quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

FLORBELA ESPANCA (8)



ERRANTE
(Florbela Espanca)






Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura...

Meu coração não chega lá decerto...
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto...

Eu tecerei uns sonhos irreais...
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!





ESPANCA, Florbela. A Mensageira das Violetas.
Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/
Fonte:
ESPANCA, Florbela. A mensageira das violetas: antologia. Seleção e edição de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Um comentário:

Anônimo disse...

A Florbela anda muito publicada! Merece!