quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ANTÔNIO BARBOSA BACELAR



A uma ausência
(Antônio Barbosa Bacelar)





Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal, que me consome, me sustenta;
O bem, que me entretém, me dá cuidado.

Ando sem me mover, falo calado;
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado.

Choro no mesmo ponto em que me rio;
No mor risco me anima á confiança;
Do que menos se espera estou mais certo.

Mas se de confiado desconfio,
É porque, entre os receios da mudança,
Ando perdido em mim como em deserto.







MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa – através dos textos. 5ª. Ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1972.

Sobre o autor:
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/bacelar.htm

3 comentários:

L.Reis disse...

A corda bamba em que respiramos...

denise disse...

Energia pra nóis, meu querido amigo , muita linda esta , hein ?
Denise

CONCEIÇÃO DUARTE disse...

ANtonio Bacelar, no me de um Juiz do RIo de Janeiro ha tempos ...
Que Deus te ilumine e continue a escrever, faz bem para a alma de quem escreve e melhor ainda para a alma de quem lê. Lindo! BJus CON