segunda-feira, 3 de maio de 2010

ANDRÉ MALRAUX

André Malraux
Em
A Condição Humana.





“O essencial, o que o perturbava até a angústia, era que de repente se separara dela, não pela raiva (ainda que houvesse raiva nele), não pelo ciúme (ou então seria o ciúme exatamente isso?); por um sentimento sem nome, tão destruidor como o tempo ou a morte: não a reencontrava.

Reabrira os olhos; que ser humano era aquele corpo desportivo e familiar, aquele perfil perdido; os olhos grandes, partindo das têmporas, mergulhados entre a testa ampla e as maçãs do rosto?

Aquela que acabara de ter relações?

Mas não era aquela que suportava as suas fraquezas, as suas dores, as suas irritações, aquela que tratara com ele os seus camaradas feridos, velara com ele os seus amigos mortos...

A doçura da sua voz, ainda no ar...

Não se esquece o que se quer.

No entanto, aquele corpo retomava o mistério doloroso do ser conhecido transformado de repente... do mudo, do cego, do doido.

E era uma mulher.

Não uma espécie de homem.

Outra coisa...”.






MALRAUX, André. A Condição Humana. Tradução de Jorge de Sena. Disponível em:
http://temqueler.files.wordpress.com/2009/12/andre-malraux-a-condicao-humana.doc


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