sexta-feira, 31 de outubro de 2008
ALBINO FORJAZ DE SAMPAIO (2)
Albino Forjaz de Sampaio
Em
Mais além da Morte e do Amor.
“Há duas qualidades de homens que as mulheres não toleram: - os mudos, e os castrados”.
“Amemo-nos uns aos outros”
Digo isto a todas as mulheres”.
“O casamento!
É às vezes desejo de um homem prender uma mulher – que só se casa para ser livre”.
“Viver com todos é fácil e é difícil.
Fácil, porque dispensa a gente de ter opinião.
Difícil, porque é preciso que todos julguem que temos a sua”.
“O segredo da atração dos homens que têm muitas mulheres é que sabem escutar todas e não acreditar em nenhuma”.
“Se a história fosse escrita pelos que a representaram, então é que se veria como as grandes coisas e as ações heróicas não foram mais do que sórdidos apetites ou incontidos interesses”.
SAMPAIO, Albino Forjaz de. Mais além da Morte e do Amor. 2ª edição augmentada. Lisboa: Guimarães & Cia. Editores, 1923.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albino_Forjaz_de_Sampaio
Esta foi a postagem No. 700: estamos todos de parabéns!
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
PIERRE CLASTRES
Pierre Clastres
Em
A Sociedade Contra o Estado.
“Chefia e linguagem estão, na sociedade primitiva, intrinsecamente ligadas; a palavra é o único poder concedido ao chefe: mais do que isso, a palavra é para ele um dever.
Mas há uma outra palavra, um outro discurso, articulado não pelos chefes, mas por esses homens que, nos séculos XV e XVI, arrastavam atrás de si milhares de índios em loucas migrações em busca da pátria dos deuses: é o discurso do karai, é a palavra profética, palavra virulenta, eminentemente subversiva que chama os índios a empreender o que se deve reconhecer como a destruição da sociedade.
O apelo dos profetas para o abandono da terra má, isto é, da sociedade tal como ela era, para alcançar a Terra sem Mal a sociedade da felicidade divina, implicava a condenação à morte da estrutura da sociedade e do seu sistema de normas.
Ora, a essa sociedade se impunha cada vez mais fortemente a marca da autoridade dos chefes, o peso de seu poder político nascente.
Talvez então possamos dizer que, se os profetas, surgidos do coração da sociedade, proclamavam mau o mundo em que os homens viviam, é porque eles revelavam a infelicidade, o mal, nessa morte lenta à qual a emergência do poder condenava, num prazo mais ou menos longo, a sociedade tupi-guarani, como sociedade primitiva, como sociedade sem Estado.
Habitados pelo sentimento de que o antigo mundo selvagem tremia em seu fundamento, perseguidos pelo pressentimento de uma catástrofe sócio-cósmica, os profetas decidiram que era preciso mudar o mundo, que era preciso mudar de mundo, abandonar o dos homens e ganhar o dos deuses”.
CLASTRES, Pierre. A Sociedade Contra o Estado. Tradução de Theo Santiago. 4ª. Ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Clastres
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
EINSTEIN (4)
Albert Einstein
Em
Como Vejo o Mundo.
“A História das descobertas científicas e técnicas revela-nos quanto o espírito humano carece de idéias originais e de imaginação criadora.
E mesmo quando as condições exteriores e científicas para o aparecimento de uma idéia já existem há muito, será preciso, na maioria dos casos, uma outra causa exterior a fim de que se chegue a se concretizar.
O homem tem, no sentido literal da palavra, que se chocar contra o fato para que a solução lhe apareça”.
“Vou lhes fazer uma confidência muito pessoal: o esforço pelo conhecimento representa uma dessas metas independentes, sem as quais, para mim, não existe uma afirmação consciente da vida para o homem que declara pensar”.
“Quase se poderia dizer que o individualismo intelectual e a pesquisa científica nascem juntos historicamente e depois nunca mais se separam”.
“Hume bem compreendia que conceitos, julgados essenciais por nós – por exemplo, a relação causal – , não podem ser obtidos a partir da matéria fornecida pelos sentidos.
Esta compreensão o levou ao ceticismo intelectual diante de qualquer conhecimento.
Quando se lêem suas obras, fica-se espantado de que depois dele tantos filósofos, em geral bem considerados, tenham podido redigir tantas páginas tão confusas e encontrado leitores gratos”.
EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. Tradução: H. P. de Andrade. São Paulo: Circulo do Livro, s/data.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein
terça-feira, 28 de outubro de 2008
FRANCISCO RODRIGUES LOBO
SONETOS
(Francisco Rodrigues Lobo)
I
Que amor sigo? Que busco? Que desejo?
Que enleio é este vão de fantasia?
Que tive? Que perdi? Quem me queria?
Quem me faz guerra? Contra quem pelejo?
Foi por encantamento o meu desejo
E por sombra passou minha alegria;
Mostrou-me Amor, dormindo, o que não via.
E eu ceguei do que vi, pois já não vejo.
Fez à sua medida o pensamento
Aquela estranha e nova fermosura
E aquele parecer quase divino;
Ou imaginação, sombra, ou figura,
É certo e verdadeiro meu tormento:
Eu morro do que vi, do que imagino.
II
Fermosos olhos, quem ver-vos pretende
A vista dera em preço, se vos vira,
Que inda por perder-vos a sentira,
A perda de não ver-vos não se entende;
A graça dessa luz não na compreende
Quem, qual ao Sol, a vós seus olhos vira,
Que o cego Amor, que cego deles tira,
Com vossos próprios raios a defende.
Não pode a vista humana conhecer
Qual seja a vossa cor, que a luz forçosa
Não consente mostrar tanta beleza;
Se eu, que em vendo-a ceguei, pude ainda ver,
Uma cor vi, porém, cor tão fermosa
Que não me pareceu da natureza.
MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa – através dos textos. 5ª. Ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1972.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Rodrigues_Lobo
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
BACHELARD (4)
Gaston Bachelard
Em
Conceito de Fronteira
“Do ponto de vista filosófico, toda fronteira absoluta proposta à ciência é sinal de problema mal formulado.
É impossível pensar fecundamente uma impossibilidade.
Desde que uma fronteira epistemológica pareça nítida, é que ela se arroga o direito de decidir a propósito de intuições primeiras.
Ora, as intuições primeiras são sempre intuições a retificar.
Quando um método de pesquisa científica perde sua fecundidade, é que o ponto de partida é demasiado intuitivo, demasiadamente esquemático; é que a base de organização é demasiado estreita.
O dever da filosofia científica parece então muito claro.
É preciso romper de todos os lados as limitações iniciais, reformar o conhecimento não científico que obstrui sempre o conhecimento científico.
A filosofia científica deve, de algum modo, destruir sistematicamente os limites que a filosofia tradicional impusera à ciência”.
BACHELARD, Gaston. Epistemologia. Trechos escolhidos por Dominique Lecourt. Tradução de Nathanael C. Carneiro. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaston_Bachelard
sábado, 25 de outubro de 2008
SUETÔNIO
Suetônio
Em
A Vida dos Doze Césares.
Sobre Caio César Calígula:
“Perguntou, em certa oportunidade, a um cidadão que voltava de longo exílio, que costumava fazer lá.
Este, para adulá-lo, respondeu: “Pedia sempre aos deuses que matassem Tibério (o que se realizou) e te entregassem o império”.
Desta maneira persuadiu-se de que todos os que haviam sido proscritos desejavam também a sua morte e enviou soldados, de ilha em ilha, para degolá-los todos”.
“Quase não matava suas vítimas senão a pequenos golpes reiterados e era-lhe bem conhecida a opinião, que não cessava de repetir: “Bate-lhe, mas de maneira que ele se sinta morrer”.
.
Sobre Nero Cláudio César:
“Prostituiu seu pudor a tal ponto, maculados quase todos os membros do seu corpo, imaginou, enfim, como uma espécie de divertimento, cobrir-se com uma pele de fera e fazer-se encerrar num cubículo, de onde se lançava, ao sair, às virilhas de homens e mulheres atados a um poste.
Depois de saciada a sua raiva, abandonava-se ao seu liberto Dorífero, que chegou a ser sua mulher, como Esporo o fora também; e imitava, com gritos e gemidos, as virgens que estão sendo violentadas.
Contaram-me que ele estava persuadido de que não existia homem algum casto ou puro em algum ponto do seu corpo.
Eis a razão por que ele perdoava todos aqueles que lhe confessavam as obscenidades praticadas”.
SUETÔNIO. A Vida dos Doze Césares. Tradução de Sady Garibaldi. 5ª. Ed. São Paulo: Atena Editora, s/data.
Sobre o autor:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Suet%C3%B3nio
THE LIGHTBRINGER
Song: LightBringer by Killing Joke
Pics from www.Starcitygames.com
Forgotten Lore of Proxification thread
De: TeamVacaville
MELHOR COM HEADPHONES!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
ROGER GARAUDY
Roger Garaudy
Em
Apelo Aos Vivos.
“Em sociedades onde, como escrevíamos em nosso Projet espérance, o crescimento é o deus oculto, e a publicidade, sua liturgia demente; em sociedades onde a maioria se vê privada daquilo que o sistema em sua totalidade convida a gozar, a violência torna-se tanto a lei dos indivíduos como dos grupos, vivendo uns e outros de acordo com a lei do imoralismo dos sofistas atenienses, em que já se encontra a transposição para os indivíduos da expansão da força brutal, característica do imperialismo da Atenas de então: “O bem é ter os desejos mais fortes possíveis e encontrar os meios para satisfazê-los.”
"Sobre esta perversão fundamental do homem descansa hoje nosso sistema econômico de crescimento cego, de crescimento pelo crescimento.
Atentados, suicídios de adolescentes, tanto mais numerosos quanto mais ricos os países, dos Estados Unidos à Suécia, assaltos, destruições, seqüestros, todas as formas de terrorismo de indivíduos ou de grupos não passam de trocado miúdo da violência maciça, institucionalizada”.
GARAUDY, Roger. Apelo Aos Vivos. Tradução de H. P. de Andrade. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Garaudy
E ainda:
http://www.luiznogueira.com.br/ensaios/garaudy.htm
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
ALAN WATTS (7)
Alan Watts
Em
Psicoterapia Oriental & Ocidental.
“Desde Freud a psicoterapia tem-se ocupado da violência causada ao organismo humano e a suas funções pela repressão social.
Sempre que o terapeuta se coloca ao lado da sociedade, ele interpreta o seu trabalho como sendo ajustar o indivíduo e encaminhar os seus “impulsos inconscientes” para a respeitabilidade social.
Mas essa “psicoterapia oficial” carece de integridade e se transforma em instrumento obediente de exércitos, burocracias, igrejas, empresas e de toda instituição que exija lavagem cerebral dos indivíduos.
Por outro lado, o terapeuta interessado em ajudar o indivíduo é forçado à crítica social.
Isso não quer dizer que ele tenha de se empenhar diretamente em revolução política; significa que ele tem de ajudar o indivíduo a se libertar de várias formas de condicionamento social, liberta-lo inclusive do ódio contra esse condicionamento – pois odiar é uma forma de se escravizar ao objeto odiado”.
“As normas de comunicação não são necessariamente as normas do universo, e o homem não é a função ou a identidade que a sociedade lhe impõe”.
Alan Watts foi um dos grandes divulgadores do pensamento zen-budista nos Estados Unidos e na Inglaterra. Recebeu o grau de mestre do Seabury-Western Theological Seminary, em Illinois, e um doutorado honorário em divindade da University of Vermont. Nasceu na Inglaterra, em 1915 e morreu em 1973 nos Estados Unidos.
WATTS, Alan W. Psicoterapia Oriental & Ocidental. Tradução de José Veiga. Rio de Janeiro: Editora Record, s/data (original 1961).
Sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Watts
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