segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
OSCAR WILDE (14)
OSCAR WILDE
Em
O RETRATO DE DORIAN GRAY.
“- Não estou rindo, Dorian; pelo menos, não estou rindo de você. Mas não deve dizer: “a aventura romântica mais extraordinária da minha vida”.
Deve dizer: “a primeira aventura romântica da minha vida”.
Será sempre amado, e estará sempre enamorado do amor.
Uma grande paixão é privilégio de quem não tem nada que fazer.
É a única ocupação das classes ociosas de um país.
Não tenha medo. Coisas deliciosas o aguardam.
Isso é somente o começo.
- Pensa então que sou superficial? – exclamou Dorian Gray irritado.
- Não; penso que é muito profundo.
- Que quer dizer com isso?
- Meu caro amigo, os que não amam senão uma vez na vida, são os verdadeiramente superficiais.
O que eles chamam lealdade e fidelidade, eu chamo a letargia do costume ou a falta de imaginação.
A fidelidade é, para a vida emocional, o que a estabilidade é para a vida intelectual, uma simples confissão de fracassos.
Fidelidade! Algum dia vou analisá-la. Acha-se nela a paixão da propriedade.
Há muitas coisas que abandonaríamos se não temêssemos que outros as apanhassem”.
WILDE, Oscar O Retrato de Dorian Gray. In.__________ Obra Completa. Tradução de Oscar Mendes. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, Ltda., 1961.
sábado, 17 de janeiro de 2009
CECÍLIA MEIRELES (7)
SUGESTÃO
(Cecília Meireles)
Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre,
sem pergunta.
Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
Também com este ar da noite;
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.
Igual a pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.
A cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.
Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Não como o resto dos homens.
MEIRELES, Cecília. Mar Absoluto e outros poemas / Retrato Natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
OMAR KHÁYYÁM (4)
OMAR KHÁYYÁM
Em
Rubáyát.
66
Estou velho,
e a paixão que
me inspiraste arrastar-me-á
ao túmulo, pois não cesso
de encher de vinho
a grande taça.
Minha paixão por ti tem
razão contra mim mesmo...
E o tempo desfolha
a minha bela rosa...
117
O vinho
proporciona aos
sábios uma embriaguez
semelhante à dos Eleitos;
dá-nos a mocidade,
restitui-nos o que perdêramos,
põe ao nosso alcance tudo
quanto desejamos.
O vinho queima como uma
torrente de fogo, mas,
às vezes, tem sobre nossas
mágoas o efeito da água
pura e fresca.
KHÁYYÁM, Omar. Rubáiyát. Versão portuguesa de Otávio Tarquínio de Souza. 14a.ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1969.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Omar_Khayy%C3%A1m
Em
Rubáyát.
66
Estou velho,
e a paixão que
me inspiraste arrastar-me-á
ao túmulo, pois não cesso
de encher de vinho
a grande taça.
Minha paixão por ti tem
razão contra mim mesmo...
E o tempo desfolha
a minha bela rosa...
117
O vinho
proporciona aos
sábios uma embriaguez
semelhante à dos Eleitos;
dá-nos a mocidade,
restitui-nos o que perdêramos,
põe ao nosso alcance tudo
quanto desejamos.
O vinho queima como uma
torrente de fogo, mas,
às vezes, tem sobre nossas
mágoas o efeito da água
pura e fresca.
KHÁYYÁM, Omar. Rubáiyát. Versão portuguesa de Otávio Tarquínio de Souza. 14a.ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1969.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Omar_Khayy%C3%A1m
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
PAUL VALÉRY (4)
Dos Cadernos de Valéry:
"O proselitismo é o inimigo da
honestidade – Seus meios são todos
os meios (Seduzir, assombrar, confundir
as coisas.)
Não temos vontade de conquistar
ninguém quando nos damos conta
de tudo o que é preciso
conquistar primeiro dentro de
nós mesmos.Tédio".
"O que eu sei fazer me entedia; o que eu não
sei fazer me entristece".
CAMPOS, Augusto de. Paul Valéry: A serpente e o pensar. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Val%C3%A9ry
TERTÚLIAS VIRTUAIS: FOGO

O fogo como arma dos obscurantistas.
BERLIM – 1933
Cronologia de eventos onde livros foram queimados:
BERLIM – 1933
Cronologia de eventos onde livros foram queimados:
Este post faz parte do "Tertúlias Virtuais" proposta do Varal de Idéias e do Expresso da Linha, que ocorre todo dia 15 de cada mês.
Mais participantes do Tertúlia Virtual, aqui
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
KIERKEGAARD (3)
Sören Kierkegaard
Em
O Banquete.
“Observai que a mulher se de alguma coisa se queixa, não é de ser adorada: - é, pelo contrário, de deixar de o ser.
Se eu fosse mulher, acima de tudo exigiria que ninguém me fizesse a corte, dispensaria muito bem os galanteios; contentar-me-ia com pertencer ao sexo fraco, aceitaria a verdade da minha situação, e teria o brio de repelir as mentiras dos homens.
A mulher não pensa assim, pouco se importa com a verdade”.
“Agradeço, pois, aos deuses o ter nascido homem, e não mulher.
Com isto, porém, não deixo de pensar nas vantagens que perdi.
Desde as canções do botequim até aos versos de tragédia, a poesia é uma apoteose da mulher, para maior infelicidade dela e do seu adorador, porque, se este não tiver cuidado, quando estiver no melhor do seu culto, sentirá que o rosto lhe emagrece.
O homem deve à mulher tudo quanto faz de belo, de insigne, de espantoso, porque da mulher recebeu o entusiasmo; ela é o ser que exalta.
Quantos moços imberbes, tocadores de flauta, não celebraram já o tema?
E quantas pastoras ingênuas não o ouviram também?
Confesso a verdade quando digo que a minha alma está isenta de inveja e cheia de gratidão para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher – grandeza imensurável, que encontra a sua felicidade na ilusão.
Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significação precisa, do que ser uma abstração precisa, do que ser uma abstração susceptível de todas as interpretações”.
KIERKEGAARD, Sören. O Banquete. Tradução de Álvaro Ribeiro. 3ª. Ed. Lisboa: Guimarães Editores, 1972.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B8ren_Kierkegaard
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
GEORGES DUBY
Georges Duby
Em
O Casamento na sociedade da alta idade média.
“Como todos os organismos vivos, as sociedades humanas são o lugar de uma pulsão fundamental que as incita a perpetuar sua existência, a se reproduzirem no quadro de estruturas estáveis.
A permanência dessas estruturas é, nas sociedades humanas, instituída conjuntamente pela natureza e pela cultura.
O que de fato importa é a reprodução não apenas dos indivíduos mas também do sistema cultural que os reúne e que ordena suas relações.
Aos preceitos do código genético individual acrescentam-se, portanto, os de um código de comportamento coletivo, de um conjunto de regras que aspiram a ser igualmente inquebráveis e que pretendem definir antes de tudo o estatuto respectivo do masculino e do feminino (...) regras cujo objetivo é claramente instituir um casal, oficializar a confluência de dois “sangues”, e também (mais necessariamente) organizar, para além da conjunção de duas pessoas, a de duas células sociais de duas “casas”, a fim de que seja engendrada uma célula de forma semelhante“.
“O sistema cultural a que me refiro é o sistema de parentesco, o código a que me refiro é o código matrimonial. No centro desses mecanismos de regulação, cuja função social é primordial, tem o seu lugar, com efeito, o casamento”.
DUBY, Georges. Idade Média, Idade dos Homens. Tradução: Jônatas Batista Neto. São Paulo: Cia. Das Letras, 1989.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Duby
JOAN MIRÓ

Guggenheim Museum, New York City.
The Tilled Field
1923-1924 – óleo sobre tela – 63,5 x 92,7 cm.
Autor: Joan Miró
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joan_Mir%C3%B3
The Tilled Field
1923-1924 – óleo sobre tela – 63,5 x 92,7 cm.
Autor: Joan Miró
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joan_Mir%C3%B3
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
OSWALD SPENGLER (2)
Oswald Spengler
Em
A Decadência do Ocidente.
“Esse sistema, comumente adotado pelos habitantes da Europa ocidental dos nossos dias, e que faz as grandes culturas girarem em torno de nós, como se fossemos o centro de todas as ocorrências universais – costumo denomina-lo de sistema ptolomaico da História”.
“Quando Platão fala da “Humanidade”, refere-se aos gregos, em oposição aos bárbaros.
Isso corresponde perfeitamente ao estilo não-histórico da vida e da filosofia “antigas”, e dentro desses limites conduz a resultados que, para os helenos, são exatos e significativos.
Mas quando Kant filosofa, por exemplo, sobre ideais éticos, afirma a validez dos seus axiomas para os homens de todas as categorias e épocas.
Apenas não professa tal opinião, porque tanto ele mesmo como os seus leitores a julgam evidente”.
“Eis o que falta ao pensador ocidental e o que não deveria faltar justamente a ele: a compreensão da natureza histórico-relativa das suas conclusões, que não passam da expressão de um modo singular de ser, e somente dele.
O pensamento ocidental carece do conhecimento dos inevitáveis limites que restringem a validez de suas afirmações.
Ignora que suas “verdades inabaláveis” e suas “percepções eternas” são verdadeiras só para ele e eternas unicamente do ponto de vista da sua visão do mundo”.
SPENGLER, Oswald. A Decadência do Ocidente. Edição condensada por Helmut Webner. Tradução de Herbert Caro. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_Spengler
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