quarta-feira, 20 de agosto de 2008

VIOLANTE DO CÉU



Vida que não acaba de acabar-se
(Violante do Céu)






Vida que não acaba de acabar-se,
chegando já de vós a despedir-se,
ou deixa por sentida de sentir-se,
ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
pois chega já de vós a dividir-se,
ou procura vivendo consumir-se,
ou pretende matando eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Porque não se limite o que padece.

Mas, viver entre lágrimas, que importa?
Se vida que entre ausências permanece
É só vida ao pesar, ao gosto morta?






FARACO, Sérgio, org. Livro Dos Sonetos 1500 – 1900. Porto Alegre: L&PM, 1996.

Sobre a autora:
http://en.wikipedia.org/wiki/Violante_do_Ceo

Ver também:
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/violante.htm

Um comentário:

Sei que existes disse...

É um triste mas bonito poema.
Beijocas grandes