vê-se então que viver é morrer, porque o viver é de momento em momento.
O que tem continuidade é o desespero e não o viver; e quando há desespero, é claro que há pensamento.
É desse modo que se cria o círculo vicioso do pensamento.
O problema da vida consiste unicamente em operar-se uma mutação, não numa data futura, porém imediatamente, instantaneamente; e essa mutação instantânea só pode verificar-se quando estais completamente atento”.
“Para compreenderes a vida, não podeis negar a vida.
Para compreendê-la, tendes de vivê-la.
E não podeis vivê-la se não sois livre, livre desde o começo, desde a infância mesmo, para olhar, observar, escutar, sentir.
Em virtude desses observar, escutar, olhar, a pessoa se torna delicada, afetuosa, atenciosa, cortês: Há então um próximo.
Onde há consideração há afeição, e esta não é produto do intelecto.
E, quando tendes tal afeição, talvez então daí provenha o amor – não no tempo, não amanhã”.
KRISHNAMURTI, Jiddu. Viagem por um Mar Desconhecido. Tradução de Hugo Veloso. São Paulo: Editora Três, 1973.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti
sábado, 1 de novembro de 2008
GIBRAN KHALIL GIBRAN
Gibran Khalil Gibran
Em
Uma Lágrima e um Sorriso.
O Primeiro Beijo
“É o primeiro sorvo da taça que os deuses encheram com o elixir do amor.
É o limite que separa a dúvida que persegue e entristece o coração da certeza que o ilumina e alegra.
É o primeiro verão do poema da vida espiritual, e a primeira cena do maior dos dramas humanos.
É o traço de união entre um passado de expectativa e um futuro de esplendor, entre o silêncio dos sentimentos e suas canções.
É uma palavra que quatro lábios pronunciam ao mesmo tempo, fazendo do coração um trono, e do amor, um soberano, e da felicidade, uma coroa.
É uma carícia meiga, similar à passagem da brisa sobre as pétalas das rosas, uma carícia que é um suspiro prolongado e voluptuoso e um gemido leve e envolvente.
É o início de vibrações mágicas que transportam os enamorados dos mundos dos pesos e medidas ao mundo da inspiração e dos sonhos.
É a união da anêmona com a flor da romãzeira e a mistura de seus hálitos para a criação de um terceiro hálito...
E se o primeiro olhar se assemelha a uma semente que os deuses do amor plantam no coração humano, o primeiro beijo é como a primeira flor na ponta do primeiro ramo da árvore da vida”.
GIBRAN, Gibran Khalil. Uma Lágrima e um Sorriso. Tradução e apresentação de Mansur Chalita. Rio de Janeiro: Associação Cultural Internacional Gibran, 1977.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Khalil_Gibran
VICTOR EMIL JANSSEN
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